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domingo, 16 de novembro de 2008

Parentalidade à CNV

Neste artigo, Marshall b. Rosenberg partilha as suas ideias sobre a comunicação não-violenta e como educar os filhos de um modo compassivo. Aqui fica um excerpto:


"Tendo sido treinado, como fui, para pensar sobre a parentalidade, julgava que o trabalho dos pais era fazer com que os seus filhos se comportassem. Na cultura em que fui educado, assim que nos definimos como uma autoridade, seja um professor, um pai ou uma mãe, então julgamos que a nossa responsabilidade é a de fazer com que as pessoas que rotulamos como "alunos" ou "filhos" se comportem de uma certa maneira.

Agora vejo que esse objectivo leva necessariamente à derrota, pois aprendi que sempre que o nosso objectivo é o de fazer com que alguém se comporte de certa maneira, o mais provável é encontrarmos resistência, independentemente do que estivermos pedindo. Isso acontece quer a outra pessoa tenha 2 ou 92 anos de idade.

Este objectivo, de obter dos outros o que queremos, ou seja, de os levar a fazer aquilo que queremos que façam, ameaça a sua autonomia, o seu direito de decidir o que querem fazer. E quando as pessoas sentem que não são livres de escolher o que querem fazer o mais provável é resistirem, mesmo que compreendam o motivo por trás do nosso pedido e mesmo que o quizessem fazer.

Tão forte é a nossa necessidade de proteger a nossa autonomia que, se virmos que alguém tem esse objectivo, e que está agindo como se pensasse que sabe o que é melhor para nós, sem nos dar o espaço para escolhermos o que queremos fazer e como nos queremos comportar, isso estimula a nossa resistência.

Vou ser eternamente grato aos meus filhos por me terem ensinado as limitações do objectivo de fazer com que os outros façam o que eu quero. Primeiro, ensinaram-me que não posso levá-los a fazer o que quero que eles façam. Eu não conseguia levá-los a fazer nada. Não conseguia fazê-los guardar os brinquedos, fazer a cama ou fazê-los comer.

Agora, como pai, ao me tornar consciente desta falta de poder sobre os meus filhos, essa foi uma lição que aumentou a minha humildade, pois tinha metido na cabeça que o trabalho de pai era controlar o comportamento dos filhos. E ali estavam eles, dando-me esta lição de humildade, que eu não conseguia levá-los a fazer nada. Tudo que podia fazer era fazê-los desejar que tivessem feito o que eu queria que eles fizessem.

E sempre que fui suficientemente tolo para fazer isso, ou seja, para os fazer desejar que me tivessem feito a vontade, eles davam-me outra valiosa lição sobre a educação e o poder. E essa lição foi a de que sempre que os fiz desejar que me tivessem feito a vontade, eles fizeram-me arrepender de o ter feito: a violência gera a violência.

Ensinaram-me que qualquer uso de coerção da minha parte invariavelmente criava neles resistência, e que isso dava à nossa conexão uma qualidade adversária. E eu não quero ter esse tipo de conexão com nenhum ser humano, muito menos com os meus filhos, que são os seres humanos de quem estou mais próximo. Por isso não quero entrar nesse tipo de jogos de coacção - dos quais os castigos fazem parte - com os meus filhos.

Agora, este conceito de castigo é muito defendido pela maioria dos pais. Estudos indicam que cerca de 80% de pais americanos acreditam firmemente em castigar as crianças. Aproximadamente a mesma percentagem da população acredita na pena de morte para os criminosos."

© 2000 Dr. Marshall B. Rosenberg & Center for Nonviolent Communication

2 comentários:

Lara Gisela disse...

Agradeço-te por estares sempre a par de todas estas coisas, assim vou-me informando sem ter o trabalho. Ai que preguiçosa que estou!!!

Tibetan Star disse...

Que bom que alguém tira proveito! Acho o trabalho de Marshall Rosenberg muitíssimo útil e gostaria que mais pessoas soubessem dele!