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sábado, 20 de dezembro de 2008

Citações - Rabindranath Tagore

"À força, a escola retira as crianças de um mundo repleto dos mistérios da obra de Deus... Ela não passa de um método disciplinar que se recusa a ter em consideração o indivíduo. É uma fábrica especialmente concebida para produzir resultados uniformes. Ao escavar o seu canal de educação, segue a linha recta de uma média imaginária. Mas a linha da vida não é recta, pois adora brincar ao balancé com a linha da média...

Pois de acordo com a escola a vida é perfeita quando permite que seja tratada como algo morto, a ser cortado em conveniências simétricas. E isto era causa do meu sofrimento quando me mandaram para a escola..."

"Não foi o director da escola quem me criou e, quando nasci neste mundo, o Departamento de Educação não foi consultado. Será que esse esquecimento do meu criador foi o motivo que os levou à vingança? A minha mente não teve outro remédio senão aceitar o invólucro apertado da escola que, como os sapatos das mulheres mandarinas, apertava e machucava o meu ser em todos os lados e a cada movimento. Tive a sorte de me libertar antes que a insensibilidade se tivesse enraizado em mim."
"Minha Escola", em Personalidade: Palestras dadas na América (London: MacMillan and Co., 1921), pp. 114-115

"Quando iniciei a minha vida de poeta, os escritores da nossa comunidade educada íam buscar inspiração à literatura inglesa. Suponho que a minha sorte foi a de nunca ter tido, na minha vida, aquilo a que chamam de educação, ou seja, o tipo de formação escolar e universitária considerada adequada para um rapaz de família respeitável. Embora não possa dizer que estivesse completamente livre da influência que naquela época dominava os jovens espíritos, o percurso da minha escrita foi no entanto salvo da prisão das formas imitativas. Creio que foi precisamente por ter tido a grande sorte de ter escapado a formação escolar, que teria estabelecido em mim padrões artificiais baseados na prescrição dos professores.

Na minha metrificação, vocabulário e ideias eu rendia-me à fantasia de caprichos não-escolarizados, o que me trouxe a punição dos críticos académicos e tumultuosas gargalhadas dos chistosos. A minha ignorância, combinada com a minha heresia, transformou-me num delinquente literário." "Autobiografia" em Conversas na China: Palestras dadas em Abril e Maio de 1924 (Calcutá: Visva-Bharati-Book Shop, 1925), p. 37

Rabindranath Tagore (1861 - 1941), foi o primeiro autor não-ocidental a ganhar o Prêmio Nobel da literatura.

3 comentários:

Luisa_B disse...

Olá Paula
Hoje esteve a passar um programa Dr.Phill e o ensino doméstico, natural e o corrente na escola.
Nos estados unidos querem cada vez mais o ensino doméstico devido à onda de violência o o natural porque acreditam que seja o mais perto das raizes que recebemos de Deus.
Claro que depois chegam todos os professores cujos cargos ficam ameaçados e dizem o que sentem, que os pais não estão capazes para ensinar os filhos.
Aqui em Portugal sobretudo nos casos em que as escolas não conseguem dar saída ou solução aos aspergers que tenham familia capaz para os ensinar e educar e sem que sofram psicologicamente a ausencia de socializar com pares...pois neste caso podem e são altamente prejudicados quando existe o bulliyng, devia de imediato ser perguntado aos pais se eles queriam essa alternativa.
Inclusão na escola?
Se me dizem que ele tem de conseguir dominar-se e aguentar-se psicologicamente e fisica contra mais de 20 colegas na turma...como pode ir para a escola feliz?
Ninguém os compreende!
Eu estou a ficar arrasada com os processos que tenho vindo a ser alvo. Agora nem sei se este vai ou não acabar no tribunal porque o meu filho recusa-se a assinar um termo de responsabilidade que o obriga a aceitar ir para a escola e deixar de estar psiquicamente doente como o atesta o psiquiatra com documento e declaração.
Enfim...que dizer? Se eu pudesse ia para o Reino Unido onde as mentes são livres ao que vejo e a justiça mais à medida da lei.
Aqui são foras de lei!
Obrigada pelos post 's de esclarecimento desta matéria.
Tenho duvulgado e minhas amigas também o seu blog com estas mensagens importantes.
Beijinhos

Luisa_B disse...

Premio Nobel da Literatura, imagino o meu filho continuando a ser seguido e orientado por mim como foi desde que nasceu e escrfeveu com um ano e leu...a ser alguem não igual mas parecido a ter sucesso na escrita ou e pintura.

Tibetan Star disse...

Vi esse programa há uns tempos. Como dizes, a inclusão de certas crianças na escola, que na maior parte das vezes não tem a capacidade de satisfazer as necessidades especiais que essas crianças têm, não beneficia ninguém - na minha opinião deveria até ser considerada uma forma de abuso. Embora o sistema educativo seja cego e surdo aos danos que causa a muitos jovens, a verdade está na cara para quem estiver disposto a ver.

Aqui na Inglaterra é a mesma coisa - para muitas famílias a única solução é deixarem de delegar a responsabilidade pela educação e saúde dos filhos para as autoridades oficiais, que não só não ajudam como ainda arranjam mais problemas e acabam por prejudicar ainda mais.

A lei aqui diz que a educação é obrigatória, seja em escolas ou de outra maneira. O ensino doméstico é considerado "outra maneira" de educar. É legal, mas a responsibilidade passa a ser dos pais - e o sistema "lava as suas mãos".

Na prática, isso significa que as famílias se livram da interferência inútil de uma série de "especialistas" que causam mais danos que outra coisa. Ficam livres para viver as suas vidas da maneira mais adequada às suas necessidades e mais conducente à felicidade.

Eu pessoalmente acredito que o objectivo da educação não devia ser apenas o de preparar as crianças para ganhar a vida mas prepará-las para uma vida digna de ser vivida, encorajá-las a conhecerem-se a si próprias e a descobrirem maneiras de estar no mundo que trazem felicidade.

No ensino doméstico os educandos podem seguir os seus interesses e aquilo que mais lhes motiva. Podem passar dias a pintar, a escrever, enfim, a desenvolver os seus talentos únicos, em vez de serem forçados a decorar matérias que nada lhes dizem e que depressa esquecem depois de fazerem os testes ou exames que são obrigados a fazer.