"Como eu odiei a escola! Tantos dias cheios de ansiedade eu lá vivi! Nas aulas fiz muito pouco progresso e no desporto não fiz progresso nenhum. Contava os dias e as horas até ao fim de cada período, até a altura de sair desta odiosa servidão!
Regressava a casa e, no chão do meu quarto, punha os meus soldadinhos alinhados para a batalha. Nesses tempos o maior prazer que tinha era ler. Aos nove anos o meu pai deu-me A Ilha do Tesouro, e lembro-me da felicidade que senti ao devorar o livro.
Os meus professores viam-me simultaneamente como atrasado e precoce, lendo livros muito além da minha idade mas, no entanto, o pior da classe. Ficavam ofendidos. Tinham à sua disposição inúmeros métodos de coerção, mas eu era teimoso. Quando o meu interesse, a minha imaginação ou intelecto não eram engajados, eu não aprendia, não conseguia aprender. Nos doze anos que frequentei a escola, nunca ninguém me conseguiu fazer escrever um versículo em latim ou, nas aulas de grego, aprender mais do que o alfabeto." - Minha Mocidade (1930)


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