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domingo, 21 de dezembro de 2008

Ensino doméstico e a síndrome de Asperger

Há uns tempos atrás introduzi este livro. Hoje deixo aqui uma tradução livre de um excerpto do testemunho de uma mãe que optou pelo ensino doméstico:

Porque o ensino doméstico é o melhor para o meu filho

Estou convencida que o ensino doméstico tem, para a maior parte das crianças, muitas vantagens, tanto em relação ao seu desenvolvimento acadêmico e social como ao seu bem estar emocional. As razões que me levam a ver o ensino doméstico como sendo especialmente útil para as crianças e os jovens com a síndrome de Asperger são na sua essência as mesmas mas, em específico, o ensino doméstico proporciona ao meu filho um ambiente positivo.

As pessoas com a síndrome de Asperger são muito susceptiveis à ansiedade e quanto mais ansiosos se sentem tanto mais autista seu comportamento será. Assim, a minha abordagem é proporcionar ao meu filho, tanto quanto possivel, uma vida sem stress, de modo a que ele se possa libertar mais facilmente das restrições que a síndrome de Asperger lhe poderia impôr.

Há quem argumente que protegê-lo do stress é algo artificial mas estou convencida que isto dá-lhe a oportunidade de desenvolver as suas competências sociais. Quando exposto a mais stress do que é capaz de tolerar ele torna-se tão inflexivel e obsessivo que não consegue aguentar a presença de outras crianças e, se forçado a fazê-lo, aliena-se delas e é simplesmente incapaz de participar.

Tudo que li sobre a síndrome de Asperger e todas as conferências e grupos de pais a que fui sugerem que a escola é provavelmente a situação que mais stress causa na vida destes jovens. Por isso estou convencida que ao excluir a escola da vida do meu filho estou de facto a dar-lhe a oportunidade de desenvolver uma boa rede de amizades e as suas competências sociais.

Parto do princípio que quando se tornar adulto não irá escolher um emprego ou estilo de vida em que terá de passar longos períodos de tempo na companhia de mais de 30 pessoas, por isso não acredito que a experiência da escola é em si necessária para prepará-lo para a vida adulta. Sei que os jovens com a síndrome de Asperger ficam normalmente aliviadíssimos quando chega a altura de deixar a escola mas que, por outro lado, isso pode ser um ajuste dificil para eles. Os seus professores e assistentes passaram 12 ou mais anos ajudando-os a desenvolver estratégias para lidar com a instituição escolar e, de repente, precisam de um conjunto de estratégias completamente diferentes para a vida adulta. Com o ensino doméstico a transição da mocidade à vida adulta pode ser feita muito mais gradualmente, pois os jovens que aprendem em casa habituam-se geralmente a tomar seu lugar no mundo muito mais cedo.

1 comentário:

Luisa_B disse...

Mais uma vez apoio totalmente esta mãe que a meu ver tudo o que testemunha é a realidade que só nós vivemos e estamos ao lado deles para presenciar o que eles sentem.
O meu filho foi o melhor aluno da escola cujos conteúdos tive eu em casa após as aulas de lhe ensinar. Hoje...praticamente esqueceu tudo porque era algo decorado sem exemplos em contexto real e é disso que eles precisam aprender menos matéria num ano mas estar em "campo" para que as memorias fiquem registadas e compreendidos os sentidos por ex em história, ciências etc...
Não querem dar-nos as alternativas nem que isso custe a vida e felicidade dos nossos filhos, é muito triste.
Este ano não teremos natal pois com esta ameaça que ele sente por parte da justiça contra mim...não há alegria por cá.
Beijinhos e bom natal que bem o gozará estou certa, quem me dera ter ido para o Reino Unido, tenho vergonha em alturas como esta do meu País.