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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Escolarizar a natureza



O poema é de Japan Pathak. Encontrei este poema pela primeira vez nas páginas do Taleemnet, no site multiworlds.

Trata-se de um site dedicado à "celebração da diversidade de experiências na aprendizagem por todo o planeta e à conservação de um mundo no qual muitos mundos se abraçam (conforme dizem os zapatistas). Multiworld promove sistemas de aprendizagem que respeitam os princípios da natureza, a sabedoria indígena e o pensar com as mãos; sistemas cujos fundamentos e identidades têm raizes bem fora das jaulas formais do sistema ocidental de conhecimento." Convidam-nos a aprender com o coração, sempre com o coração.

No cabeçalho da secção do Taleemnet lemos: "pessoas que têm compaixão esforçam-se para acabar com a tirania da escola moderna. O aprisionamento ou imobilização de ternos espíritos e mentes em blocos de betão tipo fábricas, durante dez [ou mais] anos, por todo o lado, arrasa com a aprendizagem e com o amor pela vida."

O menino da escola


Um poema de William Blake (1757 — 1827), que viveu durante a Revolução Industrial, período em que se inicia o movimento em direcção à escolarização em massa.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Legalidade do ensino doméstico

"Assegurada legalmente por um decreto-lei do Estado Novo, dos anos 40, a possibilidade do ensino doméstico foi reafirmada em 1980 pelo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo (Decreto-Lei 553/80), mas a opção continua a ser desconhecida para a maioria da população. No ano lectivo 2006/2007 apenas três famílias usavam a prerrogativa legal. Actualmente, [...] o Ministério da Educação não tem qualquer estudo ou trabalho de fundo sobre a matéria."

João Prudêncio - visto aqui.

E mais umas fotos...

O tempo tem andado nublado, com muitos chuviscos, e faz frio.
A temperatura anda entre 1°C e 6°C. Hoje hei-de beber muito chá!
Fotos: Canal de Kennet e Avon, em Bathampton.

Ensino doméstico: um vídeo



Resolvi fazer uma versão portuguesa deste vídeo que fizemos há uns dois anos, depois de termos participado num encontro de famílias que praticam o ensino doméstico.

Foi uma semana muito agradável, passada em Monkton Wyld Court, um centro de educação holística perto de Lyme Regis, no sudoeste da Inglaterra. Espero que gostem...

Se quiserem podem ver a versão inglesa aqui.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Por onde andámos...



Umas fotos tiradas ontem em Bath.

Bertrand Russell

As crianças que são forçadas a comer adquirem aversão à comida e as crianças obrigadas a aprender adquirem ódio ao conhecimento.

Os homens nascem ignorantes mas não nascem estúpidos. Tornam-se estúpidos com a educação. Somos confrontados com o paradoxo de que a educação se tornou um dos principais obstáculos à inteligência e à liberdade de pensamento.

A maioria dos pais sente afeição pelos seus filhos, e isso estabelece limites ao mal que lhes fazem. Mas as autoridades educacionais não sentem afeição pelas crianças; na melhor das hipóteses, são comandadas pelo espírito público, orientado para a comunidade como um todo, e não apenas para as crianças; na pior das hipóteses, são políticos envolvidos em disputas por interesses pessoais. Outro mérito do lar é que ele preserva a diversidade entre indivíduos. Se fôssemos todos iguais, provavelmente seria vantajoso para os burocratas e estaticistas, mas seria uma desvantagem para a sociedade, que deixaria de progredir.

Tradução livre de Bertrand Russell

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Por onde andámos...

O movimento não-escola



Não-escola (unschooling) é um termo criado pelo escritor e educador John Holt. É, na sua essência, equivalente à aprendizagem autónoma - uma aprendizagem natural, orgânica, eclética, motivada pelos interesses intrínsecos e dirigida pelas próprias crianças e jovens.

O termo não-escola é geralmente usado para qualquer tipo de educação que não segue um currículo fixo, mesmo que não seja completamente autónoma. Na prática, existem vários graus de autonomia.

Uma possível diferença entre os dois termos poderá ser que, enquanto não-escola se refere à prática da aprendizagem autónoma feita a partir de casa, com os pais como facilitadores, a aprendizagem autónoma pode ter lugar dentro de contextos mais institucionais como, por exemplo, em escolas democráticas.


Pat Farenga, um dos líderes do movimento da não-escola nos E.U., define a não-escola como "permitir aos filhos tanta liberdade de aprender quanto os pais consigam confortavelmente dar". Uma vantagem da não-escola é que não exige que os pais assumam um papel diferente, ou seja, o papel do professor profissional que, seguindo o seu plano, enche os miúdos de conhecimentos.

Em vez disso, vivem e aprendem juntos, buscando respostas a perguntas que surgem no decorrer do dia e seguindo os interesses que vão surgindo naturalmente, utilizando métodos mais convencionais caso o queiram fazer. Esta é a forma como aprendemos antes de irmos para a escola e quando saímos dela e entramos no mundo do trabalho.

Assim, por exemplo, uma criança interessada em carrinhos pode querer saber como é que os motores funcionam (ciência), quando é que os carros começaram a ser construídos (história), quem inventou o carro (biografia), etc. Estes interesses podem levar à leitura de livros relacionados, a projectos ou até a cursos, mas a principal diferença é que estas actividades são escolhidas pela criança e feitas de livre vontade. Não foram impostas, mesmo que os pais mais activos influenciem e orientem as suas escolhas.

A não-escola, por falta de um termo melhor (até as pessoas começarem a aceitar a vida como parte integral da aprendizagem), é a forma natural de aprender. No entanto, isto não significa que não se tenham aulas tradicionais ou que não se utilizem matérias curriculares quando os miúdos, eles mesmos ou juntamente com os pais, decidem que é isso que querem fazer.

Embora aprender a ler ou a fazer equações quadráticas não sejam processos "naturais", as crianças e jovens que seguem a abordagem da não-escola aprendem tudo isso e muito mais quando lhes faz sentido fazê-lo, e não por terem atingido determinada idade ou por serem obrigadas a fazê-lo por uma autoridade arbitrária.

Assim, não é incomum encontrar crianças estudando astronomia antes dos oito anos ou crianças aprendendo a ler depois dos dez. Na prática, o método não-escola é, no Reino Unido, o método mais popular do ensino doméstico (e é encorajado pela associação nacional do ensino doméstico Education Otherwise. Há também um grande movimento não-escola nos E.U., apoiado pela revista Crescer Sem Escola, de John Holt.

Tradução livre daqui.

domingo, 26 de outubro de 2008

Mundo de Vasta Iliteracia Intelectual

Escravidão institucionalizada escravidão

Não me afastaram de um lugar.
Removeram-me de um espaço sagrado,
Removeram-me de mim.

Cultivaram e treinaram minha mente
Para se dar com o grupo deles;
Para se colocarem à minha frente
E me deixarem para trás...

Minha mente estava aberta à assimilação
E fechada à auto-realização;
A educação foi o agente de controlo,
Substituindo minha alma pela da sociedade.
Um acto de auto-suicídio para o bem do todo.

Não foram as grande mentes do nosso tempo que sancionaram
o ódio a si próprio,
que tornaram a verdade oblíqua,
que transformaram a educação num processo de condicionamento
para obliterarem a individualidade?

Procurem um modelo, procurarem um herói!
Não procurem serem vocês próprios, vocês são uns zeros!
Se a educação é a resposta
Tem uma função semelhante ao cancro.

Americanização - outra denominação para educação.

Controlo mental, modificação comportamental
A violência é uma forma de comunicação militarista
Sou um clone, uma imitação barata.

Se mato é porque fui treinado
Se odeio é porque fui treinado
Se roubo é porque fui treinado

Não sei quem sou, mas como fui treinado
Sou um profissional.

Poema de Josephine Dixon Banks

Aprendizagem autónoma

A necessidade de autonomia na aprendizagem está se tornando cada vez mais óbvia. No entanto, ao contrário de algumas pessoas, como certos professores universitários e teoristas educacionais que lidam com os produtos do sistema educacional, não acho que isto seja algo a ser ensinado.

Isso seria completamente absurdo. A autonomia na aprendizagem é alcançada simplesmente pelo remover dos seus obstáculos - tais como as escolas, principais causas da dependência intelectual. Assim, o processo de nos tornarmos estudantes autônomos é um simples processo de desaprender uma série de crenças erradas assimiladas anteriormente e de permitir que as crianças e as pessoas tenham a liberdade de fazer as suas próprias escolhas e de tomar responsabilidade pelas suas vidas.

Um perito sobre a importância do brincar disse: “É sintomático de uma certa maneira de pensar sobre as crianças, de pensarmos que temos de controlar e programar todos os aspectos das suas vidas. Isto parece-me ser extremamente prejudicial a longo prazo porque as crianças precisam de ter tempo para tomarem responsabilidade e tomarem decisões diárias sobre o que fazem.”

Como disse John Gatto, as escolas apenas críam dependência intelectual! O oposto da autonomia!



"A ... lição que eu ensino é a dependência intelectual. Os bons alunos esperam que o professor lhes diga o que fazer. Esta é a lição mais importante: nós devemos esperar que outros, com mais estudos do que nós, nos digam o significado das nossas vidas. O perito toma todas as decisões importantes; só ele pode determinar o que você deve estudar, isto é, só as pessoas que pagam o perito podem tomar as decisões que ele depois enforça.

Como professor, este poder de controlar o pensamento das crianças deixa-me separar os bons alunos dos falhanços muito facilmente. Os bons alunos pensam o que eu lhes digo para pensar sem resistência e com uma demonstração decente de entusiasmo. Dos milhões de coisas de valor a estudar, eu é que decido o pouco que aprender no tempo disponivel, ou seja, quem decide é quem me paga o ordenado. A escolha nem sequer é minha, por isso nem vale a pena reclamar. A curiosidade não tem nenhum lugar importante no meu trabalho, apenas a conformidade."

Nós estamos a viver numa época de rápidas mudanças. Está na altura de mudarmos de atitude, de adotarmos o “poder-com” e abandonarmos o “poder-sobre”. A informação está a perder o seu valor devido ao seu fácil acesso e nós, enquanto seres humanos, estamos a chegar ao ponto em que compreendemos as limitações do conhecimento. Está na hora de começarmos a fazer outro tipo de perguntas, perguntas como "qual é a finalidade do conhecimento?" e "estamos a educar para quê?" Para sobreviver e ganhar a vida? Para impressionarmos os outros com os títulos que os nossos filhos adicionam aos seus nomes? Para diminuirmos as nossas inseguranças? Para obtermos uma espécie de “seguro de vida”? Para obtermos poder e controle? Como uma maneira de manter o status quo? Para continuarmos a justificar sentimentos de superioridade e divisões de classes? Como uma arma?

Qual é o objectivo em colecionar e memorizar factos? Numa altura em que todos nós estamos ficando mais cientes da natureza impermanente das coisas, não está na hora de questionarmos a própria existência dos factos? Sabemos que nada existe duma maneira fixa, sólida e permanente. Tudo está a mudar, de momento a momento. Sendo assim, quando pensamos que sabemos algo, o que é que nós sabemos? Será que realmente sabemos algo ou será que estamos apenas a solidificar uma maneira provisória e relativa de fazermos sentido desse algo?

Nós estamos aqui por tão pouco tempo. A vida é curta e passa depressa. Mas enquanto cá estivermos, que tal aprendermos a ser felizes? De onde é que vem a felicidade? Da acumulação de informação? De uma licenciatura? De um mestrado? De um doutoramento? Ou de uma certa atitude interior? Penso que seria bom deixarmos de desperdiçar tempo e percebermos que existe uma diferença enorme entre o conhecimento e a sabedoria.

Adolf Hitler

"O meu ideal de educação é duro. Qualquer fraqueza deve ser retirada à martelada. Nas fortalezas da minha ordem militante, uma geração de jovens irá crescer para aterrorizar o coração do mundo. O que eu quero é uma juventude violenta, magistral, sem medo, cruel. Os jovens devem ter todas estas qualidades. Devem aguentar a dor. Não deve haver nada de fraco ou terno neles. Os olhos do predador livre e magnífico deve brilhar outra vez. Quero que eles sejam fortes e belos... Dessa forma eu posso criar algo novo".

sábado, 25 de outubro de 2008

Caros professores

"Caros professores: sou um sobrevivente de um campo de concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria testemunhar: câmaras de gás construídas por engenheiros com muitos estudos, crianças envenenadas por médicos, bebês mortos por enfermeiros. Por isso tenho muita suspeita do ensino. O meu pedido é o de ajudarem os vossos alunos a se tornarem humanos. Nunca produzam educados Eichmanns."

Haim Ginott (1922-1973)

Ivan Illich

"Neste mundo, para pessoas inocentes, não há nada tão horrível como as escolas. Para começar, são prisões. Em certos aspectos, ainda são mais cruéis do que prisões. Na prisão, por exemplo, não somos obrigados a ler livros escritos pelos guardas e pelo governador. Na prisão podem-nos torturar o corpo, mas não nos torturam a mente."

Stalin


A educação é uma arma
cujos efeitos dependem
de quem a tém nas mãos
e a quem se destina.

John Stuart Mill

"Em geral, o ensino público é um mero artifício para moldar as pessoas para serem exatamente umas como as outras, e como o molde usado é o que agrada ao poder dominante no governo, seja monarquia, aristocracia ou uma maioria da geração atual, na proporção em que é eficiente e bem sucedido, estabelece um despotismo sobre a mente, e a tendência natural é levar a um despotismo sobre o corpo."

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Porque temos de abolir escolaridade


"Muitos alunos, especialmente os que são pobres, compreendem intuitivamente o que as escolas lhes fazem. Elas ensinam-lhes a confundir processo com substância. Quando estes se confundem, uma nova lógica é adotada: quanto mais tratamento, melhores os resultados; ou, quantidade conduz ao sucesso. Assim, o aluno é 'escolarizado' a confundir o ensino com a aprendizagem, o avanço na escola com a educação, a obtenção de diplomas com a competência e a fluência com a capacidade de dizer algo original. Sua imaginação é 'escolarizada' a aceitar serviços em vez de valor. O tratamento médico é confundido com a promoção da saúde, o trabalho social com a promoção da vida comunitária, a proteção policial com a segurança, o poder militar com a segurança nacional, a "corrida de ratos" com o trabalho produtivo. A saúde, aprendizagem, dignidade, independência e actividade criativa são definidos como pouco mais do que o desempenho das instituições que afirmam servir esses fins, e o seu aperfeiçoamento é considerado dependente da disponibilização de mais recursos para a gestão de hospitais, escolas e outras agências em questão. Não só a educação, como a própria realidade social se tornou 'escolarizada'."

Por Ivan Illich