Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

domingo, 30 de novembro de 2008

Obrigatoriedade ou liberdade?


"Da perspectiva dos direitos humanos, a educação em si é um fim e não um simples meio para atingir outros fins. Quando os economistas definem a educação como produção eficiente de capital humano e classificam todas as suas dimensões de direitos humanos como externalidades, a imagem resultante de pessoas como capital humano obviamente contraria a de pessoas como detentoras de direitos.

O objectivo de colocar nas escolas todas as crianças de idade escolar e de as forçar a lá ficar até terem atingido o mínimo definido pelo ensino obrigatório é utilizado rotineiramente no sector da educação, mas este objectivo não obedece necessariamente aos requisitos dos direitos humanos.

Os padrões essenciais dos direitos humanos na educação incluem o respeito pela liberdade. Respeitar a liberdade dos pais "para educarem os seus filhos de acordo com a sua visão do que a educação deve ser tem sido parte dos padrões internacionais dos direitos humanos desde a sua origem."

Katarina Tomasevski, em O direito à educação

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Por onde andámos...

Casa de Kings Weston, nos arredores de Bristol.


A versão actual da casa, desenhada por Sir John Vanbrugh para Edward Southwell (I), data de 1710.


O parque que rodeia a mansão é enorme, com 28 hectares!


Um sítio óptimo para passeios, especialmente para quem não gosta de muitas subidas pois a maioria do terreno é plano...



Alugam salões para casamentos, conferências ou outras ocasiões.


Os terrenos à sua volta estão abertos ao público.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Educação alimentar: tofu


Depois de um dia de trabalho, nada melhor que uma boa refeição!


Tofu com vegetais cozidos a vapor e arroz basmati integral. Todos os ingredientes são de origem biológica.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Platão e a educação

O que diria Platão sobre o actual uso da compulsão na aprendizagem? Encontramos a resposta em A República:


"E, por conseguinte, o cálculo e a geometria, assim como todos os outros elementos da instrução, que são uma preparação para a dialética, deverão ser apresentados à mente durante a infância; não, porém, com quaisquer ideias de forçar o nosso sistema de ensino nas crianças.

Por que não?

Porque o homem livre não deve ser um escravo na aquisição de conhecimentos, sejam de que tipo forem. O exercício físico, quando obrigatório, não prejudica o corpo, mas o conhecimento adquirido sob compulsão nunca é retido pela mente.

É verdade.

Então, meu bom amigo, como já disse, não usem a compulsão, mas deixem que a educação seja uma espécie de brincadeira; então será mais fácil descobrir a inclinação natural das crianças.

Essa noção é muito racional, disse ele."

[excerpto do Livro VII]

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Aprender o alfabeto em inglês

Videos para crianças:

O alfabeto



Vamos cantar o alfabeto 2
Vamos cantar o alfabeto 3
Vamos cantar o alfabeto 4
Vamos cantar o alfabeto 5
Vamos cantar o alfabeto 6
Vamos cantar o alfabeto 7
Vamos cantar o alfabeto 8
Vamos cantar o alfabeto 9
Vamos cantar o alfabeto 10

John Holt disse...

"Ninguém nasce estúpido. Temos apenas de prestar atenção aos bebés e às crianças para vermos que demonstram um desejo e uma capacidade de aprender que, se demonstrada por qualquer adulto, diriamos ser genial. Mas o que acontece a esta capacidade extraordinária para a aprendizagem e ao crescimento intelectual quando começamos a crescer?

O que acontece é que ela é destruída pelo processo a que erradamente chamamos de educação - um processo que acontece em casa e nas escolas. Nós, os adultos, destruímos a maior parte da capacidade criativa e intelectual das crianças através das coisas que lhes fazemos ou das coisas que as forçamos fazer. Destruímos esta capacidade sobretudo ao torná-las receosas, com medo de não fazerem o que outras pessoas querem, de não as satisfazerem, de errarem, de falharem, de se enganarem. Desde modo, criamos nelas o medo de experimentar, de tentar o difícil e o desconhecido.

Destruímos o amor desinteressado (não quero com isto dizer a falta de interesse) que as crianças têm pela aprendizagem - fortíssimo quando são pequenas -, quando as encorajamos a trabalhar para obterem recompensas triviais e desprezíveis - estrelinhas de papel dourado ou testes marcados com 100% que depois penduramos na parede… - ou seja, pela ignóbil satisfação de se sentirem superiores aos outros.

Incentivamo-las a sentir que o objectivo e o propósito de tudo que fazem na escola não é mais do que terem boas notas nos testes ou impressionarem os outros com o que parecem saber. Destruimos não só a curiosidade delas mas o senso de que a curiosidade é algo bom e admirável, de modo que, quando chegam aos dez anos de idade, a maior parte delas já não faz perguntas e demonstra desprezo aos poucos que ainda as fazem."

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Aprendizagem autónoma no ensino doméstico

Ensino doméstico? Aprendizagem autónoma? Confuso?

Gosto muito desta explicação e por isso resolvi traduzí-la para partilhar com vocês. Como Gill Kilner explica, quando se pratica o ensino doméstico segundo o método da aprendizagem autónoma:

"Há pelo menos um adulto, o pai ou a mãe, sempre disponível para ajudar as crianças a aprender, quando estas pedem ajuda;

A aprendizagem é totalmente liderada pela criança e o adulto responde aos interesses da criança sem exigir determinados resultados;

As necessidades educacionais que a criança expressa são satisfeitas. Isso significa acesso a livros, internet, software, equipamento, bibliotecas, museus, cursos, tutores, etc., sempre que a criança manifesta desejo por tal;

Tanto quanto possível, a criança está consciente dos pontos e opções acima referidos;

A aprendizagem pode ocorrer a qualquer hora, em qualquer lugar, de inúmeras maneiras, e não está restrita a uma área, sala, casa ou edifício. Ocorre em todos os momentos que a criança passa acordada, por isso é verdadeiramente a ‘tempo inteiro’;

Assim, a educação é diferenciada e personalizada, indo de encontro à individualidade única de cada criança;

A criança aprende apenas em função dos seus interesses e por isso ela está sempre totalmente engajada e dando o seu máximo;

O desejo de aprender da criança pode ser prejudicado pela exigência de trabalhos e de demonstrações de progresso;

Normalmente a aprendizagem não é dividida em disciplinas e competências, pois estas desenvolvem naturalmente à medida que a criança sente necessidade delas;

A aprendizagem flui naturalmente, com períodos de descanso e reflexão passiva, ou seja, períodos de processamento de conceitos e ideas geralmente ocorrendo após períodos de maior actividade;

Graças ao constante e próximo acompanhamento por um familiar, 'trabalhos' por escrito (ou em qualquer outro formato) não são necessários no processo de avaliação. Por esta razão a ausência de 'trabalhos' escritos não significa ausência de aprendizagem;

O processo de aprendizagem pertence completamente à criança e, como tal, quaisquer trabalhos (caso existam) pertencem à criança e não aos pais;

Em geral, o progresso não é tão previsível ou regular como no ensino escolar. Às vezes pode ser muito rápido, outras vezes muito lento, dependendo da criança e da fase do processo;

A criança tem oportunidades para socializar e é livre de escolher como e quando isso acontece."

Mestrado da Vida

Mais uma curta metragem da ERD Filmes.



"O Estado usa os aparelhos ideológicos, dentre eles a escola, para manter a dominação sobre as classes menos favorecidas. Para Bourdieu, a escola é, de certa forma, uma maneira de perpetuar as relações de força de uma sociedade classista."

Por onde andámos...

Esta manhã: Keynsham, uma vila a 9 kms de Bath,

onde, numa das salas da Igreja Baptista,

a Jan e eu

lideramos um grupo de auto ajuda para famílias com crianças que têm a síndrome de Asperger.

O site deste nosso projecto encontra-se aqui.

domingo, 23 de novembro de 2008

Educação alimentar

Hoje vou partilhar umas fotos do nosso jantar, feito com quorn picado. Aqui, vendem o quorn em pacotinhos de 300grs, como na foto abaixo à esquerda.



Quorn é feito de proteína de cogumelos e cada 100gr contém 23 gr de proteína!


Come-se bem com puré de batata e com massa chinesa.


Para os vegetarianos, e para quem deseje reduzir o consumo de carne, é um ingrediente óptimo. Para os veganos não, porque o produto contém clara de ovo.

Por onde andámos...

A caminho da Casa de Hungerford, em Corsham, a 19 km de Bath.


Antigamente, a Casa de Hungerford era uma escola, mas agora é um complexo com um museu e almhouses.


Almhouses são casas para os pobres de uma localidade ou para pessoas que tiveram determinadas profissões. Dentro do complexo há uma sala de aulas com as mobílias originais do século 17, e uma sala de exposições.


Há também uma sala usada por um grupo budista que oferece sessões de meditação e, aos sábados, a oportunidade de se ouvir ensinamentos dados por um monge tibetano.

sábado, 22 de novembro de 2008

Vídeo: A criança e seu mundo


Palestra por Mário Sérgio Cortella.

Brioches com história

A Casa da Sally Lunn é a casa mais antiga da cidade de Bath.


Sally Lunn foi uma refugiada francesa que chegou à Inglaterra há mais de 300 anos. Arranjou trabalho nesta casa, onde ficou famosa pelos seus pãezinhos. A receita original, mantida em segredo, continua a ser feita à mão.


A história do edifício começa muito antes da chegada de Sally Lunn em 1680. Há lá dentro um museu onde podemos ver as fundações romanas e medievais da casa e objectos descobertos durante escavações.


Também podemos ver a cozinha original usada por Sally Lunn.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A criação do ensino obrigatório

O que se segue é uma tradução livre de um texto por Thom Hartman, cuja versão original podem ler aqui.

Nos finais do século XIX Napoleão começou a avançar pela Europa, alcançando finalmente a Prússia, onde o seu exército voluntário de agricultores conseguiu derrotar os soldados profissionais do rei da Prússia. Esta humilhante derrota levou o rei da Prússia a criar, em 1819, pela primeira vez na história, o ensino obrigatório a nível nacional - e a fazer com que ele permanecesse.

A teoria dele, atribuída ao filósofo alemão Fichte, era que forçar as crianças a irem à escola desde pequeninas as tornariam mais leais, e receosas, ao poder do Estado do que à autoridade dos pais. Se não fossem à escola, pessoas armadas viriam-nas buscar; se elas, ou os pais, tentassem resistir, a polícia podia aprisioná-las ou matar os rebeldes pais. Os miúdos não eram parvos: sabiam que os pais não tinham outra escolha senão mandá-los para a escola e que, consequentemente, o Estado era mais poderoso que as suas próprias famílias. Fichte e o rei raciocinaram que estas crianças se iriam tornar bons soldados, respeitando o poder estatal.

Além disso, o rei queria soldados que não questionassem as suas ordens mas que imediatamente fizessem o que lhes era dito. Assim, o sistema escolar prussiano instituiu um sistema de “proibição de interrupções”. As crianças nem sequer podiam fazer uma pergunta sobre o tópico que estavam aprendendo a não ser que antes perguntassem, “posso fazer uma pergunta?”, pondo o dedo no ar e esperando autorização. Deste modo ficavam “correctamente socializadas”, ou seja, aprendiam a respeitar e a não questionar os detentores da autoridade.

O sistema foi criado para eliminar ou remover as ervas daninhas que hoje chamaríamos de comportamentos e perspectivas alternativas do cidadão comum. E, como resultado, todas as crianças - os produtos deste sistema escolar - teriam as mesmas opiniões sobre as “matérias consideradas importantes pelo Estado”. Isto agradou muito ao rei, que deste modo poderia decidir que matérias eram essas, e que opiniões deveriam as crianças formar.

Contudo, o rei não queria que os seus filhos, os futuros governantes do país, fossem sujeitos a esse tratamento. Eles iriam liderar e precisavam de adquirir competências como a liderança, a criatividade e a independência, e não a cega obediência. O rei também se apercebeu que os filhos dos comerciantes e dos funcionários públicos precisariam dessas capacidades, e que seriam menos eficazes se fossem processados pelo sistema do ensino público que ele tinha criado.

Assim, mandou criar um segundo sistema, um sistema paralelo ao ensino público. Ao primeiro sistema chamou “a escola do povo” (Volkshochschule), enquanto que ao segundo, onde a verdadeira instrução ocorreria, chamou simplesmente de "a verdadeira escola" (Realschule). Noventa e três por cento dos estudantes atenderiam a escola do povo, e os sete por cento que representavam a elite da nação e os futuros líderes atenderiam a verdadeira escola.

A Realschule foi originalmente criada de um modo que seria provavelmente muito simpático. Havia uma ênfase na interacção, na participação, na expressão de opiniões e ideias, no pensamento crítico e no treino para a liderança. Assemelhava-se em muitas maneiras a algumas das mais progressivas escolas “experimentais” que existem nos Estados Unidos e noutros locais.

Hoje em dia, o sistema da escola do povo e da verdadeira escola ainda existe na Alemanha.

No início, muitas comunidades americanas se juntavam, empregavam um professor e abriam uma escola. Contudo, não eram nem obrigatórias nem do Estado. Os pais pagavam o salário do professor e essas escolas seriam actualmente consideradas escolas privadas.

Com o crescimento e a industrialização da América, e com a partida de muitos trabalhadores para os campos de batalha da guerra civil, foram precisos trabalhadores obedientes para as fábricas. Horace Mann foi à Prússia para ali observar o funcionamento das escolas (que tinham sido tão eficazes que o rei da Prússia lutou contra os franceses e retomou o seu país), e foi-lhe concedido um “doutoramento”, outra invenção prussiana.

Mann achava que o sistema prussiano do ensino público era a solução ideal para o aumento dos problemas sociais na América: pensava que através dele conseguiria criar uma população mais homogênea, de trabalhadores obedientes com opiniões e valores semelhantes. Começou a fazer uma campanha para a criação de um sistema de ensino público obrigatório, especialmente entre os líderes industriais, sugerindo que se eles pudessem usar a sua influência política poderiam ajudar a resolver os problemas sociais e, ao mesmo tempo, obter trabalhadores melhores para as suas fábricas.

Contudo, o primeiro grupo a aceitar a ideia de Mann não estava interessado em fazer obras de caridade. Era uma organização protestante que andava muito alarmada pelo influxo de católicos irlandeses em Boston. Algo tinha de ser feito para introduzir o Estado nessas comunidades, ou um dia poderiam vir a adquirir bastante poder político para ameaçar a matriz protestante do poder político e econômico. Assim, a cidade de Boston adoptou o primeiro sistema de ensino público obrigatório nos Estados Unidos.

Ao trazer o sistema de ensino prussiano para os Estados Unidos, Horace Mann prestou um grande serviço ao governo e à indústria. Negligenciou, contudo, o sistema da verdadeira escola. Era suposto que as famílias com poder e posição teriam dinheiro para mandar os filhos para as escolas privadas, e por isso não havia necessidade de um sistema público de verdadeira escola. Também não queriam correr o risco das crianças espertas “das classes mais baixas” virem a ser educadas como colegas dos filhos da elite.

E assim temos hoje um sistema de ensino público cujo objectivo principal é a socialização dos nossos filhos. A obediência, a conformidade do rebanho, a submissão à autoridade do sistema e do professor são mais importantes do que a inteligência, a curiosidade ou a criatividade. Os que se deixam moldar são recompensados com boas notas. Aqueles que não submetem a sua vontade aos detentores do poder, os professores, são frequentemente esmagados.

Esta é uma área onde - conscientes da história do sistema escolar - podemos começar a mudar as coisas. Hoje, muitos pais mandam os filhos para escolas privadas; mas nos Estados Unidos, mais de um milhão de famílias escolhem o ensino doméstico. A aprendizagem está disponível na internet. Com a proliferação destas alternativas seguir outro caminho é possível.

Copyright o © 1999, 2000, 2001 por Thom Hartmann, todos os direitos reservados.

Vídeo: A história de todos nós

Documentário sobre a evolução humana, em português.



"Nós somos incríveis – e não apenas pelo que fizemos, mas pelo que somos. Após quatro bilhões de anos de evolução, nosso corpo emergiu como um conjunto único. Veja do que você é feito: 100 trilhões de células, 640 músculos, 200 ossos, um coração que realiza 2,5 bilhões de batimentos ao longo da vida, um esqueleto que se regenera cinco vezes e um cérebro capaz de realizar bilhões de conexões diferentes. A maneira como essas peças se encaixaram é a nossa incrível história, a história de todos nós."

John Taylor Gatto

O segredo da instituição escolar actual é que ela é indiferente à forma como as crianças melhor aprendem e hostil às suas esperanças e sonhos. Desde o seu início ela foi propositadamente constituída tal e qual ela agora é, para servir a economia de produção em massa e para estabilizar a ordem social existente, apesar da sua injustiça. Por este motivo tornaram a escolarização obrigatória.


As escolas ensinam-nos a que classe pertencemos, como no sistema de castas. Elas ensinam às crianças que elas devem permanecer na classe que lhes foi atribuída, seja ela adequada ou não. Esta é uma visão que nega o gênio natural das crianças.

Através de campaínhas, ordens e outros mecanismos, as escolas ensinam que nada vale a pena acabar. Será então de estranhar que, depois de passarem por esse processo vezes sem conta, muitas crianças concluam que nada vale a pena começar?

Através do uso de recompensas e castigos, as escolas tornaram-se enormes laboratórios de psicologia comportamental, ensinando que o livre arbítrio, mesmo em questões tão básicas como a necessidade de urinar, deve ser subordinado aos caprichos de quem tém o poder.

Na escola, as crianças aprendem que os professores lhes dizem o que pensar e durante quanto tempo, e que valores devem ser dados às várias ideias e formas de as gerir.

Ao separar as crianças das suas famílias, culturas, religiões e visinhança - ou seja, de tudo que lhes dá força - as escolas ensinam as crianças a se traírem a si próprias, a esperar que os professores lhes digam o que fazer e se o que fazem é bom ou mau. William Torrey Harris, comissário da educação dos E.U.A. entre 1889 e 1906, recomendou que as escolas ensinassem deliberadamente a auto-alienação como a via necessária para o êxito pedagógico.

As escolas ensinam que ninguém pode escapar a fiscalização do Estado e seus agentes. Cada acção produz um relatório codificado numericamente, e a soma desses números, juntamente com uma série de opiniões alheias, resulta num perfil que para sempre dirá ao mundo quem o estudante realmente é.

www.johntaylorgatto.com

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sincronicidade, transdisciplinaridade e o ensino doméstico

Engraçado o que se passou ontem. Estava jantando e reflectindo em como o processo da aprendizagem autónoma (é assim que traduzo o termo unschooling) leva naturalmente à compreensão da interligação entre todas as coisas.

Em particular, estava olhando para a sopa e pensando: "hmm, que sopa tão gostosa e saudável!" Aí comecei a abservar o funcionamento da mente, saltando rapida e naturalmente de uma perspectiva para outra, em associação livre de ideias, do estilo: sopa, sabe bem, papilas gustativas, 5 sentidos, ciência, corpo humano, processo digestivo, biologia, nutrição, saúde, produtos alimentares naturais, biodiversidade, sustentabilidade, ecologia, geografia, agricultura, pesticidas, toxinas, influências na escolha da alimentação, poder de compra, economia, política, sociologia, ética... e assim por diante!

E pensei: "Não é incrível como uma troca de pensamentos durante uma refeição depressa se transforma numa sessão de exploração do mundo em que vivemos? De um mundo em que a parte não está separada do todo, em que a parte contém o todo, em que o todo é muito mais do que a soma das partes?"

Depois, com certa tristeza, pensei em como nas escolas o conhecimento é compartimentalizado em disciplinas diferentes. Como as mentes dos alunos se tornam escolarizadas e perdem a visão do dinamismo das interrelações que existem entre as coisas. E pior ainda, como perdem a visão de si mesmos enquanto seres humanos.

Lembrei-me do professor e autor John Taylor Gatto, que diz: "A primeira lição que ensino é a confusão. Ensino que tudo está fora de contexto ... Ensino a não-relação entre tudo. Ensino a não-conexão. Ensino em demasia: a órbita dos planetas, a matemática, a escravatura, adjetivos, dança, ginástica, canto coral, computadores, línguas, programas de orientação com estranhos que você nunca mais verá, avaliações, segregação etária como nunca é vista no mundo lá fora... o que tem qualquer destas coisas a ver com as outras?"

Ter a liberdade para aprender de uma maneira natural, orgânica, holística, transdisciplinar, para além da separação entre sujeito e objecto, entre mente e coração... que maravilha! Ando entusiasmada com esta ideia da transdisciplinaridade.

Video: O que é a transdisciplinaridade?

Da separação artificial do conhecimento em disciplinas todos nós sabemos. Essa foi a nossa experiência escolar. Mesmo no ensino superior, quando finalmente obtemos o direito de estudar aquilo que melhor se adequa à nossa motivação intrínseca, essa compartimentalização continua. Eu, por exemplo, que passei 9 ou 10 anos estudando várias disciplinas da música clássica, não me lembro de nenhuma tentativa de convergência desses saberes por parte dos professores. O que aprendia em história da música era uma coisa, o que aprendia em composição era outra, e assim por diante.

Mais tarde, quando fiz uma licenciatura combinada aqui na Inglaterra, em Música e Gestão, as duas áreas estavam completamente separadas, e eu passava metade do tempo no departamento de música e metade no departamento de gestão de negócios. Embora essa combinação, essa multidisciplinaridade de estudos fosse permitida, ainda deixava muito a desejar...

A transdisciplinaridade vai além dessa separação; ela é "a busca do sentido da vida através de relações entre os diversos saberes numa democracia cognitiva. Nenhum saber é mais importante que outro."

E a transdisciplinaridade não se limita à noção de que a matemática não é mais importante do que a música. Ela vai além, abraçando a ideia de que o conhecimento adquirido pela razão ou intelecto não é mais importante do que o conhecimento adquirido através das multiplas dimensões humanas, como as emoções e a espiritualidade.

E nós, que praticamos o ensino doméstico, estamos na posição ideal para a pôr em prática, permitindo que os nossos filhos sejam seres humanos na sua inteireza. Como já dizia Ricardo Reis,

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.


O mais engraçado, e é aqui que a sincronicidade entra, é que logo a seguir a estas reflexões, cliquei no blogue Pés na Relva e li Ensino Doméstico é como as Cerejas. Fascinante!

Vídeo: Trans o quê?

A escola serve para quê ?



"Bill é um jovem que mora na periferia de Teresina e conta sobre os traumas que a escola deixou."

Vídeo da serie "A escola serve para quê?" da ERD filmes.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Recursos educacionais







Matemática
Álgebra
Geometria

Ciências Naturais
Biologia
Química
Física

Educação alimentar

Li o blogue da Isabel e tive de ir jantar!


A foto mostra uma sopa de cherovia (ou pastinaga) com cebola, alho francês, cuscuz e cenoura. O pão é integral com sementes de girassol, papoila e millet.

A educação alimentar, afinal, é importantíssima.

A ABCiência, por exemplo, tem uma série de vídeos chamada Cozinha é um laboratório.

Deixo-vos aqui algumas ligações:
Compota de Abóbora
Chantilly de chocolate
Suspiros sem bater ovos
Pão de trigo e a sua estrutura esponjosa

O pôr do sol


Foto tirada da janela da cozinha; esta tarde às 4.45 hrs.

Como as escolas destroem a criatividade

Indispensável a todos os pais e professores! Ken Robinson, guru educacional e autor, explica a necessidade de se criar um sistema de educação que alimenta a criatividade em vez de a destruir.



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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Cancioneiro, de Fernando Pessoa

A História do Número 1



Tema: as origens dos números, como o "1" ajudou a criar as primeiras cidades, a construir impérios e a inspirar as mentes mais brilhantes da história; o dinheiro; como o "1" se associou ao "0" para dominar o mundo digital em que vivemos hoje. - fonte

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Aprendizagem autónoma no ensino doméstico

Hoje gostaria de partilhar convosco uma filosofia de educação autónoma, em que "a ênfase não está no ensino, mas sim na aprendizagem, e o processo de aprendizagem é mais importante do que o produto final".

Escrita por Jan Fortune Wood, a versão original encontra-se aqui.

"A base teórica da minha filosofia educativa é a de que:

A criança / aluno é quem melhor sabe o que melhor vai de encontro à sua motivação intrínseca para aprender, desde que tenha um ambiente rico e estimulante onde aprender.

A aprendizagem deve seguir as perguntas da criança / aluno.

A criança é activa na aprendizagem; ela possui interesses, preocupações, perguntas e problemas específicos que aborda continuamente de uma forma activa. O papel da educação é apoiar este processo.

O crescimento do conhecimento não é um processo mecânico mas sim um processo criativo na mente de quem aprende. Um ambiente com acesso a uma ampla gama de recursos, conversas, experiências fora do lar, etc, está melhor posicionado para estimular e facilitar este processo.

A educação abrange todos os aspectos da aprendizagem. A educação autónoma implica a posse de condições para a auto-direcção na vida. A educação autónoma não divide a vida em "educação" e "não educação".

domingo, 16 de novembro de 2008

Vídeo: O Budismo



Tema: Religiões do mundo; o budismo, fundado por Sidarta Gautama no nordeste da Índia por volta de 560 a.C.

Ver o guia de estudo (em inglês) aqui.

Coisas do dia a dia...

Ontem fomos ao centro da cidade, comprar uma prenda para uma amiga muito especial que faz amanhã 15 anos.


E em relação às preparações para a mudança de casa, continuo a tentar esvaziar este apartamento oferecendo coisas através do freecycle. Graças a esse sistema de trocas e baldrocas hoje vieram buscar uma das camas e um dos quartos já está a ficar mais vazio...

Parentalidade à CNV

Neste artigo, Marshall b. Rosenberg partilha as suas ideias sobre a comunicação não-violenta e como educar os filhos de um modo compassivo. Aqui fica um excerpto:


"Tendo sido treinado, como fui, para pensar sobre a parentalidade, julgava que o trabalho dos pais era fazer com que os seus filhos se comportassem. Na cultura em que fui educado, assim que nos definimos como uma autoridade, seja um professor, um pai ou uma mãe, então julgamos que a nossa responsabilidade é a de fazer com que as pessoas que rotulamos como "alunos" ou "filhos" se comportem de uma certa maneira.

Agora vejo que esse objectivo leva necessariamente à derrota, pois aprendi que sempre que o nosso objectivo é o de fazer com que alguém se comporte de certa maneira, o mais provável é encontrarmos resistência, independentemente do que estivermos pedindo. Isso acontece quer a outra pessoa tenha 2 ou 92 anos de idade.

Este objectivo, de obter dos outros o que queremos, ou seja, de os levar a fazer aquilo que queremos que façam, ameaça a sua autonomia, o seu direito de decidir o que querem fazer. E quando as pessoas sentem que não são livres de escolher o que querem fazer o mais provável é resistirem, mesmo que compreendam o motivo por trás do nosso pedido e mesmo que o quizessem fazer.

Tão forte é a nossa necessidade de proteger a nossa autonomia que, se virmos que alguém tem esse objectivo, e que está agindo como se pensasse que sabe o que é melhor para nós, sem nos dar o espaço para escolhermos o que queremos fazer e como nos queremos comportar, isso estimula a nossa resistência.

Vou ser eternamente grato aos meus filhos por me terem ensinado as limitações do objectivo de fazer com que os outros façam o que eu quero. Primeiro, ensinaram-me que não posso levá-los a fazer o que quero que eles façam. Eu não conseguia levá-los a fazer nada. Não conseguia fazê-los guardar os brinquedos, fazer a cama ou fazê-los comer.

Agora, como pai, ao me tornar consciente desta falta de poder sobre os meus filhos, essa foi uma lição que aumentou a minha humildade, pois tinha metido na cabeça que o trabalho de pai era controlar o comportamento dos filhos. E ali estavam eles, dando-me esta lição de humildade, que eu não conseguia levá-los a fazer nada. Tudo que podia fazer era fazê-los desejar que tivessem feito o que eu queria que eles fizessem.

E sempre que fui suficientemente tolo para fazer isso, ou seja, para os fazer desejar que me tivessem feito a vontade, eles davam-me outra valiosa lição sobre a educação e o poder. E essa lição foi a de que sempre que os fiz desejar que me tivessem feito a vontade, eles fizeram-me arrepender de o ter feito: a violência gera a violência.

Ensinaram-me que qualquer uso de coerção da minha parte invariavelmente criava neles resistência, e que isso dava à nossa conexão uma qualidade adversária. E eu não quero ter esse tipo de conexão com nenhum ser humano, muito menos com os meus filhos, que são os seres humanos de quem estou mais próximo. Por isso não quero entrar nesse tipo de jogos de coacção - dos quais os castigos fazem parte - com os meus filhos.

Agora, este conceito de castigo é muito defendido pela maioria dos pais. Estudos indicam que cerca de 80% de pais americanos acreditam firmemente em castigar as crianças. Aproximadamente a mesma percentagem da população acredita na pena de morte para os criminosos."

© 2000 Dr. Marshall B. Rosenberg & Center for Nonviolent Communication

sábado, 15 de novembro de 2008

As coisas que a gente encontra

... ao arrumar a casa!
Um esboço que fiz há quase dois anos, do meu pai vendo televisão...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Vídeo: religiões antigas do mediterrâneo



Tema: a história espiritual da bacia do Mediterrâneo, as antigas culturas que tiveram uma grande influencia nas religiões do mundo moderno. Da Mesopotâmia e Egipto aos impérios da Grécia e de Roma, as mitologias, deuses e rituais que desempenharam um papel importante na vida social e política destes povos antigos.

Baixar o guia de estudo, em inglês, aqui.

Preparações para a mudança

As preparações para a mudança continuam.
A sala, por exemplo, que há uns tempos estava assim,



agora já está praticamente vazia...


E para nos lembrarmos das vistas da janela, aqui ficam umas fotos.
Olhando para a esquerda,


... para a direita,

e em frente o céu escurecendo, por volta das 4 horas da tarde, sobre as colinas de Lansdown, com a Torre de Beckford lá no topo ...


E depois de tanto trabalho, uma sopinha para aquecer...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Documentário: Mecânica Quântica e Incerteza


Documentário da Discovery sobre o mundo dos átomos, a Física Quântica e como ela afetou a tecnologia, a cultura e a filosofia. 46mns

Para os mais novos, este é melhor:

Dr. Quantum demonstra o carácter duplo da "matéria", em que os átomos têm a natureza de onda e de partícula, e a teoria que resolve este aparente paradoxo.

Por onde andámos...


Ontem passámos por esta igreja, em Bathampton.


Hoje choveu praticamente o dia todo. Às 4.30 da tarde já anoitecia...


Nem apetece sair de casa! De resto, continuamos a dar as coisas que em breve não iremos precisar. A TV, os 2 aparelhos de vídeos e a cadeira de baloiço já se foram. Para estas coisas o freecycle é um óptimo sistema!

HL Mencken


Os dias de escola são os mais infelizes da nossa existência humana. Estão cheios de tarefas chatas e ininteligíveis, regras novas e desagradáveis, e violações brutais à decência e ao senso comum.

George Bernard Shaw

Não há nada no mundo, destinado a pessoas inocentes, tão horrível como a escola. Para começar, é uma prisão. Mas é, em certos aspectos, mais cruel do que uma prisão. Na prisão, por exemplo, não somos obrigados a ler livros escritos pelos guardas e director. Na prisão podem nos torturar o corpo mas não nos torturam a mente.