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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Actividades de Inverno

Lá fora faz tanto frio (-1ºC) que as folhas estão cobertas de gelo

e a água do "lago" no quintal congelou!

Felizmente o aquecimento central funciona,

e o interesse pelo xadrez continua,

levando até à leitura de livros como este.

Durante o jantar o Daniel perguntou:

"O que significa Tai em Tai Chi?"

Ninguém melhor que o Alan para explicar! O livro dele, Introdução ao Tai Chi, foi traduzido para o espanhol, caso alguém esteja interessado.

E assim se aprende conversando...

Feliz Ano Novo a todos que por aqui passarem! Nós vamos passar um serão bem calmo, tipicamente aspie, concentrados nos nossos interesses, mas reunindo-nos de quando em quando!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Bullying leva ao ensino doméstico

Uma das razões que leva cada vez mais famílias a optarem pelo ensino doméstico é o desejo de reparar os danos causados aos filhos pelo bullying que sofrem nas escolas. Deixo-vos aqui uma tradução livre das palavras de uma rapariga que chegou ao ponto de ameaçar suicidar-se se os pais a mandassem para a escola mais uma vez. O original encontra-se aqui.

Como a escola me traiu

"Eu só queria aprender, mas descobri que até isso era esperar demais! Em 2006 entrei para a escola secundária; acabou por ser o período mais angustiante da minha vida.

A maioria dos estudantes que lá andavam eram muito hostis e não tinham consideração nenhuma por ninguém. O ambiente era muito intimidante e estressante para mim. No primeiro ano que lá andei senti-me muito ameaçada pelos outros alunos - empurravam-me nos corredores e olhavam para mim com desdém. As minhas notas e auto-confiança depressa foram abaixo.

Acho que os bullies (os agressores) eram tão insensíveis que não compreendiam o impacto das suas acções. Depois fui agredida por uma aluna dois anos mais velha do que eu. Puxou-me para trás pelos cabelos, atirou-me para o chão e começou a dar-me murros e pontapés. Entrei em choque e fiquei muito perturbada.

Todos os dias, assim que chegava a casa, ia para a cama e adormecia. Quando entrei para o ano 8 as coisas pioraram. Os outros alunos começaram a gritar comentários agressivos e arrasantes e eu comecei a ter ataques de pânico na escola devido ao estresse.

No início do ano 9 ameaçei atirar-me da janela do último andar se me mandassem outra vez para a escola. A minha mãe decidiu retirar-me da escola e educar-me em casa. Foi o último recurso: ela já tinha ido à escola muitas vezes. Escreveu uma carta ao director da escola sobre todas as coisas horríveis que tinham acontecido e ele nem sequer respondeu.

A pergunta que gostaria de vos fazer é se um adulto ia trabalhar neste tipo de ambiente? E o que fariam se fossem víctimas deste nível de agressão no local de trabalho?"

Adoro o ensino doméstico!

Ana Maria, uma jovem que aprende em casa, escreve para o jornal:

"Se perguntasse a vossa opinião sobre o ensino doméstico, obteria provavelmente várias respostas, mas uma delas seria que a maioria dos jovens que aprende em casa não socializa o suficiente com outros jovens.

Eu adoro aprender em casa! Tenho treze anos e acho que devo socializar com outros jovens e contribuir para a comunidade em que vivo. Querem saber como faço isso?

* Trabalho como voluntária numa associação de artes, um dia por semana. Gosto muito de lá estar. O centro é simpático e as pessoas que lá vão são muito interessantes.

* Todas as sextas-feiras vou a um estúdio onde um artista ensina-me a desenhar e pintar.

* Na semana que vem, eu, a minha mãe e o artista que me ensina, vamos a Londres, a uma Galeria de Arte. O artista é um dos meus melhores amigos.

Assim como socializo com adultos também socializo com outros jovens - estou com amigos da minha idade pelo menos uma vez por semana. Dormimos em casa uns dos outros, encontramo-nos no centro, vemos filmes, jogamos playstation, tal e qual os outros adolescentes.

Creio que na maior parte dos casos aprender em casa tem muitas vantagens.

* É mais flexível do que aprender na escola dando-me, por exemplo, a oportunidade de ir a mais sítios, como a galerias e exposições.

* Trabalhando como voluntária ganho experiência da vida real.

* Como não estou limitada por um currículo posso trabalhar em projectos interessantes e não muito comuns.

* Posso concentrar a minha energia em disciplinas que me interessam e que estão relacionadas com aquilo que quero fazer no futuro.

* Dá-me a oportunidade de ser independente na minha aprendizagem. Eu faço as minhas pesquisas e motivo-me a mim mesma a trabalhar.

O que acham?"

Podem ler o original, em inglês, aqui.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O meu casamento

Aqui estou eu de novo, partilhando mais uns momentos da nossa vida!

Conhecemo-nos exactamente há um ano, a caminho da India,

onde passámos 3 semanas em Mundgod (zona em que vivem cerca de 12.500 refugiados tibetanos), no Mosteiro Drepung Loseling, ouvindo os ensinamentos do Dalai Lama.

Há um ano atrás andávamos por aqui. Um ano depois e aqui estamos nós, no Registo Civil,

fazendo os votos de casamento na presença do nosso professor espiritual,

sem o qual nunca nos teríamos conhecido.

"Agora o noivo pode beijar a noiva."

E esta não precisa de palavras.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tribunal condena família que educa filhos em casa

Apesar de evidência de sucesso, tribunal recusa-se a examinar as notas dos testes e relatórios psicológicos que provam a eficácia do ensino doméstico!

Ler mais...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Feliz Natal

a todos vós!

Este postal foi enviado pela minha mãe: eu e o meu filho há 15 anos atrás...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O Natal está quase a chegar

Amanhã já é a véspera!
Pelo menos a árvore já está enfeitada!

Já cá estamos em Bristol, desta vez para ficar. Lá nos conseguimos organisar... até já temos umas prendinhas em baixo da árvore.

Não são muitas. Tentamos não cair no consumismo e, em vez disso, seguir uma vida de simplicidade voluntária. Não vamos ao extremo de dizer não ao Natal, mas tentamos seguir o caminho do meio...

Desejamos um Natal muito feliz a todos vós.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Já só faltam 5 dias

para o meu casamento!

Tudo à última da hora mas já temos os anéis e um vestido tradicional tibetano, feito por tibetanos refugiados na India.

O primeiro postal que recebemos foi o de uma monja tibetana que lá vive - são cerca de 80.000 os tibetanos refugiados na India.

Existem várias associações sem fins lucrativos que visam ajudá-los. Em Portugal há o Projecto Siddharta, organisado pela Casa da Cultura do Tibete. Se puderem, ajudem!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Ensino doméstico e a síndrome de Asperger

Há uns tempos atrás introduzi este livro. Hoje deixo aqui uma tradução livre de um excerpto do testemunho de uma mãe que optou pelo ensino doméstico:

Porque o ensino doméstico é o melhor para o meu filho

Estou convencida que o ensino doméstico tem, para a maior parte das crianças, muitas vantagens, tanto em relação ao seu desenvolvimento acadêmico e social como ao seu bem estar emocional. As razões que me levam a ver o ensino doméstico como sendo especialmente útil para as crianças e os jovens com a síndrome de Asperger são na sua essência as mesmas mas, em específico, o ensino doméstico proporciona ao meu filho um ambiente positivo.

As pessoas com a síndrome de Asperger são muito susceptiveis à ansiedade e quanto mais ansiosos se sentem tanto mais autista seu comportamento será. Assim, a minha abordagem é proporcionar ao meu filho, tanto quanto possivel, uma vida sem stress, de modo a que ele se possa libertar mais facilmente das restrições que a síndrome de Asperger lhe poderia impôr.

Há quem argumente que protegê-lo do stress é algo artificial mas estou convencida que isto dá-lhe a oportunidade de desenvolver as suas competências sociais. Quando exposto a mais stress do que é capaz de tolerar ele torna-se tão inflexivel e obsessivo que não consegue aguentar a presença de outras crianças e, se forçado a fazê-lo, aliena-se delas e é simplesmente incapaz de participar.

Tudo que li sobre a síndrome de Asperger e todas as conferências e grupos de pais a que fui sugerem que a escola é provavelmente a situação que mais stress causa na vida destes jovens. Por isso estou convencida que ao excluir a escola da vida do meu filho estou de facto a dar-lhe a oportunidade de desenvolver uma boa rede de amizades e as suas competências sociais.

Parto do princípio que quando se tornar adulto não irá escolher um emprego ou estilo de vida em que terá de passar longos períodos de tempo na companhia de mais de 30 pessoas, por isso não acredito que a experiência da escola é em si necessária para prepará-lo para a vida adulta. Sei que os jovens com a síndrome de Asperger ficam normalmente aliviadíssimos quando chega a altura de deixar a escola mas que, por outro lado, isso pode ser um ajuste dificil para eles. Os seus professores e assistentes passaram 12 ou mais anos ajudando-os a desenvolver estratégias para lidar com a instituição escolar e, de repente, precisam de um conjunto de estratégias completamente diferentes para a vida adulta. Com o ensino doméstico a transição da mocidade à vida adulta pode ser feita muito mais gradualmente, pois os jovens que aprendem em casa habituam-se geralmente a tomar seu lugar no mundo muito mais cedo.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Citações - Rabindranath Tagore

"À força, a escola retira as crianças de um mundo repleto dos mistérios da obra de Deus... Ela não passa de um método disciplinar que se recusa a ter em consideração o indivíduo. É uma fábrica especialmente concebida para produzir resultados uniformes. Ao escavar o seu canal de educação, segue a linha recta de uma média imaginária. Mas a linha da vida não é recta, pois adora brincar ao balancé com a linha da média...

Pois de acordo com a escola a vida é perfeita quando permite que seja tratada como algo morto, a ser cortado em conveniências simétricas. E isto era causa do meu sofrimento quando me mandaram para a escola..."

"Não foi o director da escola quem me criou e, quando nasci neste mundo, o Departamento de Educação não foi consultado. Será que esse esquecimento do meu criador foi o motivo que os levou à vingança? A minha mente não teve outro remédio senão aceitar o invólucro apertado da escola que, como os sapatos das mulheres mandarinas, apertava e machucava o meu ser em todos os lados e a cada movimento. Tive a sorte de me libertar antes que a insensibilidade se tivesse enraizado em mim."
"Minha Escola", em Personalidade: Palestras dadas na América (London: MacMillan and Co., 1921), pp. 114-115

"Quando iniciei a minha vida de poeta, os escritores da nossa comunidade educada íam buscar inspiração à literatura inglesa. Suponho que a minha sorte foi a de nunca ter tido, na minha vida, aquilo a que chamam de educação, ou seja, o tipo de formação escolar e universitária considerada adequada para um rapaz de família respeitável. Embora não possa dizer que estivesse completamente livre da influência que naquela época dominava os jovens espíritos, o percurso da minha escrita foi no entanto salvo da prisão das formas imitativas. Creio que foi precisamente por ter tido a grande sorte de ter escapado a formação escolar, que teria estabelecido em mim padrões artificiais baseados na prescrição dos professores.

Na minha metrificação, vocabulário e ideias eu rendia-me à fantasia de caprichos não-escolarizados, o que me trouxe a punição dos críticos académicos e tumultuosas gargalhadas dos chistosos. A minha ignorância, combinada com a minha heresia, transformou-me num delinquente literário." "Autobiografia" em Conversas na China: Palestras dadas em Abril e Maio de 1924 (Calcutá: Visva-Bharati-Book Shop, 1925), p. 37

Rabindranath Tagore (1861 - 1941), foi o primeiro autor não-ocidental a ganhar o Prêmio Nobel da literatura.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Bullying e suicídio = bullycídio

As famílias que educam os filhos em casa fazem-no por uma variedade de razões. Um dos motivos é a consciência do problema crescente da violência escolar e dos danos causados pelo bullying.

“… 40% de crianças sofre com este problema…”

Se estiverem interessados em aprender mais sobre este tema, recomendo que leiam Bullycídio: morte na hora do recreio, por Neil Marr e Tim Field, um livro que expõe o número de suicídios juvenis devido ao bullying nas escolas.

"Os agressores atormentam as suas presas durante semanas, meses ou anos, até que a raiva acumulada no interior do alvo explode violentamente. A maior parte das vítimas dirigem a raiva para si próprias - e o resultado é a depressão, auto-mutilação ou o suicídio. Este acto heróico contrasta flagrantemente com a natureza cobarde e agressiva dos provocadores que, ao serem chamados a prestar contas, tudo negam, sendo muitas vezes capazes de manipular as percepções dos adultos responsáveis de tal modo que também estes começam a vitimizar o alvo."

Há, todos os anos, famílias que ao chegarem a casa encontram seus filhos mortos. Vêm depois a saber que a causa do suicídio foi o bullying, que já vinha acontecendo há meses, e que a escola, apesar de ter estado a par da situação, nada fez. Quando os pais começam a investigar o caso são imediatamente incriminados e vilificados, tal como os filhos foram.

O livro é a resposta a todos os gritos de desespero, ouvidos ou não, e pedidos de ajuda. Algo tem de ser feito. A desculpa do "não sabíamos" ou "nós não compreendemos" não é válida.

"Apesar dos repetidos apelos à acção, o Departamento da Educação continua com orelhas mocas e palavras ocas, recusando-se a manter estatísticas sobre o número de tais mortes. A causa de morte, para ser registrada como suicídio, tem de satisfazer o critério de "inequívocidade", mas como geralmente as circunstâncias não são suficientemente claras as mortes são dadas como acidentais."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Por onde andámos...

Fomos a um centro comercial chamado Cribbs Causeway.
Lá fora, um mercado de Natal e um ringue de patinagem no gelo.

Não gosto nada de ir às compras!
Tanta gente, tanta coisa, tanto ruído, tanta confusão!

Ultimamente tem anoitecido bem cedinho: 4 da tarde já é noite...

Mas o pôr do sol estava bem bonito!

Citações: Winston Churchill

"Como eu odiei a escola! Tantos dias cheios de ansiedade eu lá vivi! Nas aulas fiz muito pouco progresso e no desporto não fiz progresso nenhum.

Contava os dias e as horas até ao fim de cada período, até a altura de sair desta odiosa servidão!

Regressava a casa e, no chão do meu quarto, punha os meus soldadinhos alinhados para a batalha. Nesses tempos o maior prazer que tinha era ler. Aos nove anos o meu pai deu-me A Ilha do Tesouro, e lembro-me da felicidade que senti ao devorar o livro.

Os meus professores viam-me simultaneamente como atrasado e precoce, lendo livros muito além da minha idade mas, no entanto, o pior da classe. Ficavam ofendidos. Tinham à sua disposição inúmeros métodos de coerção, mas eu era teimoso. Quando o meu interesse, a minha imaginação ou intelecto não eram engajados, eu não aprendia, não conseguia aprender. Nos doze anos que frequentei a escola, nunca ninguém me conseguiu fazer escrever um versículo em latim ou, nas aulas de grego, aprender mais do que o alfabeto." - Minha Mocidade (1930)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Desescolarizar os pais: Aprender a confiar

"É natural que os pais sintam uma certa tensão e incerteza ao contemplarem, para os seus filhos, um rumo diferente daquele que seguiram.

Nós, que decidimos seguir a abordagem da não-escola (unschooling), mesmo quando convencidos que essa é a melhor opção para os nossos filhos, temos de desaprender uma série de pressupostos sem fundamento sobre a aprendizagem, pressupostos que fomos, durante tantos anos, condicionados a acreditar. Se conseguirmos fazer isto conseguiremos redescobrir o amor, inato e natural, pela aprendizagem.

A maior parte de nós aprendeu, na escola, a ver uma falsa dicotomia entre "aprendizagem" e "diversão". Aprendemos que se é "educacional" não pode ser divertido, e se é divertido não pode ser aprendizagem! As crianças não-escolarizadas desde o início, como o meu filho Jason, apreciam a vida sem tais preconceitos e vêem a aprendizagem como uma experiência maravilhosa e gratificante.

Em contraste, as escolas funcionam à base de um pressuposto muito diferente, de que a aprendizagem pode ser imposta, de fora para dentro da criança, através de vários tipos de coação, manipulação e de recompensas e castigos, e que há várias etapas que todas as crianças "têm de" alcançar a certa idade ou nunca lá irão chegar (devemos perguntar: chegar aonde e porquê?). Estes pressupostos são falsos, mas podemos sentir dificuldade em abandoná-los, pois foram tão arraigados na nossa própria infância.

Enquanto o meu filho sempre compreendeu naturalmente o verdadeiro espírito da aprendizagem, eu tive de desaprender muitos desses pressupostos. Nesse sentido, Jason foi o meu mentor, lembrando-me continuamente que a aprendizagem não se limita a um currículo específico, a um certo edifício, horário ou à presença de um "professor". Jason aprendeu sozinho aquilo que agora usa no seu trabalho como webmaster e revisor do nosso Projecto Criança Natural.

De certa forma, somos a geração com a tarefa mais difícil, porque estamos literalmente forjando novos caminhos e obtendo novos entendimentos. A não-escolarização (unschooling) vai ser muito mais fácil quando as crianças que não foram escolarizadas optarem por esta via para os seus filhos. Para elas, a não-escolarização (unschooling) vai ser a norma, e não terão necessidade de desaprender tantas crenças bem-intencionadas mas prejudiciais. Irão ter uma compreensão muito mais simples e verdadeira: que todas as crianças têm o seu próprio ritmo natural de crescimento e, como jardineiros de flores, os pais apenas precisam de confiar no processo de desenvolvimento dos seus filhos.

Tal como confiamos que a rosa vai florescer na altura própria, devemos confiar que os nossos filhos irão florescer na altura adequada para eles e da sua própria maneira. Há tanto tempo para crescer! Se aprenderem a ler aos três, seis ou aos doze anos, que diferença isso faz a longo prazo? A única diferença que poderá fazer é positiva: a criança que confiamos que vai aprender a ler quando estiver pronta tem a melhor chance de gozar o prazer de uma vida inteira de leitura. Mas como nós andámos anos e anos nas escolas, pode ser que para nós isso seja difícil de entender. É natural que os pais que não escolarizam os filhos se sintam, em certas alturas, intimidados e inseguros. Não-escolarizar (unschooling) é um salto de fé para os pais que passaram a sua infância na escola.

Jason é agora um jovem adulto. Quando olho para trás, vejo que tive, ao longo dos anos, o privilégio de partilhar uma aprendizagem alegre e entusiasmada. Foi uma experiência feliz. Não poderia ter sido mais diferente do que as seis horas de labuta que tinha imaginado! Jason gosta de aprender uma série de coisas e vê a aprendizagem como parte integral e interessante da vida, não como uma actividade separada, confinada a locais, dias ou horários específicos. Nesse sentido, ele ainda é não-escolarizado e continuará a ser. Para Jason, este caminho foi muito mais do que uma simples alternativa à formalidade da escola - preparou-o para viver uma vida cheia de curiosidade e admiração.

Como John Holt uma vez escreveu, "viver é aprender". Esta afirmação surge numa colecção de cartas que Holt chamou "uma vida digna de ser vivida". Da experiência que tive, penso que unschooling é um salto que vale a pena dar e que pode conduzir a uma vida digna de ser vivida. Mas esse salto não precisa ser dado isoladamente. Amigos que seguem o mesmo rumo, grupos de apoio, livros, artigos e sites podem ser muito esclarecedores. Mas, acima de tudo, podemos deixar que os nossos filhos nos ensinem a alegria e naturalidade da aprendizagem. Para aprendermos sobre a não-escola (unschooling), os nossos filhos são a melhor fonte de estímulo, inspiração, e de resseguro que poderíamos encontrar."

Podem ler o original de Jan Hunt, em inglês, aqui. Este artigo foi traduzido e publicado com permissão da autora. Alguns artigos foram traduzidos para português do Brasil por Helena Bolzan Batista; encontram-se aqui.

Passeando e aprendendo

O dia estava nublado e cinzento; o ar, fresco e revitalizante...

Passámos pelo SS Great Britain, e aprendemos que "foi o 1º navio transatlântico a ter um casco e uma hélice propulsora de ferro."

Aprendemos que Isambard Kingdom Brunel (já tinhamos falado dele aqui) construiu o navio pensando em 120 passageiros de 1ª classe, 132 passageiros de segunda classe e 120 oficiais da tripulação mas um convés extra foi construido e a capacidade aumentou para 730 passageiros.

A viagem inaugural para Nova Iorque, em 1845, levou 14 dias.

Hoje é um museu e uma das principais atrações em Bristol.
Pode ser alugado para casamentos, conferências e coisas assim.

O site oficial encontra-se aqui.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Aprender japonês em casa

Passeando e aprendendo

Aprender é algo que acontece naturalmente. Ontem, por exemplo, quando fomos passear no Harbourside, vimos este navio,
junto ao qual estava esta estátua.

Curiosos, aprendemos que a estátua é uma homenagem a Giovanni Caboto (c.1450 - c.1498). Conhecido na Inglaterra como John Cabot, foi um navegador e explorador italiano, o primeiro europeu a descobrir a América do Norte, em 1497. A posição oficial é que ele descobriu a ilha da Terra Nova.

Como outros exploradores italianos, foi contratado por outro país. Provavelmente, foi ao tomar conhecimento da descoberta das "Índias" por Cristóvão Colombo que resolveu encontrar, ele próprio, uma rota para oeste. Tinha um plano simples: começar na latitude norte, onde as longitudes estão muito mais próximas, o que tornaria a viagem muito mais curta.

Cabot procurou e conseguiu financiamento da Inglaterra e, assim, as suas explorações foram feitas sob a bandeira inglesa. Autorização foi dada pelo rei Henrique VII e Cabot veio para Bristol fazer os preparativos para a viagem.

Bristol era o 2º principal porto marítimo da Inglaterra e várias expedições já tinham sido enviadas em busca de Hy-Brasil, uma ilha que, segundo lendas célticas, estava algures no Oceano Atlântico. Em 1496, com um navio, Cabot partiu de Bristol, mas chegou à Islândia e foi forçado a regressar devido a disputas com a tripulação.

Na 2ª viagem Cabot usou um navio com 18 tripulantes, o Mateus, pequeno mas rápido e capaz. O que vêem nas fotos é uma réplica.

Em Maio de 1497 partiu rumo à Irlanda e desembarcou na costa da Terra Nova em Junho. O local preciso é tema de controvérsia. Podem ter sido os primeiros europeus no continente norte-americano desde os Vikings. De regresso à Inglaterra Cabot foi feito almirante, recompensado com £10 e um contracto para mais uma viagem.

No ano seguinte, em 1498, partiu uma vez mais, desta vez com 5 navios. Nunca mais se soube de Cabot nem da sua expedição. Pensa-se que morreram no mar. Uma teoria é que foram atacados por Brian Otte, capitão da Armada Naval espanhola, sob ordens da rainha. - fonte

Por onde andámos...

Ontem passámos por uma rua cheia de painéis com graffiti.

Depois descobrimos que está a ser construido em Bristol um museu cujo objectivo é contar a história da cidade através das muitas vozes e experiências do povo.

Para criarem um museu que agrade a todos estão a envolver os residentes no seu desenvolvimento. A arte que vimos nos painéis foi criada por um grupo de jovens; o tema era a visão da cidade ideal.

Os jovens trabalharam com pessoal do museu.

O objectivo era envolvê-los, dando-lhes a oportunidade de aprender novas habilidades artísticas e desenvolver os talentos que já possuiam.

E assim aprendemos sobre iniciativas locais, projectos de arte comunitária, graffiti e arte urbana!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Ensino doméstico e socialização

No ensino doméstico, especialmente para quem segue a abordagem da aprendizagem autónoma ou do unschooling, o mundo é a verdadeira sala de aulas.

As crianças não precisam de ir à escola para aprenderem sobre a sociedade em que vivem. O objectivo da socialização não é tanto a prevenção do isolamento social das crianças mas mais o ensino da obediência, do conformismo e da submissão ao status quo. A pressão é constante e os lembretes são muitos. Aqui estão alguns dos que vimos hoje quando saímos à rua:

Proibido alimentar os pombos e as gaivotas - Multa: €2785.60

Estacionamento proibido - Multa entre €112 e €225

Proibido andar de bicicleta, de patins ou usar skates.

Proibido passear os cães sem trela - Multa: €222
Proibido deixar o cóco de cão na rua - Multa: €1114


Estamos observando você...

"O termo socialização é usado pelos sociólogos, psicólogos e pedagogos para se referirem ao processo de assimilação da cultura em que vivemos e de se aprender a viver nela. Para a sociedade, a introdução de todos os seus membros às suas normas, atitudes, valores, motivações, papéis sociais, linguagem e símbolos é "o meio pelos quais a continuidade social e cultural é atingida". (fonte)

"Estar-se bem ajustado a uma sociedade profundamente doentia não é sinal de saúde." - Krishnamurti