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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

As crianças educadas em casa são mais vulneráveis?

Anda um grande reboliço na comunidade de educadores domésticos.

Começou, há uns dias atrás, o que já vi descrito como uma verdadeira campanha de demonização do ensino doméstico, com o governo insinuando que as famílias que optam por esta via podem estar a fazê-lo com o objectivo de camuflar várias formas de violência doméstica contra os próprios filhos. Exemplos dados incluem trabalho forçado, casamentos forçados, negligência e abuso sexual.

Baronesa Morgan, a ministra das crianças, usou este pretexto para lançar uma revisão do ensino doméstico no Reino Unido. Segue-se a tradução de um artigo, por Neil Tweedie, em que uma mãe fala em defesa do ensino doméstico.

Shara Ouston em casa com a filha Anna
(Foto: Solent News & Photo Agency)


"A opinião de Shara Ouston é clara: as crianças que frequentam a escola são mais propensas a sofrer abusos e negligência do que as educadas em casa. A Sra Ouston educou os 6 filhos, dois deles adoptivos, em casa. Tudo começou quando ela e o marido decidiram retirar Jack, o filho mais velho, da escola depois de lá ter andado três meses.

"Jack tinha necessidades especiais e estava sendo vítima de bullying na escola", disse ela. "Se o tivessemos lá deixado ele teria ficado completamente arrasado. O principal motivo que nos levou a optar pelo ensino doméstico foi o ambiente social nas escolas modernas. Não queríamos os nossos filhos submetidos à pressão dos colegas e dos professores. Nós não acreditamos que o sistema escolar produz jovens equilibrados e felizes."

A Sra Ouston diz-nos isto após a ministra das crianças ter decidido ordenar, esta semana, uma revisão do modo como as 55.000 crianças educadas em casa são tratadas. Porém, o debate tem girado à volta dos comentários da baronesa: que os pais podem estar usando o ensino doméstico para encobrir negligência, abuso ou casamentos forçados.

A Sra Ouston disse que a sua abordagem proporcionou aos filhos muitos benefícios. Jack, que agora tem 18 anos, estuda Arte e Design num colégio perto de casa. A irmã, Holly, de 16 anos, irá brevemente começar a frequentar o Colégio Agrícola. Toby, 14, e Anna, 11, continuam a aprender em casa juntamente com as 2 irmãs adoptivas.

A família Ouston acredita que a educação deve ser flexível; a sua abordagem permite que os filhos desenvolvam os seus interesses e recebam ao mesmo tempo uma instrução adequada na escrita e matemática. Diz que transmitiu o amor pela leitura aos filhos lendo-lhes muitas estórias e tendo muitos livros espalhados pela casa. Nem a Sra Ouston nem o marido possuem licenciaturas em pedagogia. Mas têm a sua própria abordagem à aprendizagem, que inclui "tempo na secretária", onde os mais novos aprendem as coisas básicas. Mas a aprendizagem é feita principalmente através de discussões informais e de projectos que frequentemente envolvem a internet.

"Eu não os ensino - não sou professora", diz a Sra. Ouston. "Eu converso com os meus filhos. Conversamos sobre coisas que vemos na internet e em livros e eles aprendem através da conversa."

"Nós achamos que as crianças não devem passar horas sentadas em secretárias aprendendo a escrever as letras. Se querem fazer isso, então óptimo - mas não devem ser forçadas a fazê-lo."

A educação do Jack e da Holly incluiu cursos à distância da Universidade Aberta. Nesta época obcecada por qualificações, a falta de certificados iria desconcertar alguns pais – a nível do secundário Jack só fez Inglês e Holly fez apenas Inglês e Matemática -, mas a mãe deles diz que não sofreram como resultado. "Faculdades e empregadores estão muito interessados nos jovens que seguiram o ensino doméstico porque tendem a ser mais auto-motivados e maduros", diz ela. "Tendem a fazer boas entrevistas."

Mas não sente que está privando os filhos das experiências sociais que a escola proporciona? "Jack tem muitos amigos - vai a festas e esse tipo de coisas. Holly não gosta da ideia da violência escolar nem da falta de respeito que a maioria da juventude de hoje tem pelos pais."

Um inspector da Direcção Regional de Educação visita a família uma ou duas vezes por ano, mas a segunda entrevista é muitas vezes feita ao telefone.

E o que é que ela acha da sugestão da Baronesa Morgan de que as crianças educadas em casa são muito mais vulneráveis a abusos?

"Acho isso um disparate. Coisas acontecem atrás de portas fechadas quer as crianças frequentem a escola ou não. As escolas agora são enormes e as crianças são muitas vezes reduzidas ao status de um número. Ouvi falar que descobriram, três meses depois de ter sido retirada da escola, que uma rapariga era vítima de abuso - mas quando estava na escola ninguém reparou nisso."

“Os políticos, professores e pais que acreditam que a escolarização em massa é o único modelo aceitável estão esquecendo o fundamental,” diz ela. "Estão esquecendo as crianças. Falam e falam sobre normas, mas esquecem-se das necessidades das crianças. No ensino doméstico a família toda aprende - é uma coisa de família. Os pais que optam pelo ensino doméstico colocam os filhos no centro do seu universo."

2 comentários:

Luisa_B disse...

Amiga,
tem um prémio no meu blog para ti...mereces para mim és muito especial
jinhos

Tibetan Star disse...

Olá Luisa,
Obrigada pelo prémio!
Muitos beijinhos para vocês
Paula