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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ele não devia estar aqui!


é o título de um artigo escrito por Kevin Foley, autor de Asperger Solution.

Aqui fica um excerpto da introdução:

Sabemos que o icebergue está ali - mas continuamos seguindo em frente, a pleno vapor!

Existe uma alta incidência de depressão entre os jovens com a Síndrome de Asperger.

A ansiedade crónica pode levar à depressão.

Para a maioria dos adolescentes com a Síndrome de Asperger, a escola secundária é causa de ansiedade crônica.


Não faz sentido ignorar a ligação entre os níveis de ansiedade e depressão experienciados pelos jovens autistas nas escolas secundárias. No entanto, ignorar é o que fazemos.

Escrevo como alguém que passou 25 anos preparando jovens para a universidade e os últimos 4 educando o meu filho em casa. Quando ele chegou à "beira do abismo", 2 anos depois de ter entrado para a escola secundária, não tive outra alternativa senão optar pelo ensino doméstico.

O ensino doméstico tem sido muito bom para o Sean, que recentemente obteve um diploma em história com notas muito boas. Mais importante do que o resultado foi o processo - ele próprio organisou o seu programa de revisão e aderiu a ele, demonstrando grandes melhoras na sua capacidade executiva.

O seu interesse por história transformou-se numa paixão pela genealogia; ele agora tem um site na internet e uma lojinha no mercado de produtos de cultivo orgânico aqui da zona.

Se tivéssemos aderido a uma via mais convencional, este seu projecto, que tanto beneficiou a sua auto-estima, nunca se teria concretizado; estou convencido que teria sucumbido à depressão e muito possivelmente arruinado o seu futuro."

Tradução livre, publicada com permissão do autor.

3 comentários:

Tibetan Star disse...

Não resisto adicionar este trecho:

"De acordo com acadêmicos como Tony Attwood, o prognóstico para as pessoas com a Síndrome de Asperger é relativamente bom a partir dos 20 e tal anos, desde que evitem problemas de saúde mental.

Por conseguinte, as vantagens de se evitar problemas emocionais são enormes. Vidas podem ser literalmente salvas e perdidas, dependendo da forma como lidamos com os jovens autistas de alto funcionamento durante a sua adolescência.

As escolas secundárias foram criadas para a produção de trabalhadores eficientes. Elas não foram criadas a fim de contribuirem para o bem estar emocional e mental dos jovens - muito menos daqueles com a Síndrome de Asperger.

No entanto, precisamente no momento em que entram no turbilhão da adolescência, tiram-lhes do paraíso relativo da escola primária e submetem-lhes a um ambiente muitíssimo menos holístico e mais exigente, um ambiente que vai testar as suas capacidades executivas, sociais, sensoriais, ainda imaturas, até aos limites.

A mania da "inclusão" exige que as crianças com a Síndrome de Asperger frequentem as escolas; mas, uma vez lá, as suas vulnerabilidades são frequentemente subestimadas - essa é uma das desvantagens das deficiências ocultas.

A culpa não é dos professores, pois eles apenas se concentram na função básica da escola e têm de lidar diariamente com 150 crianças. O problema está no sistema, na instituição."

Caracoleta disse...

"As suas vulnerabilidades são frequentemente subestimadas. Essa é umas desvantagens das deficiências ocultas"
É bem verdade.
E eu acrescentaria que também as suas potencialidades são incompreendidas e descuradas.
As fragilidades dos Aspies convivem com a extraordinária beleza e riqueza dos seus processos mentais e visão do mundo, assim esse mundo os saiba acolher. Desejavelmente o mais cedo possível, para que de facto, o prognóstico a partir dos 20 e tal anos, seja realmente bom :)
Um abraço!

Luisa_B disse...

Totalmente de acordo.
A escola e sem culpa por parte da maioria dos professores, não se torna inclusiva s+o por os albergar ali e depois é cada um que se desenrasque.

A instituição escola não deve servir o propósito de uns serem o saco de malhar dos outros seja física ou verbal e ainda moralmente.

Quando tal acontece e os pais pedem o ensino doméstico pois será mais benéfico ensinarem eles em casa mesmo tendo de ser os progenitores os seus Prof. vale mais do que levar os filhos na escola a desenvolverem doenças do foro mental e psiquiátrico.

As escolas no aspecto que estão a fazer em Portugal a incluir as crianças de necessidades especiais vai ser um fiasco pois entregam as mesmas, a pessoas auxiliares que não tiveram formação em NE e os Prof. queixam-se disso mesmo de nunca terem obtido essa formação para serem capazes de lidar com estas crianças. Então será na tentativa e erro que irão tentar estas inclusões. Os erros quem os sofre? A criança, e os seus pais no seu futuro, daquilo que ali se tornaram.
Beijinhos e obrigada.