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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ensino doméstico nas notícias


Quando deixar a escola e aprender casa é o melhor para os nossos filhos - este é o título de um artigo escrito por Sally Jones para o Worcester News.

O artigo apareceu no jornal há 3 dias. Aqui fica mais uma tradução livre:

"A decisão de remover os nossos filhos do sistema escolar e ensiná-los em casa é difícil de fazer. Mas para algumas crianças os benefícios são enormes.

Já faz mais de três anos que Edward Kimberley não vai à escola mas agora, com 13 anos de idade, pode vangloriar-se das boas notas que obteve em duas disciplinas que estudou ao nível do 11º ano - e espera obter bons resultados no exame de literatura inglesa no final deste mês.

Edward também tem um diploma em literacia adulta e outro em computadores que equivale a uma disciplina do 11º ano. Além disso, está neste momento a estudar ao nível do 12º ano – geralmente frequentado por jovens de 17 anos de idade.

Mas o que espanta ainda mais é que Edward, apesar da sua incrível inteligência, sofre da síndrome de fadiga crônica e da síndrome de Asperger, uma forma de autismo.

Sua mãe Sheila disse: "Há dias em que Edward está simplesmente cansado demais para fazer qualquer trabalho, mas nós aceitamos isso como algo normal. Temos um padrão de trabalho que funciona para nós. A prova está nos resultados incríveis que Edward está alcançando."

A Sra. Kimberley e o seu marido Christopher tomaram a decisão de remover Edward da escola quando ele tinha 10 anos. Ela disse: "Desde a creche que Edward nunca encaixou. Andava sempre triste o pavor de ir para a escola era constante. Com 10 anos foi diagnosticado com a síndrome de fadiga crônica, que, juntamente com o autismo, fez com que tivesse grandes dificuldades de lidar com o ambiente escolar e a quantidade enorme de pessoas. Então, um dia, no final do ano 5, virou-se para mim e disse: “Viver não vale a pena”. Nesse momento soube que tínhamos de fazer alguma coisa."

Edward estava sendo vítima de bullying na escola. Ele disse: "Eu tinha um medo terrivel dos bullies. Por isso não gostava de estar na escola e não estava alcançando os resultados que podia obter." A Sra. Kimberley pesquisou minuciosamente o ensino doméstico antes de decidir que era a melhor opção para Edward. "Entrei em contacto com o grupo de apoio ao ensino doméstico e desde esse dia nunca mais olhámos para trás", disse ela.

A Sra Kimberley disse que Edward está estudando história, inglês e economia ao nível do 12º ano. "Nós não sentimos necessidade de fazer todas as disciplinas do 11º ano antes das do 12º ano", disse ela. "Como ele é capaz de estudar a esse nível resolvemos seguir em frente. Em vez de fazer dez exames aos 16 anos e três aos 18 andamos a fazer um ou dois de cada vez." O Sr. e Sra. Kimberley têm de pagar os exames que Edward faz, que custam cerca de £300 cada um.

Edward segue um horário semanal, com alemão, francês, piano e violoncelo, e tenta acabar certos trabalhos de outras disciplinas durante a semana. "Se me disserem para fazer alguma coisa, acho isso muito difícil", disse Edward. "Mas, se sei que tenho tarefas a fazer durante a semana, consigo lidar com isso e fico satisfeito comigo próprio quando acabo esses trabalhos depressa e tenho tempo de sobra para relaxar".

A Sra Kimberley disse: "O que funciona para nós pode não funcionar para todos. Mas descobrimos que este método funciona melhor para Edward".

Além de ter grandes capacidades a nível acadêmico, Edward também tem talento para a música. Recentemente passou com distinção o exame de canto e está actualmente a preparar-se para fazer exames de violoncelo, piano e teoria musical.

"Edward tocou em frente de Margaret Thatcher e Julian Lloyd-Webber", dissa a Sra Kimberley. "Edward podia ter-se especializado muito cedo em música, inglês ou história, mas queríamos que ele tivesse, como base, uma educação ampla. Levamos a sua educação a sério, pois sabemos que Edward tem um potencial enorme."

Edward quer ir para a universidade de Oxford e ser músico ou escritor. "Adoro escrever. Gosto de temas onde se pode formar uma opinião e debater."

2 comentários:

Luisa_B disse...

Minha querida amiga
Fiz copy do post e coloquei no meu com o link para aqui teu blog porque há muitas pessoas que não se mexem de um blog ao outro e a informação é preciosa precisa ser passada.
Quando li a noticia pensei tanto no meu filho que podia estar exactamente nesse nível ou até acima porque ele andava sempre muito mais adiantado em muitas matérias em relação aos outros porque era eu que lhe ensinava e ele pedia mais e mais e eu dava, matando a sua sede de sabedoria.
Ao negarem este ensino ao Bruno foi o caminho imediato para o seu insucesso e doença psicológica que acabou por lhe tirar a sede que tinha do conhecimento.
Hoje ele tem raiva dos livros que sempre adorou, tem fobia a aprender algo que tenha de ler ou estudar. Culpa minha?
Antes de isto acontecer eu avisei que ele estava a ir nesta direcção e o ensino domestico seria a solução até que ele melhorasse e como ele na escola nem conseguia ouvir os professores devido à perturbação constante em todas as aulas por parte de todos os colegas da turma excepto uma amiguinha, que fazia ele lá?
A cada fim de tempo de aula eu perguntava-lhe de que tinham estado a falar, que matéria deram, etc. Ele simplesmente nem se lembrava ou nem sabia.
Quando leio estes exemplos sei perfeitamente que cortaram as bases que o meu filho podia ter levado, mas…
Querida amiga agradeço esta sua permanente pesquisa nestas matérias tão importantes para os nossos filhos e a partilhar com quem queira saber mais…obrigada do coração.
Beijinhos para ti e todos no teu Lar tão cheio de simpatia.

Tibetan Star disse...

Essa aversão à aprendizagem causada pelo sistema de ensino obrigatório acontece a muitos jovens.

Quando começam o ensino doméstico precisam de um tempo de recuperação, regra geral pelo menos um mês para cada ano que andaram na escola.

O essencial nessa altura é a não-coersão. Deixá-los descansar e recuperar à vontade, sem pressão.

Depois, devagarinho, começam a des-escolarizar a mente, ou seja, livres para seguir os seus interesses, começam a redescobrir a sua curiosidade natural, essa sede do conhecimento.

Os pais também têm de des-escolarizar a mente e compreender a diferença entre escola, certificação e aprendizagem.