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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Flexibilidade na aprendizagem

Aqui no Reino Unido há casos de famílias que conseguem convencer as escolas e direcções regionais de educação a concordarem que os seus filhos frequentem a escola a meio-tempo. Na prática, isso significa que praticam o ensino doméstico em part-time, embora não o façam oficialmente. Os casos não são numerosos mas existem.

Hoje deixo-vos o testemunho de Mike Stanton, autor de "Aprendendo a viver com autismo de alto funcionamento"

"O meu filho Mateus tem a síndrome de Asperger. Oficialmente não está no ensino doméstico mas falarei sobre isso mais daqui a pouco.

A quantidade cada vez maior de pais com filhos com a síndrome de Asperger que se sentem forçados a educá-los em casa é impressionante.

Uso a palavra "forçados" porque acho que para muitos pais o ensino doméstico não é uma verdadeira escolha. Uma coisa é não estarmos satisfeitos com o sistema escolar e decidirmos que podemos fazer melhor. Outra, bem diferente, é as escolas e direcções regionais de educação serem tão insensíveis às necessidades dos nossos filhos que se tornam uma ameaça à sua saúde mental.

Como professor numa escola para alunos com necessidades educativas especiais, eu achava que o sistema podia satisfazer as necessidades do meu filho e que devia ser obrigado a fazê-lo. Agora já não acredito que tenha essa capacidade...

A verdade é que muitas vezes o ensino doméstico é a única opção para os jovens com a síndrome de Asperger. Mais injusto ainda é o facto de que isso liberta as direcções regionais de educação (DRE) da sua responsibilidade de financiar a educação dos nossos filhos. Essa é uma das razões porque nunca optámos pelo ensino doméstico. Em vez disso, lutámos para fazer com que a DRE reconhecesse que a síndrome de asperger tinha uma influência directa nas suas necessidades educativas.

Mesmo depois dessa vitória, o meu filho atravessou um período terrivel em que não conseguia encarar a escola mas o seu desejo de pertencer era tal que achava que devia lá andar. Agora estamos na fase em que a DRE e a escola aceitam que ele só aguenta a escola em part-time, para aprender umas quantas disciplinas. O resto do tempo ele aprende em casa sozinho, lendo livros e revistas científicas, devorando jornais, vendo documentários na televisão e navegando na internet.

Assim, não estamos oficialmente a educá-lo em casa mas também não estamos participando completamente no sistema. Eu chamo a isto escolarização flexivel, ou flexi-school, mas há quem pense que negociar com a DRE é negociar com o diabo."

Traduzido daqui.

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