Mais um testemunho de uma mãe que optou pelo ensino doméstico para o seu filho aspie, traduzido livremente daqui:
"O nosso filho tem seis anos; é um menino lindo, inteligente, articulado e engraçado. Mas também tem complexas dificuldades de aprendizagem, problemas de coordenação e equilíbrio, e características da Síndrome de Aspergers.
Optámos pelo ensino doméstico porque para ele não havia sítio pior do que a escola. Aos cinco anos, depois de ser arrastado para a escola aos gritos e pontapés durante um ano, estava completamente arrasado e infeliz, e a ansiedade que sentia estava afectando o seu comportamento em casa de uma maneira horrivel. Escondia-se da família, puxava a pele dos dedos, tornou-se muito pálido – era uma dor vê-lo assim.
Fomos a muitos especialistas e chegámos a tentar outra escola, mas ele estava num estado terrível. Ver que não acompanhava os colegas na leitura e escrita destruiu-lhe a auto-confiança. O facto de que era bom em matemática não contava porque não conseguia escrever as respostas. O facto de que era excelente na construção de modelos e que sabia tudo sobre o sistema imunitário do corpo também não era considerado importante.
Além disso, não conseguia suportar o ruído, nem o regime, nem as outras crianças, especialmente no recreio. Devido às dificuldades de interacção, aprendizagem, equilíbrio e coordenação motora, era impossível aprender numa sala de aula, mesmo que o grupo fosse pequeno. Todos diziam que ele precisava de apoio individualizado e a escola só lhe proporcionava 20 minutos por semana. Lutámos para obter um plano educativo especial, pensando que isso poderia ajudar, mas assim que conseguimos apercebemo-nos de que a escola nunca poderia proporcionar a mesma qualidade de ensino individualizado do que nós em casa.
Semanas depois de termos descoberto que o ensino doméstico era legal apercebemo-nos que, na verdade, era a única opção - sabíamos que em casa ele seria muito mais feliz, teria a oportunidade de recuperar a auto-estima e de fazer algum progresso. Assim que tomámos a decisão um peso enorme caiu dos nossos ombros. Temos também uma filha com quase quatro e a diferença é óbvia - ela quer aprender a ler e escrever, adora brincar com grupos de crianças e já está ansiosa para ir para a escola.
Geralmente sentimo-nos seguros do que estamos a fazer, mas de vez em quando temos momentos de pânico, pensando na grande responsabilidade que assumimos ao optar por este regime e que se calhar o nosso filho não está aprendendo o suficiente, mas quando acalmamos e tornamos a examinar a situação apercebemo-nos que o ensino doméstico continua a ser, pelo menos por enquanto, a melhor opção para ele.
As dificuldades de aprendizagem que ele tem são muito complexas e o tempo que passou na escola destruiu-lhe a vontade de aprender. Isso significa que as coisas não são como tinhamos imaginado. Ele não aceita sugestões, tem problemas de concentração e parece ser incapaz de aprender tópicos que não sejam do seu interesse – temos que trabalhar com isto e aproveitar todas as oportunidades de aprendizagem.
De momento brincamos muito e tentamos ajudá-lo a aprender usando os seus interesses. E a verdade é que está a aprender muitas coisas - sobre o mundo, ciências, negócios, dinheiro, alimentação, natureza e história. Também está a aprender a seguir instruções e a usar computadores. Lembrem-se que ele só tem seis anos de idade - por isso brincamos muito e, para encorajar novos interesses, passeamos, vamos ao parque, visitamos castelos, bosques, museus e assim por diante.
Para incentivá-lo a passar tempo com outras pessoas ele tem várias sessões, embora de curta duração, com dois professores. Fazem actividades pré-leitura/pré-escrita de uma forma divertida, usando arte, artesanato e jogos. Uma adolescente que também aprende em casa vem cá duas vezes por semana "brincar" com ele. A irmã também brinca com ele às vezes.
Tentamos ir às actividades organisadas pelo grupo do ensino doméstico aqui da zona mas o meu filho não está muito interessado. Ele brinca com uns quantos amigos da escola em que andava e brinca também com as crianças que encontramos no parque e na piscina.
Está muito mais feliz e sereno, e a recuperar a curiosidade e vontade de aprender. A nossa vida de família também está muito mais calma e estamos apreciando a vida outra vez! As necessidades educativas especiais que ele tem fazem com que o seu comportamento seja difícil de entender. Uma das melhores coisas do ensino doméstico é que o tempo que passamos com os nossos filhos ajuda-nos a compreendê-los muito melhor.
Esperamos que um dia ele volte para a escola, talvez na altura do secundário, mas por enquanto estamos muito desapontados com as escolas. Elas não têm a capacidade de lidar com as crianças Aspergers como deve ser. Graças a Deus que por enquanto podemos educar em casa!"
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3 comentários:
Graças a Deus e ao País que não tendo essas escolas preparadas para eles pelo menos não lhes negam o ensino domestico.
Adorei ler mais uma vez Paula tudo que seleccionas para nós. Obrigada!
Concordo, já que não podem ajudar, pelo menos não prejudiquem!
O meu filho sofre constantemente essas situações no dia a dia.Além de passar por essas dificuldades sofre o preconceito por parte da comunidade onde vive.As escolas foram feitas para crianças robôs que precisam se comportar de acordo com pré-conceitos da educação mal elaborada e ultrapassada.O que acho pior é termos que sujeitar os nossos filhos a irem para escola que pela lei nos obriga a colocá-los na mesma.Fico bastante feliz em saber que blogs como esse não nos deixam desanimar e mostra a luz no fim do túnel.Parabéns,e que o criador continue iluminando esse excelente trabalho.A paz!
Denis
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