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quinta-feira, 26 de março de 2009

Aprendizagem dialógica no ensino doméstico

Lá fora, no quintalinho, os primeiros sinais da Primavera, mas o filhote não está nem nessa! Ah, os adolescentes... com as suas questões existenciais e o despertar da inteligência espiritual nem se dão conta do desabrochar das flores! Que paradoxo, né?

Apesar de ter andado em escolas primárias cristãs, umas associadas à igreja anglicana outras à católica (estranho como aqui no Reino Unido as escolas primárias e secundárias estão sempre associadas à igreja), e apesar do meu interesse pela filosofia budista, nunca se identificou nem com o cristianismo nem com o budismo.

De vez em quando inicia conversas estimulantes e engraçadas sobre o fenómeno religioso. E eu, é claro, estou sempre numa de conversar, especialmente com um cházinho de especiarias!


Desta vez, desceu as escadas correndo e começou a falar sobre o criacionismo... Não compreende as pessoas que interpretam a Bíblia literalmente, acreditando, por exemplo, que a Terra foi criada em seis dias. E em relação ao diálogo entre os neocriacionistas cristãos e os evolucionistas, diz que o criacionismo não pode ser considerado ciência e explica por quê. Mas a conversa não ficou por aí; os tópicos foram mudando e, depois das várias concepções de Deus, depressa passámos ao ateísmo e aos argumentos de Epicuro:

“Deus quer impedir o mal mas não pode? Então não é omnipotente.

Deus pode mas não quer?
Então é malévolo.

Deus pode e quer?
Então de onde vem o mal?

Ou será que nem quer nem pode?
Então porque chamá-lo Deus?”

No ensino doméstico, especialmente na abordagem da aprendizagem autónoma, ou unschooling, o diálogo intencional é essencial - aqui chamam-lhe purposive conversation.

Os filhos, sejam eles crianças ou jovens, são levados a sério. E nesse diálogo, horizontal e entre iguais, o que importa é questionar, perguntar, partilhar ideias, reflectir, investigar, pesquisar, imaginar... tudo menos menos regurgitar "respostas certas", previamente memorizadas, a fim de obter uma recompensa, seja ela a aceitação condicional de que falava Carl Rogers, um futuro emprego ou seja lá o que for.

Esse diálogo surge naturalmente da busca de sentido e da vontade inata de saber quem somos e de compreender o mundo em que vivemos... Não precisa ser iniciado por outras pessoas, direccionado por um curriculo pré-determinado ou forçado por pais-educadores. Precisa apenas, ao surgir espontaneamente, que lhe deixem fluir livremente, por aqui e acolá, à descoberta...

4 comentários:

Pequete disse...

E é incrível como as interrogações e os motivos de conversa, frequentemente bem profundos, surgem constantemente, mesmo quando as crianças são mais pequenas.
É no mínimo estranho que quase desapareçam ou se transformem em interesse por novelas e futebol na maioria dos adultos...

Isabel de Matos disse...

Pequete, essa tua observação já me fez rir...
Às vezes também vejo assim um bocado, mas quando sinto melhor apecebo-me que falar de futebol, de novelas ou do tempo é assim como algo estabelecido para se manter uma conversação num grupo muito heterogéneo.
Eu gosto muito de conversar, mas com pessoas com quem vou, aos poucos, estabelecendo um certo grau de intimidade (não gosto muito dessas tais conversas de falar só para não estar calado, se bem que às vezes entro nelas, mas normalmente fico caladinha) e então conseguimos ir ao fundo das nossas convicções, sentimentos até... Mas por exemplo, põe-te lá a falar de religião assim sem mais nem menos, num almoço com vários colegas de trabalho (já me aconteceu... é uma grande confusão às vezes, há pessoas muito convictas, outras muito bitoladas, outras com receio de falar até noutras religiões, não vão parar ao Inferno, podem crer, tenho umas histórias que nem iriam acreditar, outras completamente desinteressadas por assuntos espirituais e que se fartam de gozar os outros, sei lá... então os temas voltam àqueles mais genéricos e habituais que não criam grandes confusões!)
As crianças são espontâneas e com uma vontade real e verdadeira de perceber (e muitos adultos também, mas encobrem tudo isso com muitos medos...)
Eu não sei como, modéstia à parte, arranjo sempre alguém para conversar sobre aquilo que me interessa e trocar ideias e impressões e experiências e aquisições de conhecimentos e sentimentos (sinto-me muito felizarda por isso, porque é naturalmente importante para mim!)
Muitos beijinhos (e lá foi mais um lençol...)
Isabel

Dawny disse...

hiya Paula, thank you for explaining in a better way what i'm already thinking , you often put things straight for me x

Paula Peck disse...

Thank you all for your comments.

Lots of love,
Paula