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quarta-feira, 4 de março de 2009

Os meus filhos não frequentam a escola

Segue-se uma tradução livre deste artigo, publicado há 2 semanas.

Jane Gutteridge tomou a decisão não-convencional de retirar os filhos da escola e educá-los em casa. Aqui, ela explica por que acredita que a decisão foi um sucesso:

"Se os vossos filhos gostam de andar na escola, óptimo! Mas, embora muitas pessoas julguem que sim, a escola não é obrigatória. Eu sou uma mãe que, como tantas outras, evita a escola, optando pelo ensino doméstico – na Grã-Bretanha, e por todo o mundo, este movimento é cada vez maior.

O meu filho Ciaran tem 12 anos e a minha filha Geórgia oito. Ciaran andou numa escola pública mas as classes tinham alunos demais e estes eram preparados para testes desde o primeiro dia. Quando descobri que Ciaran estava sendo vítima de violência escolar tirei-lhe imediatamente da escola.

A seguir andou numa escola Montessori, mas o pessoal era muito autoritário e a quantidade enorme de trabalhos que mandavam para casa era mais adequada para alunos do ensino secundário do que para crianças de sete anos de idade. Ciaran odiou essa escola. Decidimos então viver em Brighton e matriculá-lo na Escola de Darma, uma pequena escola primária budista com professores simpáticos e carinhosos, e com uma "tolerância zero" ao bullying. O meu filho passou três anos muitos felizes neste ambiente maravilhoso, até aos 11 anos.

A minha filha Geórgia andou na escola durante ano e meio Quando nos apercebemos que tinha dislexia e que andava muito perturbada por não conseguir aprender a ler como os outros colegas, não hesitei e tirei-lhe da escola: desde essa altura que ela aprende em casa.

Depois de acabar a escola primária na escola budista, Ciaran decidiu que a escola secundária não era para ele e decidiu aprender em casa como a irmã. Depois ouvi falar de Heroes, um pequeno centro de aprendizagem em que as crianças e jovens que seguem o ensino doméstico podem ter aulas de várias matérias.

É organisado por uma mãe que optou pelo ensino doméstico. Ela alugou um espaço em Camp Mohawk, numa zona rural. As famílias pagam uma mensalidade de £45, os miudos decidem a que aulas querem ir e pagam cada aula individualmente.

Fizemos uma visita ao projecto e os meus filhos adoraram tanto que resolvemos ir viver para Berkshire. Heroes está aberto quatro dias por semana, de terça a sexta-feira, das 10 às 4 da tarde, e nós vamos lá três dias por semana. Depois comecei a trabalhar para o projecto, fazendo o almoço para todos e ensinando-os a cozinhar – sou apaixonada pela alimentação e cozinha!

Embora tenha apenas 12 anos, Ciaran está a seguir o currículo do 11º ano em matemática, história e ciência. No Verão vai fazer o exame de matemática e mais um ou dois exames em Novembro. Em vez de fazer vários exames todos de uma vez, como na escola, as crianças podem fazê-los ao longo de quatro ou cinco anos. Ele também vai a outras aulas, como por exemplo aulas de guitarra, escrita criativa, teatro e debate. A minha filha também adora Heroes, onde tem aulas individuais de leitura e onde está fazendo um grande progresso.

Às sextas vamos a um grupo social para famílias que praticam o ensino doméstico. Também visitamos museus, exposições e locais históricos com outras famílias.Além disso, faço parte do grupo virtual do ensino doméstico de Berkshire, e de outros grupos nacionais, óptimos para se entrar em contacto com outras famílias que educam os filhos em casa.

Estou muito orgulhosa de ter filhos felizes e de lhes poder proporcionar um nível de autonomia nas suas vidas que não seria possivel se frequentassem a escola. Sinto-me muito feliz por existirem projectos como Heroes. Estou completamente convencida que no futuro existirão cada vez mais iniciativas educativas organisadas por todo o país por mães e pais, para as crianças que estão infelizes na escola ou cujas necessidades não estão sendo satisfeitas na escola."

7 comentários:

*Lisa_B* disse...

Paula,
excelente!
Gostaria de perguntar ao governo Português quando abrem eles os olhos perante exemplos destes? Mas ninguém me ouve...fica o lamento ...
Acabei com o meu outro blog.
Beijinhos

Tibetan Star disse...

Pois é, temos de ser nós a abrir os olhos e a mostrar aos outros que existem possibilidades diferentes.

Temos de ser nós a viver essas alternativas, demonstrando desse modo que são de facto possiveis.

Temos de ser nós a contactar outras pessoas que partilham a mesma visão e também temos de ser nós a organisar os projectos educacionais que gostaríamos de ver nas nossas aldeias, vilas e cidades.

Isabel de Matos disse...

Gostei também muito deste post. Vou referenciá-lo no meu blog, está bem'

Beijinhos
Isabel

Ivone Apolinario disse...

Que lindo, meu deus, é mesmo isto que faz falta por cá!obrigada pela partilha!ivone

Marcos disse...

Jane,eu tive uma sensação de alívio, porque meu querio filho Herbert de 8 anos está estudando em casa neste ano (em momento adequado explico os motivos) e tenho sido muito criticado por todos, inclusive dentro de casa por tomar esta decisão. O fator principal, a Escola, como foi o seu caso. Os seus motivos, eu particularmente, em muito concordo, pois são bem semelhantes aos meus. Meu filho parece sofrer de Síndrome do Pânico e encontrar uma Escola que entenda bem a questão e que tenha na sua estrutura o preparo necessário para desenvolver a criança, tem sido uma tarefa quase impossível! O mais fácil é rotular os Pais como "Superprotetores" e pronto! A legislação brasileira não permite o Ensino em casa, infelizmente! Mas pode haver alternativas, de modo a complementar falhas nessas estruras.Isto eu estou vendo como estabelecer para o próximo ano. Eu gostaria muito de poder trocar experiências com você, sobre o assunto. Entender como os seus filhos se desenvolvem neste cenário, como tem sido os prós e os contras, isso ajudaria muito! Considero a Escola um ambiente necessário para troca de experiências e desenvolvimento social fundamental, mas me inclino para soluções como esta que tomou porque pode-se trabalhar separadamente Estudos e Desenvolviment Social. Em cenários assim, os dois conceitos ficam prejudicados juntos, as crianças nem estudam e nem se desenvolvem, mas tenho reservas! Ficaria muito feliz se pudessemos estabelecer contato, assim como, com outras pessoas que frequentam seu blog. De qualquer forma parabéns pela coragem, compreendo bem sua decisão, porque sinto na pele o quanto isto é sofrivél, eu tenho passado fortemente por isto e sem muito apoio.

Aguardo ansiosamete por contato.
Obrigado!

Marcos Mendonça (41 anos), Pai de Herbert Vilela (8 anos).

Marcos disse...

Jane Gutteridge, eu deixei uma mensagem aqui em seu Blog no dia 19/7,gostaria muito de trocar experiências. A intenção também se amplia a todos que frequentam o Blog.

Obrigado!

Marcos disse...

Desculpe-me, já ia esquecendo-me, deixo aqui publicamente meu e-mail para facilitar o contato: mdsweb@oi.com.br