Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

sexta-feira, 27 de março de 2009

Pão, nutrição e o diálogo intencional na aprendizagem

Hoje o pão saiu mais leve, bem mais fofinho...

Afinal, é a fazer que a gente aprende, e não há nada que não se torne mais fácil com a prática!
O pão é uma fonte saudável de energia; essa ideia de que o pão engorda é um disparate - o que engorda é o que comemos com ele, como a manteiga, por exemplo.

Mas hoje o que eu queria era deixar mais um exemplo da aprendizagem dialógica (gostei desse palavrão, resolvi começar a usar ;-)).

Ontem, à mesa, a conversa foi parar às vitaminas e aos minerais.

Às tantas lá fomos tirar uns livros da prateleira para rever a importância das vitaminas, suas funções, fontes, papel na saúde, quantidades diárias recomendadas, sintomas de deficiência e excesso, etc.

Como na Inglaterra os invernos são longos e passam-se semanas em que o céu está completamente encoberto, a conversa acabou por se concentrar na vitamina D, porque como sabem sem a exposição aos raios solares a síntese de vitamina D na pele é afetada. Daí a importância, para nós, de incluir fontes de vitamina D na dieta.

Um dos livros (esse à esquerda) sugere ovos, atum, salmão, sardinhas, margarinas fortificadas e óleo de fígado de bacalhau. (Isabel, tens ideias para os vegetarianos?)

O exemplo não é nada de especial, mas mostra como vamos vivendo e aprendendo no dia a dia... Roland Meighan explica bem melhor do que eu:

"Nem todas as famílias dão aulas formais aos filhos: isso significa que têm ainda mais tempo para o diálogo intencional. Aprender em casa torna-se um processo interactivo, em vez de uma série de trabalhos a fazer. Nessa interacção, conceitos são adquiridos, competências são melhoradas e novos conhecimentos são obtidos no decorrer de actividades quotidianas ou através de temas que tenham capturado o interesse dos filhos."

4 comentários:

Isabel de Matos disse...

Em relação a esta última parte, gosto muito mais dessa ideia de não darmos aulas formais aos filhos, em ensino doméstico. Aliás, se achamos que eles não precisam de ser ensinados, porque vamos fazer de professores e ensiná-los? O meu filho, com 5 anos e 8 meses no outro dia disse-nos precisamente isto, quando o pai lhe disse, "temos que passar pela escola, para te irmos lá inscrever..." e ele não o deixou acabar a frase e respondeu logo "Eu não quero ir à escola, eu não vou para a escola" e o pai "Sim, não vais, é só ir dizer-lhes que tu vais aprender em casa, com a mãe e o pai" e ele logo muito pronto "Vocês não me vão ensinar nada, eu aprendo sozinho!"; provocou logo em nós um sorriso, mas o pai continuou (achou que devia prepará-lo!) "O.k., mas no fim do ano tens que ir lá só responder a umas perguntas". Bem o pequeno desata num choro a dizer que não quer ir nunca à escola nem quer ir responder a perguntas. Eu disse ao Pedro, calma, para quê isso, ainda temos muito tempo, ele só precisa de ir fazer exames no final do 4º ano...", mas depois pus-me a pensar que, se ele continua assim tão reticente quanto a "ir responder a perguntas", às tantas temos que encontrar outras soluções. Foi então que me lembrei de um post no PipocasLand sobre a Clonlara e pus-me a fazer perguntas à Pipocas e ela já me esclareceu bastante no seu penúltimo post "Clonlara III"; vai ser algo a equacionar.
Isto porque, conforme dizes, aprende-se muito mais só assim a conversar e a propósito ir buscar algum livro ou fazer umas pesquisas através de outros recursos, do que a "impôr" um tema de alguma maneira. Eu vi isto no outro dia com o Alexandre, sentados no sofá e ele a brincar veio ter connosco com umas contas de cabeça (eu pus um post sobre isso lá no Pés Na Relva) e volta e meia anda a pensar nisso e vem ter comigo e pergunta e responde sobre adições e multiplicações de algarismos, assim só a falarmos e sem escrevermos nada ou estarmos preocupados em esquematizar o seu raciocínio (como é que se vai demonstrar isso a uns professores de uma escola? Só se eu tivesse gravado a conversa, mas não gravei... :)

Bem, quanto à vitamina D e o que me perguntas da sugestão para os vegetarianos, segundo uns livrinhos que tenho, um deles, por exemplo, foi o 1º que eu comprei quando me tornei vegetariana, é o "Guia Prático da Alimentação Saudável e da Terapêutica Natural" de Manuel R.C. Melo (é pena não poder por aqui uma foto), a vitamina D existe na gema do ovo e na manteiga; manteiga não comemos e eu como ovos de proveniência biológica, de vez em quando, mas o Alexandre não come que não gosta de ovos; mas nunca me preocupei muito, porque nós até no Inverno vamos até à praia brincar (a Inglaterra é diferente, de facto...), mas por outro lado nem queria falar muito disso agora porque ia estender este comentário ainda muito mais, pois eu às vezes penso muitas vezes se mesmo em relação a isto das vitaminas e todas as noções que temos sobre nutricionismo que tantos nutricionistas defendem estará de facto correcto: por exemplo, eu conheço pessoas que só comem fruta, frutos secos e sementes e são muito mais saudáveis que nós (e têm uma vida longa!...); à luz dos nossos conhecimentos das necessidades disto e daquilo como é que essas pessoas sobreviviriam? E um dia li um livro escrito por um médico que resolveu ir investigar um povo a quem chamam os Unza (já não me lembro se é assim que se escreve ou se é com um H no início) cuja esperança média de vida é de 200 a 300 anos (pasme-se!); tenho pena de não vos dar dados mais concretos, eu li o livro emprestado por alguém que já não sei bem quem (alguém o levou para um dos workshops do Robiyn que eu frequentei, uma médica) e não me lembro bem do título (algo como "O maravilhoso povo dos Unza"?); bom, o tal médico, vivendo uns tempos com eles (eles vivem nas montanhas) chegou à conclusão que a sua vida longa se deve à sua frugalidade, isto é, comem pouquíssimo; até ao meio dia trabalham ao sol, fazem pausas para se sentarem tipo em meditação, mas é uma "meditação natural" se é que o termo existe, a absorver a energia do Universo e só ao meio dia comem a sua 1ª refeição do dia (tipo uma fatia de pão feito por eles e qualquer coisa assim natural que eu já não me lembro) e novamente só ao fim da tarde comem mais qualquer coisa, muito pouco; têm umas "cabras da montanha" de onde às vezes tiram leite e fazem uma espécie de queijo e só comem carne quando algum desses animais morre de morte natural o que é muito raro; comem muitas raízes. Lembro-me ainda que não são um povo nativo dessas montanhas, que os seus "antepassados" digamos, foram uns europeus (tenho a ideia que da Suíça, não tenho a certeza) que resolveram ir viver para lá e levar uma "vida nova" e mais natural. Já investiguei na internet e não consegui achar esse livro, mas eu também não sou muito boa a pesquisar na internet!:)
Para além que temos uma amiga que passou por um processo (que algumas pessoas agora são adeptas) de estar 21 dias sem comer e sem beber (acreditam? É tipo uma desintoxicação do corpo e alguns dizem (e praticam!) que a partir daí se pode viver sem comer...) e está "vivinha da silva", ainda há pouco tempo nos veio visitar, ela anda sempre a passear e a trabalhar pelo mundo inteiro, o último trabalho (ou melhor, o actual) que ela nos falou é sobre a "Terapia de Som com as Taças Tibetanas".

Bem, nem queria ter escrito tanto, mas estes temas são assim... puxas por nós, Paula, queres o quê? :) :)

Beijinhos
Isabel

RUTE disse...

Paula,

de facto a vitamina D, também chamada "a vitamina do sol", é dificil de absorver em países com pouco sol.

Apesar de existirem alimentos naturalmente ricos em vitamina D, desde há uns anos para cá que praticamente todos os alimentos são enriquecidos artificialmente com suplemento desta vitamina.

O leite (mesmo o de soja), as manteigas e margarinas (mesmo as de soja), os cereais de pequeno almoço... são enriquecidos com vitaminas. Verifica na informação nutricional dos pacotes que utilizas.

Porém como é uma vitamina essencial à formação ossea e à dentição, convém não descuidar.

Se tens por hábito passar férias em Portugal e escolher a praia ou o campo, em principio, os vossos organismos conseguirão armazenar suficiente vitamina D para ultrapassar o Inverno em Inglaterra.

No entanto, se verificares algum problema ligado à insuficiência de vitamina D, como raquitismo, osteoporose, osteoartrite, fragilidade da dentição, etc... podes recorregar a suplementos vitaminicos D à venda em ervanárias.

Embora eu não seja a favor de suplementos. Antes de tomar seja o que for há que consultar um médico. O excesso de vitamina D, origina níveis elevados de cálcio no sangue que é prejudicial quando é em exagero.

Beijinhos.
P.s.-Achei engraçado o facto de eu ter esse mesmo livro do Reader´s Digest (em Português).
Tenho ainda outro intitulado: O poder curativo das Vitaminas e dos Minerais (do Reader´s Digest too!).

Paula Peck disse...

Isabel, adorei as respostas do teu filho! Um dia destes ainda hei-de fazer um post sobre essa dos testes e avaliações.

Em relação à vitamina D, vou ver se começamos a comer mais ovos, mas também sou um bocado como tu porque não acredito piamente nas teorias sobre nutrição e alimentação. Li os teus exemlos e pensei nos tibetanos, que se alimentam à base de carne, leite e derivados, e cevada. No entanto, são saudáveis.

Paula Peck disse...

Rute, olá!

Pois é, tenho de prestar mais atenção à informação contida nos pacotes porque, como dizes, muitos produtos hoje em dia são enriquecidos com vitaminas e minerais.

Também não sou muito a favor de suplementos, mas confesso que recentemente comprei multivitaminas e minerais!