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sexta-feira, 20 de março de 2009

A prática do ensino doméstico

Através do grupo-yahoo do ensino doméstico da nossa área entrei em contacto com uma mãe que, além de várias outras coisas, dirige um coro de música antiga.

Conversa puxa conversa, disse-lhe que no passado tinha estudado canto gregoriano e cantado em vários coros. A páginas tantas convidou-nos para um concerto na Igreja de Todos os Santos.

Dois coros do departamento de música da Universidade de Bristol interpretaram temas do século XV e XVI: Josquin des Prez, Jean de Ockeghem, Jean Richafort e Philippe Rogier.

O filhote disse "Obrigado pelo convite mas não estou interessado."

Eu, é claro, não deixei de ir! A foto acima mostra um dos coros.

Resolvi partilhar à mesma porque é mais um exemplo:

1) das inúmeras oportunidades de aprendizagem disponíveis fora da escola;

2) de eventos abertos ao público e completamente grátis - a partir de agora hei-de fazer questão de partilhar os custos ocorridos porque parece-me que grande parte das pessoas pensa que o ensino doméstico só é possivel para quem é rico!

3) de uma das funções do educador segundo a perspectiva do unschooling: oferecer oportunidades sem pressionar nem forçar...

4) da criação de redes de aprendizagem, apoiadas pelas novas tecnologias, de que falava Ivan Illich - através dos grupos-yahoo o encontro entre pares torna-se possível. Por exemplo: Pai A tem um filho que quer aprender teoria da música e, através do grupo-yahoo vem a saber que Mãe B, ex-professora de música, teria muito prazer em partilhar seus conhecimentos. Mãe B tem um filho interessado em aprender animação, e o Pai A tem bastante experiência nessa área. Não vivem na mesma zona mas isso não é um problema: decidem fazer a partilha ou troca de conhecimentos através do Skype. Uma vez mais, o acesso à aprendizagem é completamente gratuito!

Sei que o exemplo acima é o de uma troca directa por isso quero deixar bem claro que há muitos dispostos a dar sem expectativas de receber algo em troca. E também existem outros sistemas que permitem trocas indirectas - ainda hei-de fazer um post sobre isso...

5) e finalmente, trata-se de um exemplo da possibilidade de aprender directamente dos mestres e praticantes ou, pelo menos, de ser inspirado pela paixão que sentem por aquilo que fazem! Precisamos apenas de um pouquinho de iniciativa própria para entrarmos em contacto com eles.

Nas escolas, os professores andam tão estressados e desanimados que o seu entusiasmo pela matéria que ensinam e pelo ensino depressa esmorece. Isto para não falar da quantidade de alunos com que têm de lidar diariamente: 30 e tal alunos cada 50 mns - são quase 200! Os alunos sabem que são apenas mais um número. Comparem essa experiência com a do encontro genuino, um-a-um, de uma criança ou jovem com alguém completamente apaixonado por aquilo que faz.

2 comentários:

Isabel de Matos disse...

Paula!
Que bom que escreveste este post! Eu e o Pedro temos andado a pensar em algo sobre estas trocas e partilhas de conhecimento, mas não tínhamos posto as coisas nos termos de ser entre pais do ensino doméstico, porque aqui há muito poucos, não é como aí; mas como temos conhecimento da existência dessas "trocas indirectas" como dizes, queríamos também implementar isso de alguma forma. Aqui em Lisboa já existe um sistema a que chamaram "Banco do Tempo" em que as pessoas se inscrevem e dizem que serviços podem prestar e que serviços necessitam que lhes prestem (isto funciona um pouco ligado a algo como "solidariedade social"...) e então dão umas x horas de serviço, que ficam registadas como um depósito de tempo e depois usam de x horas de serviço de outras pessoas. Por exemplo, um rapaz vai levar cartas ao correio a um idoso que não se desloca facilmente, ou buscar-lhe compras à mercearia ou algo do género e entretanto precisa que lhe passem a ferro; há outra pessoa, que não o idoso que se ofereceu para passar a ferro, mas que por sua vez precisa que lhe cozinhem refeições e assim por diante.
Baseado em algo deste género nós gostaríamos de implementar algo deste género, mas estendendo não só a serviços, mas a estas trocas de aprendizagem/ensino como falas e o Pedro queria mesmo estender à aquisição de produtos, mas ele acha que só o conseguiremos fazer se for numa comunidade mais pequena tipo irmos viver para a aldeia da minha sogra e então far-se-ia algo tipo trocar serviços (ele é informático :) ) por fruta e outros géneros lá da terra ou por outros serviços, etc. Tem piada, que lá na terra da minha sogra eles fazem naturalmente algo como, na altura da apanha da azeitona, vão todos apanharem as de todos, ajudando-se uns aos outros, na altura das vindimas, a mesma coisa (e depois vários cozinham para todos e fazem uma grande jantarada em conjunto ao final da tarde e uns cantam e outros falam e divertem-se muito!... :) ). Por outro lado, aqui há tempos um dos membros do grupo do ensino doméstico cá de Portugal que me escreve directamente, também me deu a conhecer um projecto com algo do género: várias pessoas inscreviam-se no projecto e trocavam aulas individuais de inglês por aulas de culinária , de música ou o que fosse, também indirectamente e também combinavam entre si encontrarem-se para partilharem livros ou falar de assuntos que interessassem a um determinado nº de pessoas,mesmo que fossem só dois... é um projecto interessante. Resta agora vermos qual a melhor forma de pormos algo em prática!!!

Muitos beijinhos
E vamos lá a ver se nos encontramos em breve! A Lara também quer ir ao encontro e a Amparo também e talvez a Natália queira, ainda não falei com ela...

Isabel

Paula Peck disse...

Penso que aqui também temos os Bancos de Tempo mas não tenho experiência deles. A minha experiência é mais com o LETS, que é um sistema muito semelhante: em vez de se registar o número de horas, anota-se a quantidade de "moeda local" ou "moeda regional" obtida pelos serviços prestados.

"Serviços", neste caso, inclui também a partilha de produtos e conhecimentos, desde aulas e explicações disto ou daquilo, empréstimo de ferramentas educacionais (livros, laptops, máquinas de filmar e assim por diante), partilha de espaço, por exemplo, uso de casa de férias, partilha de quintal ou terreno para plantar frutos e vegetais, etc.

Ando neste momento a pesquisar a Freeconomy community e a ideia de freeskilling.