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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dia Mundial da Consciencialização do Autismo

Como hoje é o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, vou falar sobre algumas das vantagens do ensino doméstico para as crianças e adolescentes com a síndrome de Asperger.

O ensino doméstico tem muitas vantagens porque, afinal, ninguém conhece melhor os filhos do que os pais. Os pais sabem o que os entristece e o que lhes faz sorrir; as suas dificuldades e os seus fortes. Mas a decisão de os educar em casa nem sempre é fácil, especialmente em Portugal, onde o ensino doméstico é praticamente desconhecido, e no Brasil, onde continua a ser ilegal.

Dan Aykroyd foi diagnosticado com a Síndrome de Aspergers.

No entanto, como a escola pode ter um efeito tão negativo na vida de algumas crianças com a síndrome de Asperger, hoje vou falar sobre algumas das coisas que geralmente passam pela cabeça dos pais e que os leva a assumir a responsibilidade total pela educação dos filhos (embora saiba muito bem que para muitas famílias, pelo menos aqui no Reino Unido, não seja uma verdadeira opção
: ao verem os filhos sofrendo tanto, mas tanto que se tentam suicidar, não têm outro remédio senão tirá-los da escola e tentar ajudá-los a recuperar em casa).

Em relação à
síndrome de Asperger, muitos "especialistas" falam da importância da rotina mas poucos se dão ao trabalho de explicar que essa rotina tem de ir ao encontro das necessidades específicas das crianças porque se não torna-se prejudicial. A ideia que anda por aí é a de reduzir a ansiedade que as crianças sentem através, por exemplo, do uso de horários visuais e histórias sociais. Os pais sabem muito bem que isso não é suficiente. Sim, é verdade que as crianças gostam de saber o que se vai passar... e sabem... sabem que muita coisa se vai passar na escola que prefeririam evitar. O bullying, por exemplo, é normalmente parte da rotina escolar mas lá por fazer parte da rotina não passa a ser terapêutico. E mesmo que incluissem o bullying no horário visual e lessem histórias sociais sobre a violência escolar não tornariam o fenómeno menos destrutivo!

Pip Brown (Ladyhawke) tem a síndrome de Asperger.

No ambiente do lar, os pais podem estabelecer uma rotina que vai ao encontro das necessidades especiais dos filhos. Essa rotina sim, é terapêutica e facilmente mantida: as necessidades das outras crianças, o barulho e as interrupções constantes deixam de ser problemas.
Além disso, em casa, os pais podem focalizar nos pontos fortes e talentos individuais dos filhos, talentos estes que, no sistema escolar, passam facilmente despercebidos. A culpa não é necessariamente dos professores - o problema são as próprias escolas, superlotadas e subfinanciadas, e o seu sistema de ensino, inflexível e incapaz de nutrir o indivíduo.

O ensino doméstico evita completamente o problema do bullying, capaz de arrasar qualquer criança diferente. Hoje em dia já há muita informação disponível, pois já foram feitos muitos estudos nesta área: o bullying nas escolas é um problema enorme para as crianças e jovens com a síndrome de Asperger, ao ponto de ser capaz de as destruir.

Gary Numan também tem a síndrome de Asperger.

Também se fala muito das dificuldades de comunicação e interacção social das crianças com a Síndrome de Asperger. Na escola não sabem como se relacionar com a quantidade enorme de colegas, e acabam muitas vezes por ficar sozinhas no recreio, isoladas e perdidas no meio da multidão. Isto pode trazer muita mágoa às que gostariam de ter amigos mas não sabem como.

No ensino doméstico os pais podem organisar encontros, com uma ou duas crianças de cada vez, no ambiente seguro do lar ou em sítios em que os filhos se sintam bem e à vontade. Os pais também podem controlar a duração desses encontros: sabendo que os "problemas de comunicação e relacionamento" que os filhos têm na companhia de 30 e tal colegas (centenas nos intervalos!) resultam dessas mesmas circunstâncias, organizam encontros que vão ao encontro das suas necessidades especiais - o que importa é a qualidade da interacção e dos relacionamentos e não a quantidade. Aí sim, podem aprender a fazer amizades e a comunicar melhor.

Craig Nicholls (The Vines) tem a síndrome de Asperger

Muitas famílias que educam filhos com a síndrome de Asperger têm blogues onde partilham o seu dia a dia. Aqui ficam uns poucos:

Home Schooling Aspergers
The Voyage: Life, family, autism and home education
Six Home Ed in Kent
By Other Means
Sweet schooling
Home Baked Education

Finalmente, é importante lembrar que existem certos protocolos e requisitos legais em relação ao ensino doméstico. Entrem em contacto com a vossa Direcção Regional de Educação mas não desanimem se o pessoal que lá trabalha nunca ouviu falar do ensino doméstico. Os pais têm de ser activos e arranjar maneira de educar os funcionários públicos, que geralmente nem sequer estão a par da legislação. E têm de ser fortes e lutar pelos seus direitos.

Vernon Smith, Prémio Nobel Economia 2002 tem a síndrome de Asperger.

Resumindo, o ensino doméstico pode ser excelente, evitando os efeitos destrutivos do bullying e de um sistema escolar muitas vezes incapaz de satisfazer as necessidades especiais dos vossos filhos. Mas é claro, se estiverem a pensar seriamente no ensino doméstico, devem pesquisar e aprender o mais possivel sobre o assunto antes de resolverem seguir em frente.

8 comentários:

Meninheira disse...

Paulinha, muito bo este post, com o teu permisso vou fazer uma ligaçao desde o meu blog.

Um beijinho :)

Paula Peck disse...

Olá Meninheira, que bom que gostaste! Liga à vontade!

Beijinhos para vocês também :)

Meninheira disse...

Ja está ligado :)

*Lisa_B* disse...

Paula linda,
não sei mas pelo teu exemplo que mais uma escola pode saber? Tu sabes de tudo para poder dar a educação ao teu filho e a outros até...
Nunca posso deixar de me fascinar contigo e os posts que escreves, parabéns.

RUTE disse...

Bom dia Paula,

obrigada por estes posts tão elucidativos. Desde que conheci o teu blog, leio tudo o que publicas, no entanto, apesar de gostar de comentar todos eles, o tempo é curto para tal.

Dai que, como são longos (mas excelentes) geralmente não te deixo aqui umas palavrinhas.

No entanto, só quero deixar a seguinte mensagem: Os teus leitores agradecem a informação e são leitores muito presentes apesar de silenciosos.

Tenho ainda que arranjar tempo para ler as artigos mais antigos! Especialmente a este respeito de crianças especiais.

Beijinhos.
Espero poder conhecer-te pessoalmente em Portugal durante as tuas férias.

Lara Gisela disse...

Paula, obrigada por toda esta informação. Conhecia pouco sobre estas crianças mas graças a ti, tenho conhecido mais.

Paula Peck disse...

Lisa_B, Rute e Lara,

Obrigada pela vossa visita e comentários. Eu também nem sempre tenho tempo para comentar embora visite os vossos blogues regularmente. Mas, é claro, sabe sempre tão bem receber feedback... :)

Mário Relvas disse...

Olá Paula,
tomei a liberdade de transcrever este seu texto no "aromas". Espero que esteja bem. Obrigado pela partilha destas informações.

Saudações e um sorriso