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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Aprendizagem centrada nas crianças

Muitas famílias que optam pelo ensino doméstico - educação domiciliar no Brasil -, especialmente as que seguem o método da aprendizagem autónoma, ou unschooling, mesmo que nunca tenham ouvido falar de Carl Rogers e da aprendizagem centrada na pessoa, colocam muitos dos seus fundamentos em prática.

Ao folhear um dos seus livros, O Jeito de Ser, encontrei uma passagem (pg. 133) que penso adaptar-se perfeitamente à prática mais radical do ensino doméstico, o unschooling, uma vez que uma das características principais da metodologia rogeriana é precisamente a não-directividade. Depois de umas pequenas alterações, eis o resultado.

Leiam e digam o que acham:


Fundamentos da aprendizagem centrada nas crianças / jovens


1. Pré-condição. Nós, os pais, sermos suficientemente seguros interiormente e nos nossos relacionamentos pessoais, de modo a confiarmos na capacidade dos nossos filhos de pensar, sentir e aprender por si próprios. Quando esta pré-condição existe, os aspectos seguintes tornam-se possíveis e tendem a ser efetivados.

2. Nós, os pais, partilhamos com os nossos filhos - e se possível também com outros membros da comunidade - a responsabilidade pelo processo de aprendizagem.

3. Nós, os pais, oferecemos recursos de aprendizagem — de dentro de nós próprios, das nossas próprias experiências, de livros, de outros materiais ou de experiências da comunidade. Os nossos filhos são encorajados a acrescentar recursos de que tenham conhecimento ou com os quais tenham experiência. Nós, os pais, abrimos as portas para recursos externos à experiência dos nossos filhos.

4. Os nossos filhos desenvolvem os seus próprios programas de aprendizagem, individualmente ou em cooperação. Explorando os seus próprios interesses, defrontando-se com essa riqueza de recursos, eles escolhem os caminhos que desejam percorrer no processo de aprendizagem e assumem a responsabilidade pelas consequências dessas escolhas.

5. Em casa cria-se um clima facilitador da aprendizagem, uma atmosfera de autenticidade, interesse e atenção. Esse clima pode provir inicialmente dos pais. À medida que o processo de aprendizagem continua, passa a ser cada vez mais criado pelos nossos filhos. Aprender uns com os outros torna-se tão importante quanto aprender a partir de livros e filmes ou das experiências da comunidade.

6. O foco da aprendizagem é, primordialmente, a promoção da continuidade do processo de aprendizagem. O conteúdo da aprendizagem, embora significativo, fica num plano secundário. Assim, sucesso não é quando os nossos filhos “aprenderam tudo o que precisam saber”, mas quando fizeram um progresso significativo na aprendizagem de como aprender o que querem saber.

7. A disciplina necessária à consecução das metas dos nossos filhos é a autodisciplina, e é reconhecida e aceita por eles como sua responsabilidade. A autodisciplina substitui a disciplina externa.

8. A avaliação da extensão e do significado da aprendizagem dos nossos filhos é feita primordialmente por eles, embora as auto-avaliações possam ser influenciadas e enriquecidas por um feedback cuidadoso de outras pessoas, incluindo o dos pais.

9. Neste clima de promoção do crescimento, a aprendizagem tende a ser mais profunda, a processar-se mais rapidamente e ser mais penetrante na vida e no comportamento dos nossos filhos do que a aprendizagem realizada na sala de aula tradicional. Isto porque a direcção é auto-escolhida, a aprendizagem é auto-iniciada e os nossos filhos estão empenhados no processo de uma forma global, com sentimentos e paixões tanto quanto com o intelecto.

2 comentários:

Isabel de Matos disse...

Muito bom este texto! Quanto a mim, define bem o conceito (e a prática!) do Unschooling.
Beijinhos
Isabel

Paula Peck disse...

A primeira vez que ouvi falar de Carl Rogers e da pedagogia rogeriana foi em 1994, quando fiz um curso de educação pós-escola, ou pós-compulsória (não sei qual é a expressão usada em Portugal para isso).

Nessa altura não fazia ideia da possibilidade do ensino doméstico mas já sabia que qualquer forma de compulsão ou obrigatoriedade na educação era contraproducente e que não queria estar envolvida nisso.

Mais tarde quando estudei aconselhamento psicológico, fiquei a conhecer a outra faceta de Carl Rogers.

E mais recentemente, através do meu interesse pela comunicação não violenta, vim a saber que Marshall Rosenberg foi aluno de Carl Rogers. Incrível...