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quarta-feira, 6 de maio de 2009

As vantagens do ensino doméstico

Notícias do Ensino doméstico na Indonésia

Tradução livre deste artigo que apareceu recentemento no jornal.

Os olhos de Byoma estão fixados no ecrã do televisor. Ao contrário de muitas crianças da sua idade na Indonésia, Byoma não tem permissão para ver telenovelas ou certos outros programas na televisão.

Em vez disso, os pais do menino de 4 anos pagam para que ele possa ver Playhouse Disney diariamente. O programa ensina-lhe sobre sonhos, por exemplo, o que ele quer ser quando for grande.

"Eu quero ser quem sou, quero ser eu mesmo", disse Byoma quando acabou de ver o programa. Noutro dia, depois de uma visita aos Bombeiros, Byoma disse que queria ser um detetive, "para descobrir onde estão os carros dos bombeiros quando são precisos."

Anis Ardianti, mãe de Byoma e licenciada em engenharia industrial pelo Instituto de Tecnologia de Bandung, disse que estava espantada com as respostas do filho mais velho. "O cérebro das crianças é como uma esponja. Absorve tudo com muita facilidade".

E como quer ter cuidado sobre as coisas que ele absorve, Anis não quer que ele vá para a escola. Por isso, durante os últimos quatro meses, dedicou-se a descobrir mais sobre o ensino doméstico. A sua busca levou-a a contactar outras famílias que praticam esta alternativa à escola, grupos do ensino doméstico na internet e outros clubes de pais.

"Consegui entrar em contacto com outras pessoas que já praticavam o ensino doméstico, sugeri um encontro e, há mais ou menos um ano, fundámos a Comunidade do Ensino Doméstico."

Agora Anis já não se sente sozinha no seu desejo de educar Byoma e a filha, Arane, que tem 2 anos e meio, no ambiente terno do lar. "Cada criança tem a sua personalidade única. Não devemos tratá-las da mesma forma, muito menos reprimir o seu desenvolvimento cognitivo. O desenvolvimento das crianças deve ser feliz e estar de acordo com a sua natureza".

Asah Pena, a Associação do Ensino Doméstico e Educação Alternativa, tem cerca de 8.000 membros em 17 províncias e a sua estimativa é que existem pelo menos outras 30.000 famílias praticando o ensino doméstico na Indonésia.

Seto Mulyadi, presidente da associação, disse que o interesse pelo ensino doméstico cresceu significativamente nos últimos três anos e que durante este período o número de membros mais que triplicou.

Christina Siti Rukmini foi uma das pessoas que responderam às perguntas de Anis sobre o ensino doméstico. Christina educa os 3 filhos em casa desde 2002. "Esti, a minha filha que está no 8º ano, prefere estudar na escola. Eu não a forcei a seguir o ensino doméstico".

Os seus 2 filhos, Gregorius, 9, e Herman, 7, aprendem em casa, embora Herman também frequente uma escola experimental onde todas as idades aprendem em conjunto e não seguem o currículo nacional.

"Nós fazemos todas as nossas ajudas visuais em casa. Estamos todos activamente envolvidos neste processo, desde a criação dos materiais didácticos à sua aprendizagem."

Dos jornais, por exemplo, ela recorta uma fotografia interessante que depois cola num pedaço de cartão. Em seguida, ela e os filhos discutem as legendas. "É um método fácil e divertido."

Antes de ter começado a educar os filhos em casa Christina havia ensinado numa escola primária e num jardim de infância. Ela também faz parte de um grupo de pais com filhos com autismo - Gregorius tem a síndrome de Asperger - e faz trabalho voluntário.

"Como um projecto-piloto na educação dos meus filhos, fundei um grupo da brincadeira. Desta forma os meus filhos podem aprender em casa e nós podemos escolher as crianças com quem eles convivem."

O dia dos filhos começa com exercícios para ensiná-los a ser independentes: tomam banho e vestem-se sozinhos. Depois vem a prática de piano, o exercício físico e as visitas de estudo. "Quando saimos não precisamos de ir a sítios especiais ou longínquos. Por exemplo, a garagem aqui do bairro. Lá, eles podem encontrar respostas a perguntas sobre coisas que eu não sei".

Em relação às disciplinas académicas, Christina diz que está a par do currículo nacional, mas que é muito flexivel. Cada disciplina é organizada à volta de determinado tema. Se, por exemplo, os filhos estiverem interessados em casas, então as disciplinas (como a matemática, estudos sociais, ciência e religião) são relacionadas a esse tema. "Em matemática, por exemplo, aprendemos a calcular a área de uma casa, e a contar quantas janelas tem. Em estudos sociais, aprendemos a nos dar bem com os nossos vizinhos."

Para manter uma atmosfera de brincadeira, Christina usa cartões flash e jogos de Serpentes e Escadas e Monopólio para transmitir o material.

Veronica Hanny, licenciada em Inglês, é outra defensora do ensino doméstico. Disse-nos que não quer matricular o filho Engelbertus, 4, numa escola que iria roubá-lo da felicidade da sua infância e que se está a preparar para o educar em casa.

Veronica considera importante ter um grupo do ensino doméstico na sua área, pois preocupa-se que inconsistências nos métodos de ensino possam, a longo prazo, prejudicar o filho. "Espero que o grupo possa ajudar a estabelecer um currículo e a legitimidade do ensino doméstico."

Abu Bakar, um clérigo, deixou a filha Aisha, 16, decidir se queria continuar na escola ou não. A filha resolveu deixar a escola e ele apoiou a decisão. No entanto, quer que a filha desenvolva os seus interesses. "O meu background é em arquitetura. Posso ensinar-lhe ciência. Quanto às outras disciplinas, posso encontrar pessoas competentes". A filha estuda matemática e inglês fora de casa.

Abu Bakar também comprou um laptop e uma máquina fotográfica digital para incentivar o interesse da filha pela fotografia. Agora que ela está envolvida num grupo de fotografia, ela parece feliz e inteligente.

"Agora que não está na escola Aisha agora gosta de ler e ver filmes de qualidade", disse Abu Bakar.

Aisha disse que adora estar livre do horário escolar. "Mas isso não significa que me juntei a um grupo problemático. Eu continuo a escolher os meus amigos. " Ela passa o tempo com os colegas da fotografia e adora navegar na internet.

Muitos pais preocupam-se que, devido ao ensino doméstico, os filhos possam ficar para trás e em desvantagem quanto à entrada para a universidade. Mas Seto, de Asah Pena, diz que aprender o currículo nacional em casa e fazer os exames para um diploma do Ministério da Educação não é difícil.

"Não temos preocupações sobre a aceitabilidade do diploma. Muitos dos nossos membros entraram com facilidade para proeminentes universidades públicas, como a Universidade da Indonésia e o Instituto de Tecnologia de Bandung".

Ariko disse que entrou em pânico quando o filho mais velho, Dega, então 10 e no 5º ano, começou a recusar ir à escola. "Isso foi no início. Depois descobri que o ambiente escolar não era adequado para Dega".

No ano passado, depois de uma reunião familiar, Ariko e o marido decidiram retirar Dega da escola. "Dega aprende em casa desde Janeiro. O irmão, Daffa, 7, aprende em casa desde os 5 anos. Tem muita sorte por nunca ter ido à escola."

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