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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Educação e suas inconsistências

Segundo este artigo sobre o inquérito que o governo britânico está a fazer sobre a segurança e o bem-estar dos jovens que seguem o ensino doméstico, trabalhadores sociais estão pedindo às autarquias locais que aumentem a vigilância das crianças educadas em casa. O artigo descreve o ensino doméstico como uma prática controversa.

Eis o comentário de uma mãe britânica que optou pelo ensino doméstico:

OK, defensores da escola, abram as vossas mentes apenas por um momento. Das 2 opções seguintes, qual diriam ser mais controversa, A ou B?

(foto: encontro do ensino doméstico no Reino Unido)

1A.
Educar para a democracia obrigando os alunos a viver numa autocracia.

1B. Ajudar os nossos filhos a compreender as vantagens de viver numa democracia dando o exemplo, ou seja, tomando em consideração as suas opiniões e participando em debates com eles, permitindo o desenvolvimento natural das ideias.

2A. Dizer aos alunos que o bullying não é aceitável mas, na prática, intimidá-los frequentemente.

2B. Partilhar a opinião de que o bullying não é o melhor tipo de comportamento e dar o exemplo, fazendo questão de nunca agir como um bully e explicando os motivos por que o bullying não é eficiente: porque inibe a criatividade e a racionalidade.

3A. Pregar as vantagens da co-operação mas encorajar os alunos a competir.

3B. Explicar as vantagens da co-operação demonstrando como agir cooperativamente no dia a dia.

4A. Pregar os benefícios da auto-motivação e iniciativa, mas dizer aos alunos o que fazer.

4B. Permitir e proporcionar aos nossos filhos o espaço necessário para o desenvolvimento da auto-motivação e iniciativa própria.

5A. Pregar os benefícios da liberdade de expressão e de pensamento, mas dizer-lhes exactamente o que pensar.

5B. Criar o espaço que permite aos nossos filhos a liberdade de expressão e de pensamento.

6A. Pregar a ideia de que as crianças devem ter todas as condições para seguir seus interesses, mas mandá-las deixar de fazer aquilo em que estão interessadas por estar na hora do próximo exercício, actividade, aula, etc.

6B. Criar um espaço para nossos filhos seguirem os seus interesses em paz e sossego.

7A. Compreender que existem inúmeras coisas a aprender mas, na prática, definir uma área restricta de conhecimento e impor a sua aprendizagem aos alunos.

7B. Compreender que os nossos filhos têm os seus interesses e deixá-los aprender as coisas que querem aprender, quando as querem aprender, da forma como as querem aprender, porque as querem aprender.

8A. Achar que as crianças e jovens devem aprender a relacionar-se com pessoas de todas as idades mas, na prática, segregar os alunos etáriamente.

8B. Dar aos nossos filhos a oportunidade de se relacionarem com pessoas de todas as idades e a liberdade de escolherem as pessoas com quem querem conviver.

9A. Propagar a ideia da igualdade entre as pessoas mas, na prática, classificá-las, dar-lhes notas diferentes e diferenciá-las.

9B. Compreender que as pessoas são diferentes, que têm interesses diferentes e criar um mundo onde cada um pode ser quem é.

10A. Perceber que errar é uma parte importante da aprendizagem mas, na prática, penalizar os alunos quando estes erram.

10B. Criar um espaço onde toda a família compreende que errar é importante na aprendizagem.

Estas são apenas algumas das questões mas com base nestes poucos exemplos quais deles diriam ser controversos?

(a tradução é livre, o original está aqui, em inglês, e inclui vários outros comentários)

4 comentários:

Marise von Frühauf Hublard disse...

Há um selo para você no meu blog.
Parabéns pelo seu blog.
Abraços,
Marise.

Isabel de Matos disse...

Paula, mesmo bom este artigo...
As pessoas resistem a aceitar que a escola faz mais "mal que bem"...
Uma vez falava com um colega e amigo meu sobre a competição (um amigo que até concorda bastante comigo) e ele dizia, que estava de acordo com o facto de a competição ser destrutiva, mas que havia um lado bom e saudável nela, que era motivar as pessoas para fazer mais e melhor; perguntei-lhe o que é que ele achava de existir uma forma em que as pessoas se automotivam sem a necessidade da competição e todos os desastres inerentes... ele percebeu!
Obrigada pelo post
Beijinhos

Paula Peck disse...

Olá Marise!
Obrigada pelo selo! Que surpresa agradável! Um grande abraço,
Paula

Paula Peck disse...

Olá Isabel,

Pois é, essa questão é interessante, como assimilamos e aceitamos certas visões e perspectivas sobre uma série de coisas (neste caso, a escola, a competição, etc) e como, ao entrarmos em contacto com novas ideias, resistimos (consciente ou inconscientemente) e agarramo-nos às antigas.

Muitas vezes entramos em dissonância: intelectualmente, adoptamos uma nova visão, mas, na prática, devido ao hábito ou talvez a outras pressões, as nossas acções contradizem esse novo paradigma e continuam a ser dominadas pelo passado.