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domingo, 10 de maio de 2009

Ensino doméstico e necessidades educativas especiais

Luz no fim do túnel escuro da escola

Karen voltou-se para o ensino doméstico como último recurso depois da filha, que tem profundas necessidades especiais, ter sido de tal modo agredida na escola que a levou à auto-mutilação e a pensar no suicídio. Mas depressa transformaram este severo problema num passo positivo para toda a família:

Aos 9 anos de idade, a minha filha já se recusava frequentemente a ir para a escola; a intensidade do bullying era tal que incluia agressões físicas durante o recreio. Incrivel como nunca foram observadas pelo pessoal que lá trabalhava! Enfim... Ela tinha, e continua a ter, profundas necessidades especiais e dificuldades de aprendizagem mas, apesar das manifestações psicológicas e físicas, até em forma de contusões, a escola nada fez e as queixas que fiz à autarquia foram ignoradas sem a devida investigação. Quando ela começou a se auto-mutilar e a considerar o suicídio, eu, é claro, tive de tomar medidas drásticas pois era óbvio que mais ninguém a iria proteger.

Ser mãe de uma criança deficiente é sempre difícil, e como se isso não chegasse ainda tive de ultrapassar uma série de obstáculos que foram colocados no meu caminho quando decidi que a única opção possivel era o ensino doméstico. Não me achavam suficientemente inteligente, estava sozinha (família mono parental), sem familia por perto para me poder ajudar, estava a receber subsídios... como é que, além de cuidar de uma criança com necessidades especiais, poderia educá-la também?

Felizmente, encontrei um grupo na internet que me deu todo o apoio que precisava e que me ajudou a compreender as questões jurídicas! Prometi à minha filha que em breve se iria ver livre dos bullies. Como vivemos na Escócia, os membros escoceses do grupo passaram-me todas as informações necessárias e apoiaram-me muito durante o período em que estava a tratar do processo de remover a minha filha da escola. Armada com toda a informação, eu liguei para a escola e a DRE exigindo que me explicassem por que motivo me tinham informado incorrectamente sobre a lei, e finalmente consegui retirar a minha filha, de uma vez por todas, do seu sistema putrefacto. Só estou arrependida de ter pedido emprestado centenas de libras para comprar os livros e materiais que insistiram que tinhamos de obter antes de me darem 'permissão' para o ensino doméstico. Estes quase nunca foram usados pois usamos recursos gratis disponíveis na internet e outros materiais compartilhados por várias famílias que conhecemos que também praticam o ensino doméstico.

Como muitos principiantes nervosos, começámos por dar uma certa estrutura aos nossos dias e concentrámo-nos nas competências básicas de literacia e numeracia. Embora saiba que a minha filha nunca será capaz de viver uma vida totalmente independente, eu estava determinada a preparar-lhe o melhor possível para uma vida semi-independente. Também nos concentrámos nos seus interesses, frequentando o Grupo de Equitação para Deficientes e aprendendo espanhol (o pai leva-a muitas vezes de férias a Espanha, onde ela tem a oportunidade de praticar o idioma). Como temos um futebolista famoso na família, raramente faltámos a um jogo dos Rangers e a minha filha teve a oportunidade de conhecer a equipa; os jogadores de futebol sabem quem ela é e muitas vezes acenam para ela no meio da multidão. No espaço de poucos meses ela voltou a ser a criança alegre que costumava ser e fez várias amizades com crianças que também aprendem fora da escola.

O nosso relacionamento com a DRE também melhorou graças à nomeação de uma funcionária cuja atitude era a de ajudar e encorajar em vez de querer dizer-nos o que fazer. Ela nunca tentou visitar-nos em casa mas depois de a termos conhecido melhor e de termos começádo a confiar nela, nós mesmos a convidámos: a minha filha, com grande orgulho, ensinou-lhe a tomar conta de coelhos - tinha andado a aprender a cuidar de animais de estimação... Essa funcionária já se aposentou e agora as famílias que praticam o ensino doméstico têm de lidar com outro funcionário que aterrou neste emprego sem ter nenhuma experiência ou conhecimento sobre o ensino doméstico. Pelo menos o governo escocês já publicou informação sobre a legalidade do ensino doméstico e as DRE (direcções regionais de educação) e o pessoal que lida conosco têm de prestar atenção a essa informação; além disso há por todo o país cada vez mais famílias a optar pelo ensino doméstico e temos uma associação nacional que nos dá bastante apoio, a Schoolhouse. No Reino Unido há imensas redes de apoio criadas pelas próprias famílias.

Agora que acabei a faculdade estou a trabalhar a tempo inteiro e a minha filha está a ganhar experiência de trabalho; está a ter apoio para isto e a gostar do que está a fazer. No entanto, quando olho para trás, continuo magoada pelo modo como fui deliberadamente enganada pela escola e pela DRE acerca da lei. Ainda me sinto insultada pela insinuação de que pessoas como eu não são capazes de educar os próprios filhos e que não têm os seus melhores interesses no coração - especialmente quando eles falharam abismalmente na proteção da minha filha. Ela ainda se lembra dos bullies da escola e insiste que o ensino doméstico lhe salvou a vida; eu levo-a suficientemente a sério para acreditar no que ela diz.

Fiquei muito feliz por ter sido convidada a escrever um pouco sobre a nossa experiência para o novo site do Fórum do Ensino Doméstico e espero encorajar outras famílias, especialmente aquelas com crianças com necessidades especiais estão sendo vítimas de bullying na escola e já não sabem o que fazer. Há luz no fim desse túnel escuro da escola, por isso não se distraiam e sigam em direcção à luz. Não desistam porque os vossos filhos precisam de vocês!

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