
"A grande maioria dos pais sente afeição pelos filhos, e este factor estabelece um limite ao mal que lhes podem causar. Mas as autoridades educacionais não sentem qualquer afecto pelas crianças; na melhor das hipóteses são motivadas por um espírito cívico que se dirige à comunidade no seu conjunto e não apenas às crianças; na pior das hipóteses, trata-se de políticos empenhados a lutar por votos.
Na actualidade, o lar desempenha um papel importante na formação da mentalidade dos jovens... O lar oferece à criança experiência afectiva e de vida numa pequena comunidade em que ela, a criança, é importante; e oferece também experiência de relação com pessoas de ambos os sexos e de idades diferentes, assim como dos aspectos multifacetados da vida adulta. Desta maneira, é útil como correctivo às simplificações artificiais da vida escolar.
Outro mérito do lar é o facto de conservar a diversidade entre indivíduos. Se todos nós fôssemos iguais, isso seria, talvez, muito conveniente para os burocratas e para os estatísticos, mas seria muito sensaborrão e levaria a um tipo de sociedade muito pouco progressivo.
Uma orquestra precisa de homens de talentos diversificados e, dentro de certos limites, com gostos diferentes; se todos os homens insistissem em tocar trombone, a música orquestral tornar-se-ia impossível.
A cooperação social, de igual modo, exige diferenças de gosto e de aptidão, cuja existência será mais duvidosa se todas as crianças forem submetidas exactamente às mesmas influências, do que se as diferenças paternais puderem afectá-las."


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