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sexta-feira, 8 de maio de 2009

James Conroy e o ensino doméstico

No Primary Review report [abre pdf] sobre o futuro do currículo da primária, há um capítulo sobre o ensino doméstico (começa na página 10) onde James Conroy, um professor de educação na Universidade de Glasgow que tem pesquisado extensivamente o ensino doméstico, diz:
"Um grupo substancial e cada vez maior é formado por aqueles que abandonaram o ensino formal devido à crença de que este, como resultado dos imperativos da performatividade e das imposições feitas pelo currículo, é demasiado limitado no que toca ao cultivo da imaginação.

Neste grupo encontram-se pais que desejam ver maior ênfase nas actividades estéticas e culturais, assim como aqueles que querem que a aprendizagem ocorra de uma forma natural."
Em poucas palavras, esta passagem explica a abordagem da aprendizagem autónoma (unschooling). Outro trecho do mesmo relatório revela que o Prof. Conroy estudou as pesquisas feitas nos E.U.A. sobre esta questão:
"Apesar das mais variadas diferenças de filosofia, perspectiva e prática (que encontramos nas famílias que assumem total responsibilidade pela educação e instrução dos filhos), desde as que seguem o currículo nacional rigorosamente àquelas cuja abordagem faz Summerhill parecer um modelo tradicional de retidão pedagógica, o ensino doméstico parece oferecer consistentemente às crianças uma experiência educacional mais eficaz, mesmo quando medida pelos padrões da performatividade normativa. Uma constante no meio de tanta complexidade é o desempenho muito superior à média das crianças educadas em casa quando comparado ao de outras crianças da mesma idade na população em geral.

O estudo de Rudner (1999) mostra que as crianças educadas em casa que estão nos anos 1-4 desempenham em média um ano mais elevado do que as que frequentam os mesmos anos em escolas públicas e privadas.
E para que não pensem que isto é um efeito do afecto que recebem da família durante esta tenra idade e que irá dissipar numa fase mais tardia do desenvolvimento educacional da criança, é notório que a diferença no desempenho aumenta à medida que os alunos avançam, e aumenta de tal modo que no 8º ano essas crianças estão 4 anos acima da média nacional dos E.U.A."

A conclusão começa deste modo:

"Ao considerarmos a elaboração do currículo para o futuro,
existem várias características marcantes do paradigma do ensino doméstico que são de interesse."


Para terminar deixo-vos as palavras do Prof. Conroy neste artigo sobre a actual revisão do ensino doméstico no Reino Unido:
"Vocês estão começando com a premissa de que alguns pais podem estar a usar o ensino doméstico como cobertura de abuso e exploração. Mas poderiam afirmar o mesmo em relação a todas as escolas residenciais (internatos) no país. Há uma série de abusos que acontecem nos estabelecimentos de ensino. Quererá isto dizer que devemos acabar com as escolas residenciais? Absolutamente não."
E:
"O perigo de minar os pais através de uma cultura de desconfiança é politica e socialmente prejudicial. É bizarro patologizar os outros apenas por serem outros."

2 comentários:

Pequete disse...

Obrigada por mais esta série de textos tão interessantes.
E parabéns pelo novo aspecto do blog, ficou muito bonito!

Paula Peck disse...

Olá Pequete!

Há tantos textos interessantes para traduzir, pena não ter mais tempo...