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sábado, 30 de maio de 2009

O Mundo de Sofia

é um livro que vale a pena ler. Aqui ficam uns parágrafos. Se gostarem, podem ler o livro na internet, aqui.

"Na escola, tornava-se-lhe difícil concentrar-se no que o professor dizia. Achou que ele falava apenas de coisas sem importância. Porque é que ele não falava antes acerca do que é um ser humano - ou do que é o mundo, e qual fora a sua origem?

Experimentava uma sensação que nunca experimentara antes: na escola e por toda a parte as pessoas ocupavam-se apenas com coisas fúteis. Mas havia questões importantes e difíceis, cuja resposta era mais importante do que as disciplinas normais da escola. Teria alguém respostas para estes problemas? De qualquer modo, Sofia achava mais importante refletir sobre eles do que aprender de cor os verbos irregulares.

A importância de desaprender

Sofia passeava pelo grande jardim. Procurava esquecer tudo o que aprendera na escola. O mais importante era esquecer o que tinha lido nos livros de ciências da natureza.

Se tivesse crescido naquele jardim, sem saber mais nada sobre a natureza, como é que veria a Primavera? Imaginaria uma explicação para o facto de, num certo dia, começar a chover? Inventaria uma explicação para compreender o facto de a neve desaparecer e o Sol despontar
no céu?


A pessoa mais sábia é a que sabe que não sabe

Mais sábia que quem? Se o filósofo queria dizer com isso que uma pessoa que sabia que não sabia tudo era mais sábia do que uma que sabia pouco e que pensava que sabia muito - sim, nesse caso não era muito difícil partilhar a sua opinião. Sofia nunca tinha pensado nisso. Mas quanto mais pensava, mais claro lhe parecia que, no fundo, saber que não se sabe é uma espécie de saber. Ela não conseguia imaginar nada mais estúpido do que pessoas que defendiam opiniões que julgavam irrefutáveis, quando, na realidade, nada sabiam sobre isso.

Em seguida, havia a frase sobre o conhecimento que vinha de dentro. Mas, sem dúvida, todo o conhecimento vinha primeiro do exterior passando depois para a cabeça das pessoas. Por outro lado, Sofia lembrava-se bem de situações em que a sua mãe ou os professores, na escola, tinham tentado ensinar-lhe qualquer coisa em que ela não estava interessada. Se aprendera de fato alguma coisa, também tinha, de algum modo, contribuído para isso. Podia acontecer-lhe compreender algo subitamente - e era isso que era designado por "saber".

Sócrates e o desejo de não ensinar


O que distinguia, na verdade, a actividade de Sócrates era o seu desejo de não ensinar os homens. Em vez disso, parecia querer ele mesmo aprender com o seu interlocutor. Assim, não ensinava como um vulgar professor de escola: dialogava.

- Ultimamente, andas com a cabeça nas nuvens, Sofia.
Sofia respondeu sem refletir:
- Passava-se exatamente o mesmo com Sócrates!
- Sócrates?
A mãe esbugalhou os olhos.
-Que pena ter de o pagar com a vida - continuou Sofia muito pensativa.
- Sofia! Já não sei o que hei-de fazer!
- Sócrates também não. A única coisa que ele sabia era que não sabia nada. E, no entanto, era o homem mais sábio de Atenas. A mãe ficou pura e simplesmente estupefata. Por fim, afirmou:
- Aprendeste isso na escola?
Sofia abanou energicamente a cabeça.
- Aí não aprendemos nada... A grande diferença entre um professor e um verdadeiro filósofo é que o professor acha que sabe muito, e procura constantemente colocar à força na cabeça dos alunos aquilo que sabe. O filósofo procura ir ao fundo das questões com os seus alunos.

Darwin: o rapaz que dizia bobagens e não fazia nada de útil

Vamos começar pelo próprio Darwin. Nasceu em Shrewsbury em 1809. O seu pai, o doutor Robert Darwin, era um médico conhecido e foi muito severo na educação do filho. Quando Charles freqüentava a escola superior de Shrewsbury, o reitor descreveu-o como um rapaz que vadiava e dizia bobagens, sem fazer nada de útil. Por útil, entendia ele o estudo dos verbos gregos e latinos. E quando falava de vadiar pensava no facto de Charles coleccionar todo o tipo de coleópteros.
- Deve ter-se arrependido dessas palavras.
- Ainda durante o seu curso de teologia, Darwin já se interessava mais por aves e insectos que pelos estudos.
Por isso, não fez nenhum exame em teologia com boa nota.

Podem ler o livro na internet, aqui.

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