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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Aprendizagem autónoma

A necessidade de autonomia na aprendizagem está a tornar-se cada vez mais óbvia, pelo menos a nível universitário, e até já existem cursos onde se pode aprender a ensinar a aprender autonomamente. Primeiro pensei: "Que disparate!" Depois pensei: "Que tristeza!", porque embora a aprendizagem autónoma seja algo completamente natural e intuitivo para todos os free range learners que cresceram fora do sistema educacional, a verdade é que os professores universitários têm de lidar com os produtos da escola, com mentes que foram escolarizadas de tal modo que só sabem aprender aquilo que lhes é posto no prato.

Para quem teve a oportunidade de aprender fora da escola, cursos sobre a aprendizagem autónoma não fazem sentido. No unschooling, por exemplo, a autonomia na aprendizagem existe à partida devido à ausência do seu maior obstáculo - a escola, considerada como a principal causa da dependência intelectual, o exacto oposto da autonomia!

John Gatto explica este fenómeno: "A quinta lição que eu ensino é a dependência intelectual. Os bons alunos esperam que o professor lhes diga o que fazer. Esta é a lição mais importante, que nós devemos esperar que outras pessoas, com mais estudos do que nós, nos digam o significado das nossas vidas. O profissional toma todas as decisões importantes; só ele pode determinar o que devemos estudar, isto é, só as pessoas que pagam o profissional podem tomar as decisões que ele depois enforça.

Como professor, este poder de controlar o pensamento das crianças deixa-me separar os estudantes bem sucedidos dos falhanços muito facilmente. As crianças bem sucedidas pensam o que eu lhes digo para pensar com o mínimo de resistência e uma demonstração decente de entusiasmo. Dos milhões de coisas de valor a estudar, eu é que decido o pouco que devem aprender no tempo disponivel, ou seja, quem decide é quem me paga o ordenado. A escolha nem sequer é minha, por isso nem vale a pena reclamar. A curiosidade não tem nenhum lugar importante no meu trabalho, apenas o conformismo."


Para as mentes escolarizadas, o processo do desenvolvimento da autonomia na aprendizagem é o de desaprender estes hábitos de conformismo e dependência intelectual e de começar a fazer outro tipo de perguntas, como "qual é a finalidade do conhecimento?" e "estamos a educar para quê?" Para sobreviver e ganhar a vida? Para impressionarmos os outros com os títulos que adicionamos ao nosso nome? Para diminuirmos a nossa insegurança? Para obtermos uma espécie de “seguro de vida”? Para obtermos poder e controle? Como uma maneira de manter o status quo? Para continuarmos a justificar sentimentos de superioridade e divisões de classes?

Nós estamos aqui por tão pouco tempo. A vida é curta e passa depressa. Que tal educar para a felicidade, aprender a ser feliz? De onde é que vem a felicidade? Da acumulação de informação? De uma licenciatura? De um mestrado? De um doutoramento? Ou da inteligência emocional e espiritual? Que bom que seria se deixássemos de desperdiçar o nosso tempo e compreendessemos a enorme diferença que existe entre o conhecimento e a sabedoria...

2 comentários:

P e M disse...

"Aprendizagem autónoma"

Ao ler este post dei-me conta de que é o que eu ando a fazer neste momento.

Custo-me de início, mas agora tem sabido muito bem...

Beijinhos.

;o)

Paula disse...

Sim, de início não é fácil, é um pouco como remar contra a maré.

Beijinhos e obrigada pelo comentário!