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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Economia da generosidade II - Freeconomy

Hoje vou falar da visita a Eastside Roots, uma cooperativa com fins não lucrativos fundada pelo grupo de Permacultura de Bristol.

É um projecto interessante, organisado pela comunidade para a comunidade, de renovação de uma zona abandonada situada à beira de uma estação de comboios. As pessoas reuniram-se e depressa transformaram o espaço num centro de jardinagem, horticultura e várias outras coisas, aberto a todos, incluindo aos que querem partilhar aquilo que sabem, o que me leva ao motivo que levou à visita do local.

Como sabem eu sou fã da economia da generosidade. Há vários nomes para o movimento: economia alternativa, economia solidária, etc. E ontem, Mark Boyle, fundador da freeconomy community, foi ao Eastside Roots falar sobre a economia grátis, e explicar como é que ele consegue viver sem dinheiro e a filosofia por trás da decisão.

Freeconomy, ou economia grátis, é ainda mais radical do que os outros sistemas alternativos, que se baseiam em trocas, em que se dá mas com a expectativa de receber algo em troca. Aqui a ideia é dar sem expectativas, dar apenas pelo prazer de dar. É um movimento baseado no ideal de pay it forward, como no filme Favores em Cadeia (no Brasil, Corrente do Bem), em que se eu te fizer um favor e quiseres retribuir, então eu peço-te para ajudares alguém que esteja precisando de ajuda.

Marc tem um background em economia e gestão de empresas mas quando arranjou um emprego numa fazenda orgânica (agricultura biológica) a sua vida mudou. Começou a ficar consciente da devastação ecológica e humana causada pelo consumismo e pela busca do lucro. E quando se apercebeu dos malefícios do capitalismo, da globalização e do sistema monetário, resolveu seguir o exemplo de Gandhi e fazer da sua vida a sua mensagem. Há 7 meses que vive sem dinheiro, ajudando sempre que pode e confiando que as suas necessidades serão satisfeitas.

E como o tema principal deste blogue é o ensino doméstico não posso deixar de mencionar a faceta educativa, porque tanto Eastside Roots como Bristol Freeconomy Community organisam "aulas" semanais, completamente grátis, abertas a todos, dadas gratuitamente por quem as quiser dar.

E para acabar, um link: o filme La Belle Verte.

6 comentários:

Pequete disse...

É uma ideia antiga (pregada por Jesus, pelos Franciscanos), sempre actual e cada vez mais difícil de pôr em prática. Mas podemos sempre tentar caminhar no bom sentido... Precisamente, tenho andado desde ontem a pensar em dinheiro e em formas de encontrar um balanço entre o tempo que dedicamos ao trabalho (para ganhar o tal dinheiro necessário) e o que dedicamos a nós próprios e aos nossos... Este teu post veio mesmo a propósito!

Paula disse...

Heidemarie Schwermer, ex-professora e psicoterapeuta alemã, vive há 12 anos sem dinheiro.

Podes vê-la neste video (6mns).

P e M disse...

"explicar como é que ele consegue viver sem dinheiro e a filosofia por trás da decisão"

Seria um workshop que eu gostaria de ter assistido!

Obrigada, Paula.

;o)

Paula disse...

Já há muita gente a aperceber-se que viver para trabalhar é desperdiçar a vida, principalmente quando não trabalham por vocação - que deve ser a grande maioria!

É um processo gradual:
1) viver para trabalhar,
2) trabalhar para viver,
3) viver sem trabalhar

Bem, estou a usar a palavra trabalho para o trabalho remunerado... um pouco como as pessoas geralmente usam a palavra educação para o sistema de ensino...

P e M disse...

"principalmente quando não trabalham por vocação - que deve ser a grande maioria!"

Estou actualmente a tentar decidir o que fazer: ir para um trabalho que no passado (até) me pagava bem, mas que eu sentia que não tinha vocação nenhuma ou enveredar por algo (que ainda não sei o que é, pois tenho muitos interesses e isso é um pouco complicado por cá) "alternativo", mas que seguramente irei gostar mais...

:|

Paula disse...

Também há quem tente conciliar as duas coisas, fazendo um part-time qualquer para financiar a sua verdadeira vocação. O que há mais por aqui são artistas a trabalhar part-time em pubs e restaurantes para se poderem dedicar à arte o resto do tempo.

Fernando Pessoa também trabalhava part-time como correspondente estrangeiro em escritórios comerciais e isso permitia-lhe passar o resto do tempo escrevendo e dedicando-se aos seus interesses. Ele próprio dizia que "o ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação."