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sábado, 13 de junho de 2009

Protecção de menores em risco na escola

Mais um caso do ensino doméstico como mecanismo eficaz de protecção de crianças e jovens em risco na escola: uma estória sobre a síndrome de asperger, bullying e violência escolar.

A tradução é livre. Podem ler o original, em inglês, aqui.

"Quando, aos 9 anos de idade, Callum começou a ser vítima de bullying e violência escolar, nada disse a ninguém. Callum tem a síndrome de Asperger; para ele, comunicar o que se estava passando na escola era simplesmente impossivel.

Em vez disso, perdia o controle e atacava os agressores; não imediatamente; às vezes, dias após o ataque. Os professores não compreendiam as suas dificuldades e tratavam as suas acções como ataques não provocados.

Sua mãe, Sheila, diz que Callum vivia aterrorizado da maior parte das situações, escondendo-se debaixo das mesas sempre que aparecia alguém que não conhecia. Chorava e implorava que não lhe mandassem para a escola.

"Chegou a altura em que já não dava para continuar", disse ela. "Para mim, forçá-lo a continuar a frequentar a escola seria uma forma de abuso - eu estaria a maltratá-lo se o enviasse para lá."

Para Callum, a escola é "o pior lugar do mundo. Nunca mais!"

Diz-nos que a escola primária também foi uma enorme desilusão: "Só lembro de que a escola não me proporcionava o ambiente e a segurança que precisava. Quando eu era atacado, eu defendia-me, mas quem viam como culpado era sempre eu."

Sheila diz que, apesar dos seus pedidos e esforços, o programa de apoio a Callum não foi continuado quando mudou de escola. Procurar uma outra escola não era opção, por isso Sheila, exausta da luta diária de levar o filho para a escola, resolveu tentar o ensino doméstico.

Teve muito que aprender - sem experiência prévia, admite que no início fazia "escola em casa". Mas gradualmente apercebeu-se que podia seguir os interesses do filho. Agora, 2 anos depois, Callum perdeu o medo das pessoas e sente-se à vontade na companhia delas.

Quando à aprendizagem, nos dias em que Callum está mais disposto a falar Sheila usa o diálogo, e debruçam-se sobre vários temas de uma forma mais espontânea, menos estruturada.

Como muitos jovens com a síndrome de Asperger, ele tem um interesse enorme por certas coisas - especialmente automóveis. Todos os interesses são aproveitados na aprendizagem. Como Callum adora tudo que seja relacionado com a água, Sheila organisou um projecto sobre a água que incorpora temas de geografia, ciência e ecologia.

Sheila disse que a Direcção Regional de Educação foi favorável em relação à transferência para o ensino doméstico. Receberam uma visita de um funcionário da DRE na altura em que começaram a praticar o ensino doméstico mas não tiveram outras visitas desde então. Sheila está convencida de que isso não deixa as crianças educadas em casa em risco:

"A maioria dos pais opta pela educação domiciliar para o benefício dos filhos, que tiveram uma experiência desastrosa na escola. É altamente improvável que, ao educá-los em casa, os estejam colocando numa situação de risco - o que se passa é precisamente o contrário; os pais acabam por transferir os filhos para o ensino doméstico precisamente para salvá-los dos maltratos que sofrem na escola!"

5 comentários:

*Lisa_B* disse...

Querida Paula,
exactamente nós pais de crianças e jovens em risco na escola optamos pela permissão do ensino doméstico que infelizmente e apesar de legislado é recusado desde logo pela escola como fizeram comigo.

Irei dando noticias logo que as tenha do processo do meu filho em tribunal devido à sua tentativa de suicidio na escola e que eu impedi atempadamente e hoje como alvo de acusação de negligência de saúde visto que a escolaridade obrigatória terminou este ano para ele...pegaram pela parte de saúde a ver se me dão incapacidade e ficam com a tutela dele e não eu.

Continuarei por cá...

Beijinhos

P e M disse...

" exausta da luta diária de levar o filho para a escola"

Pois, com a minha filha passasse o inverso: quando a vou buscar à escolinha dela, ela já me levou uma hora para entrar no carro... entre dar um pouco da bolacha dela às "micas" (tradução, formigas), ver os "aiões" (aviões), os cães, os "piupius" (pássaros), etc e tal... quando finalmente chego a casa estou exausta....

Beijos

Paula disse...

P & M, que bom que a tua filha está a gostar da escolinha!

Paula disse...

Lisa_B,

Vai dando notícias. Penso em vocês muitas vezes e espero que esse pesadelo acabe depressa e acabe bem.

Beijinhos

P e M disse...

"P & M, que bom que a tua filha está a gostar da escolinha!"

Pois... eu é que não ando a gostar nada...

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Mas tenho de conciliar "os meus gostos", com as minhas posses e com os gostos da minha filha... e por vezes não é nada fácil...