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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Citações - Rubem Alves

"Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos - mas esqueci. Nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore, ou para o curioso das simetrias das folhas.

Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos olhassem decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam. As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.

Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. O acto de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente."

5 comentários:

P e M disse...

"Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. O acto de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente."

Paula,

desculpa-me, mas eu tenho de discordar... ao ir vendo o mundo nos olhos da minha filha tenho visto coisas que nunca me passou pela cabeça ver...

Ontem a minha filha tinha uma amiguinha que estava a fazer uma birra daquelas e foi posta do lado de fora da sala (quando eu cheguei)... Quando eu e a minha filha chegamos a casa, ela disse-me: "Maiana (a amiguinha dela chama-se Mariana)" e depois pus-se a pensar, de seguida olhou com uns olhos tristes para mim e disse "casa". Eu olhei para ela e perguntei: "A Mariana... está com saudades de casa?" e ela pensou um pouco e depois disse que sim com a cabeça...

O acto de ver da minha filha (e das outras crianças) é a coisa mais natural que elas têm, o problema (quanto a mim) reside no facto que nós aprendemos a falar e somos (muitas vezes) ensinados a "mentir" ou a ocultar o que verdadeiramente vemos e sentimos... va-mo-nos afastando pouco a pouco da nossa essência mais pura...

Paula disse...

Talvez ele se esteja referindo a adultos e crianças mais velhas que perderam essa qualidade natural e precisam de a re-aprender...

A tua filha ainda não perdeu a visão, a empatia nem a sua humanidade: viu o sofrimento da amiguinha, a injustiça da situação e sentiu a tristeza dela.

Como dizes, somos ensinados a nos afastarmos da nossa essência... é triste mas, por outro lado, há cada vez mais consciência da natureza destrutiva do processo de alienação escolar e o número de pessoas buscando e criando alternativas é cada vez maior.

P e M disse...

"A tua filha ainda não perdeu a visão, a empatia nem a sua humanidade: viu o sofrimento da amiguinha, a injustiça da situação e sentiu a tristeza dela.

Como dizes, somos ensinados a nos afastarmos da nossa essência... é triste mas, por outro lado, há cada vez mais consciência da natureza destrutiva do processo de alienação escolar e o número de pessoas buscando e criando alternativas é cada vez maior."

Pois, e há alguns "crescidos" que também ainda não sofreram "este processo de alienação" (gosto de pensar que sou uma delas). Pois eu baixei-me e estive a falar com a Mariana, ela sempre a chorar (faz-me confusão o choro), só parou quando eu olhei para dentro da lancheira da minha filha e disse que não estava nada... ela depois quis ver e disse: "Ná nada, oh, fugiu"...

"o número de pessoas buscando e criando alternativas é cada vez maior."

Pois é, mas (por vezes) ainda é tão complicado.

P e M disse...

"Pois, e há alguns "crescidos" que também ainda não sofreram "este processo de alienação" (gosto de pensar que sou uma delas)."

Ou então, "já sofreram este processo de alienação", mas entretanto voltaram às origens...

E penso, que é este, o meu caso!

;o)

Paula disse...

Ou então, "já sofreram este processo de alienação", mas entretanto voltaram às origens...

É isso mesmo, esse é o caso para a maioria de nós. Perdemo-nos durante esse longo processo de domesticação (há quem lhe chame "socialização") a que somos submetidos mas acabamos por nos reencontrar...