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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Como a escola destrói a saúde mental

Como psiquiatra e sociólogo, eu examino a sociedade como um médico examina seu paciente. Uma das doenças mais perturbantes que encontro é o nosso sistema escolar que sem se aperceber prejudica a maioria dos alunos.

Estou completamente convencido que o nosso sistema escolar é a causa principal dos problemas sociais enfrentados actualmente pela nossa sociedade. Dinheiro não seria necessário para a resolução deste problema.

Falando a partir da perspectiva da psiquiatria, os nossos atributos mentais mais importantes incluem emoções, julgamento, senso de prioridade, empatia, consciência, relacionamentos interpessoais, auto-estima, identidade, independência, capacidade de concentração e toda uma série de outras funções do cérebro difíceis de descrever. Vou agrupar todos estes atributos sob o termo plena atenção. O nível de compreensão da leitura, a habilidade matemática e os resultados de testes padronizados encontram-se muito mais abaixo na lista de prioridades.

Há um salto enorme na incidência de doenças mentais imediatamente após as crianças começarem escola, o que sugere que algo no sistema escolar está em directo conflito com a psique humana. Com a reestruturação das nossas escolas, muitas dessas doenças poderiam ser evitadas. Vou mostrar-vos como.

Primeiro, temos de ultrapassar a nossa insistência obsessiva de que a aprendizagem de certas coisas deve ser feita a determinada altura. Todos nós temos uma personalidade que é única e todos aprendemos a um ritmo diferente. Algumas pessoas estão prontas para aprender a ler aos 3 anos de idade enquanto outras podem estar mais preparadas para fazê-lo aos 10 anos de idade. Nas escolas, nós forçamos os estudantes a"comer" matérias, não nos apercebendo que eles aprendem muito mais depressa e eficazmente se estiverem receptivos e ansiosos por aprender. As crianças conseguiriam dominar as noções básicas de leitura, escrita e aritmética muito mais depressa se lhes deixassem aprender o que elas querem aprender na altura em que elas querem aprender.

Antes de 1850, a escolaridade (da forma como actualmente compreendemos a expressão) - não era considerada fundamental para o desenvolvimento das mentes dos jovens . Algumas crianças frequentavam escolas, mas só pelo tempo que queriam.

Educação em salas de aula não era obrigatória. No entanto, as crianças aprendiam a ler, escrever e fazer contas. E mais, o gabinete do senador Kennedy libertou uma vez um documento demonstrando que antes da implementação do ensino obrigatório a taxa de alfabetização era de 98% e que posteriormente nunca excedeu os 91%.

Obrigar as pessoas a aprender é extremamente prejudicial. Testes, notas, avaliações, exames, competição e trabalhos que nunca mais acabam estão no cerne dos problemas que infectam as nossas escolas. A motivação para aprender deve vir de dentro do aluno. Muitas vezes, ficamos tão preocupados em cumprir as exigências dos outros que acabamos por não saber o que sentimos e quem somos. Eu tenho trabalhado com inúmeros indivíduos que, embora intelectualmente bem desenvolvidos, perderam totalmente o contacto com o seu verdadeiro eu.

Todas as crianças são naturalmente curiosas e adoram aprender. Antes de frequentarem a escola e serem submetidas a esse processo de coerção, as crianças conseguem aprender uma linguagem complexa (em famílias bilíngues, dois idiomas) e uma quantidade enorme de coisas sobre o seu ambiente.

Não há razão para pensarmos que essa aprendizagem não continuaria, sem os efeitos negativos da rigidez institucional e das avaliações constantes que parecem constituir a base da educação actual. Em vez de dificultarmos o crescimento dos nossos filhos, deveríamos proporcionar um ambiente que os vai nutrir e facilitar a aprendizagem contínua.

Shaun Kerry, M.D. Diplomata, American Board de Psiquiatria e Neurologia 2-04-2007

Original aqui.

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