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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ensino doméstico no Canadá II

Lembrando os tempos do unschooling

Kate Cayley cresceu sem escola, aprendendo de uma forma natural e informal, sem qualquer estrutura. Hoje é escritora, professora e directora teatral. Aqui, ela reflete sobre a sua experiência de aprendizagem fora de instituições formais e sobre a importância de estimular a diferença e individualidade. A entrevista foi gravada pela Radio Free School, em Toronto, em 2007.



"No ensino doméstico há um modelo, não que seja um mau modelo, mas que tende a replicar a escola, em que há um currículo fixo e certas coisas a aprender, enquanto que nós não seguimos nenhuma estrutura.

A minha memória talvez seja romantizada mas pelo que me lembro, ensinaram-me a ler e deixaram-me em paz... não que não tivesse recebido bastante orientação, é óbvio que recebi. Os meus pais estavam muito envolvidos, mas a ideia era de que quando alguém desenvolve um grande interesse numa certa área ela vai aprender tudo que precisa aprender sobre isso.

Acho que é muito interessante refletir que a aprendizagem é um processo individual e que se nós soubermos qual é a nossa paixão, mesmo se não soubermos um bocadinho de uma série de outras coisas, talvez isso seja muito mais interessante e muito melhor para a sociedade, no sentido do desenvolvimento da individualidade através da educação.

O modelo da escola parece ser preparar as pessoas para viverem num sistema durante a vida toda e acho que isso destrói por completo qualquer tipo de pensamento independente.

Sinto que há uma grande paranoia educacional à volta da ideia de que se as pessoas não aprenderem os requesitos do currículo obrigatório elas vão perder algo essencial. Mas não, essa é a grande mentira que está a ser propagada às pessoas, que se não seguirem o sistema de ensino haverá um grande vazio nas suas vidas. Acho que todos estes modelos do Estado estão limitando a possibilidade da liberdade e que o desenvolvimento social, artístico e político está sendo espezinhado devido aos níveis cada vez maiores de padronização.

Desde os 13 anos que tenho uma paixão pelo teatro. Li imenso sobre isso e também trabalhei voluntariamente como assistente de stage management quando tinha 14, 15 anos.

Conversávamos imenso. Tinha conversas incriveis com os meus pais e outras pessoas. Ivan Illich era amigo dos meus pais e costumávamos ir aos colóquios que ele organizava. Esse foi o período entre os meus 10 e 13, 14 anos. Ficava sentada nas escadas com um livro, meio a ler, meio a ouvir, e era incrível, aquele ambiente vitoriano, de algo que parecia ser de uma época diferente.

A minha mãe tinha jeito para sugerir projetos. Dizia-me, se estás mesmo interessada nesta ou naquela área, lê tudo que encontrares sobre isso e depois escreve sobre o que leste e descobriste.

Viver na cidade foi muito interessante porque quando era um pouco mais velha explorava bastante. Os meus pais encorajavam-me e eu lá ía descobrir áreas diferentes da cidade, com os meus amigos ou sozinha.

Foi muito interessante quando entrei para a universidade porque muitas pessoas que lá conheci, embora se tivessem divertido, estavam profundamente esgotamentas por terem andado na escola há tanto tempo, alguns desde os 3 anos. Estou convencida que se as pessoas não estivessem num sistema de ensino padronizado retirariam mais, e não menos, do ensino pós-secundário."

A primeira parte, exemplificando um modelo mais estruturado do ensino doméstico, está aqui.

1 comentário:

Ak Sağlık disse...

foi um artigo que eu gostava. Obrigado por compartilhar.
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