"Digo que os estudantes não deveriam encenar a vida, ou simplesmente estudá-la, enquanto a comunidade os sustenta nessa dispendiosa brincadeira, mas seriamente vivê-la do começo ao fim. Como poderiam os jovens aprender melhor a viver senão tentando a experiência da vida de uma vez por todas? Parece-me que isso lhes exercitaria a mente tanto quanto a matemática. Se eu quisesse, por exemplo, ensinar a um garoto arte e ciências, não faria o que costumam fazer, isto é, mandá-lo à escola, onde se professa e se pratica tudo menos a arte de viver, onde o garoto vai observar o mundo através de telescópio ou microscópio e nunca a olho nu; onde vai estudar química e não aprender como é feito o pão, ou mecânica e não saber como é obtida; onde vai descobrir novos satélites de Desuno e não vai ver os cargueiros nos próprios olhos, ou de que vagabundo ele mesmo é um satélite; onde vai ser devorado por monstros que enlameiam a seu redor enquanto contempla monstros numa gota de vinagre.Quem, ao fim de um mês, teria aprendido mais, o garoto que fez sua própria faca de bolso do minério que escavou e fundiu, lendo apenas o necessário para isso, ou o que freqüentou aulas de metalurgia no instituto e nesse meio tempo ganhou do pai um canivete Foges? Qual dos dois correria mais risco de cortar os dedos? Para perplexidade minha fui informado ao deixar a faculdade que havia estudado navegação! Ora, se eu tivesse dado uma bolinha pelo porto, conheceria melhor o assunto. Mesmo o aluno pobre estuda e lhe é ensinado apenas economia política, enquanto aquela economia de viver, sinônima da filosofia, nem sequer é professada em nossas faculdades. O resultado disso é que o aluno ao mesmo tempo em que lê Adam Smith, Ricardo e Sai, faz com que seu pai se endivide irremediavelmente.
O que ocorre com nossas faculdades, ocorre com uma centena dos "progressos de hoje em dia"; há a ilusão a respeito deles; nem sempre há um avanço positivo."


3 comentários:
Adam Smith!!!
"Conheci"-o na Universidade, numa disciplina para lá de chata... o professor passava a aula a falar e nós a escrever... odiei aquilo, chamava-se... pois, nem o nome da disciplina consigo lembrar-me...
A única vez que vi utilidade nesta disciplina foi uma vez no Parlamento... que também não tenho uma opinião muito boa...
;o)
Incrivel, não é, como hoje em dia até nas universidades continuam seguindo um modelo de ensino tão obsoleto!
Mas também a minha Universidade já "foi à vida"...
Por outro lado, havia disciplinas que eu gostei muito: disciplinas "de números"! Em que eu andava com a cabeça às voltas por não dar o resultado pretendido e não desistia. Houve uma vez um problema matemático que me andou a chatear durante um fim de semana inteiro... mas lá o consegui resolver! E foi a alegria total, comigo aos pulos e a saltar pela casa toda!!!
;o)
p.s.: Obrigada por me fazeres lembrar este momento!
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