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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Thoreau - a escola ou a vida?

Trecho de Walden Ou a Vida Nos Bosques (abre livro), de Henry D. Thoreau, que pelos vistos se vivesse nos dias de hoje seria um grande defensor da aprendizagem autônoma, ou unschooling.

"Digo que os estudantes não deveriam encenar a vida, ou simplesmente estudá-la, enquanto a comunidade os sustenta nessa dispendiosa brincadeira, mas seriamente vivê-la do começo ao fim. Como poderiam os jovens aprender melhor a viver senão tentando a experiência da vida de uma vez por todas? Parece-me que isso lhes exercitaria a mente tanto quanto a matemática. Se eu quisesse, por exemplo, ensinar a um garoto arte e ciências, não faria o que costumam fazer, isto é, mandá-lo à escola, onde se professa e se pratica tudo menos a arte de viver, onde o garoto vai observar o mundo através de telescópio ou microscópio e nunca a olho nu; onde vai estudar química e não aprender como é feito o pão, ou mecânica e não saber como é obtida; onde vai descobrir novos satélites de Desuno e não vai ver os cargueiros nos próprios olhos, ou de que vagabundo ele mesmo é um satélite; onde vai ser devorado por monstros que enlameiam a seu redor enquanto contempla monstros numa gota de vinagre.

Quem, ao fim de um mês, teria aprendido mais, o garoto que fez sua própria faca de bolso do minério que escavou e fundiu, lendo apenas o necessário para isso, ou o que freqüentou aulas de metalurgia no instituto e nesse meio tempo ganhou do pai um canivete Foges? Qual dos dois correria mais risco de cortar os dedos? Para perplexidade minha fui informado ao deixar a faculdade que havia estudado navegação! Ora, se eu tivesse dado uma bolinha pelo porto, conheceria melhor o assunto. Mesmo o aluno pobre estuda e lhe é ensinado apenas economia política, enquanto aquela economia de viver, sinônima da filosofia, nem sequer é professada em nossas faculdades. O resultado disso é que o aluno ao mesmo tempo em que lê Adam Smith, Ricardo e Sai, faz com que seu pai se endivide irremediavelmente.

O que ocorre com nossas faculdades, ocorre com uma centena dos "progressos de hoje em dia"; há a ilusão a respeito deles; nem sempre há um avanço positivo."

3 comentários:

P e M disse...

Adam Smith!!!

"Conheci"-o na Universidade, numa disciplina para lá de chata... o professor passava a aula a falar e nós a escrever... odiei aquilo, chamava-se... pois, nem o nome da disciplina consigo lembrar-me...

A única vez que vi utilidade nesta disciplina foi uma vez no Parlamento... que também não tenho uma opinião muito boa...

;o)

Paula disse...

Incrivel, não é, como hoje em dia até nas universidades continuam seguindo um modelo de ensino tão obsoleto!

P e M disse...

Mas também a minha Universidade já "foi à vida"...

Por outro lado, havia disciplinas que eu gostei muito: disciplinas "de números"! Em que eu andava com a cabeça às voltas por não dar o resultado pretendido e não desistia. Houve uma vez um problema matemático que me andou a chatear durante um fim de semana inteiro... mas lá o consegui resolver! E foi a alegria total, comigo aos pulos e a saltar pela casa toda!!!

;o)

p.s.: Obrigada por me fazeres lembrar este momento!