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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Aprendizagem Conversational ou Dialógica

Este post é a continuação deste. O início desta série está aqui.

Bruner (1990) descreve a pedagogia como uma "extensão da conversa". Se há um aspecto da aprendizagem informal no ensino doméstico ( educação domiciliar no Brasil) que sobressai acima todos os outros, comum com a aprendizagem informal dos bebés e adultos, é a conversa. À primeira vista, a maior parte da conversa ocorre no contexto social do dia a dia e é do tipo que passa normalmente despercebido. Mas a quantidade de oportunidades de aprendizagem contida neste tipo de conversa é surpreendente, especialmente porque a conversa é entre uma criança (ou adolescente) e um adulto, cujo conhecimento do mundo e de como descobrir sobre as coisas é obviamente muito maior.

É óbvio que a conversa informal, principalmente em contexto social, não segue qualquer sequência lógica ou linear. É difícil de entender o que leva de um tema a outro, mas é assim que ocorrem as conversas mais naturais. A questão é que (a aprendizagem conversacional) é natural. Tal como em qualquer conversa, quando uma pessoa sabe menos do que a outra sobre o tema que surgiu espontaneamente, ela vai, muito provavelmente, aprender com a outra. Uma pessoa explicar algo a outra é parte natural da conversa. Isto não é "ensinar", no sentido comum da palavra. É simplesmente contribuir para o fluir normal da conversa, oferecendo conhecimentos e respondendo a perguntas.

Obviamente nem tudo ficará gravado na memória, e grande parte será esquecido. Mas isso não é importante. O importante é que algumas coisas vão ser lembradas, e podem vir a ser investigadas noutra altura, mais tarde. Aprender desta forma não é considerado "trabalho" no contexto escolar. É aprender sem saber que se está aprendendo, como se por osmose, como estes dois pais observaram:
A maior parte da educação que dou é falando com eles. É assim que eu faço, na maior parte ... As perguntas que me fazem são, com frequência, de uma enorme profundidade (p. 69).

Tomam o pequeno almoço e depois não param de conversar, conversam o tempo todo. Isso ajuda-lhes a desenvolver ideias (p. 69).
Continua aqui.

5 comentários:

P e M disse...

" é a conversa."

Nem de propósito (é sempre assim, não é?)

A minha filha ADORA conversar e como fez 2 anos à pouco, ainda não sabe falar convenientemente bem; mas eu vou apanhando uma ou outra palavra e nós temos conversado muito. Não como mãe e filha ou com alguma superioridade da minha parte, mas antes de igual para igual. E quando eu não entendo ou não quero entender (por alguma razão) digo-lhe: "A mamã não entende" e ela aceita.

[A primeira "muquica" (tradução: música) que ela tentou imitar a letra foi uma música em inglês e a segunda em português (era uma música dos Xutos e Pontapés que dizia logo de início "... tua"), para além de dançarmos (e muito) as duas.]

Esta foi uma meta que eu me impus mesmo antes de saber que iria algum dia ficar grávida. Como na amamentação...

"É aprender sem saber que se está aprendendo, como se por osmose"

Exactamente!!!

;o)

Paula disse...

Ler essas coisas faz-me ficar com saudades desse tempo! Eles crescem tão depressa! O meu já vai a caminho dos 16 anos... Íncrivel!

P e M disse...

Paula,

estou que nem posso, e isto porque: a minha filha perdeu a MUKECA dela!!!

Hoje de manhã... só me apetecia chorar!!!

É verdade, eu sou a Patrícia (conhece-mo-nos na casa da Nat)...

;o)

p.s.: Qualquer dia escrevo o que é a mukeca... ou melhor, o que era... Nem quero imaginar quantas vezes é que a minha filha ouvi que não era mukeca que se diz, lá na escolinha dela...

Paula disse...

Ainda me lembro quando o meu chamava "ábot" às carochinas...

P e M disse...

"ábot" às carochinas...???

Realmente, as crianças lembram-se de cada associação que "nem lembra ao menino Jesus"...

"ábot"...

;o)

p.s.: E agora vou almoçar que a fome já aperta...