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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Aprendizagem informal e o ensino doméstico - conclusão

Este post é a conclusão da série que começou aqui.

Desde o nascimento, as crianças estão motivadas a aprender sobre a cultura que as rodeia, incluindo os aspectos culturais que exigem uma compreensão cognitiva. Durantes os primeiros anos os mediadores da maior parte dessa aprendizagem são os pais. Não há razão para este tipo de aprendizagem não continuar depois das crianças terem alcançado a “idade escolar”. Afinal, a essência da educação primária e do início da secundária não passa de conhecimentos comuns que são facilmente acessíveis, pelo menos para a maioria das crianças.

Não é possível, neste documento, fazer muito mais do que abordar superficialmente o que é um fenómeno extremamente complexo. A intenção é simplesmente chamar a atenção para o potencial da aprendizagem informal para os miúdos de idade escolar e inspirar um interesse pela sua pesquisa no futuro. Poderão haver implicações para o futuro desenvolvimento da escolaridade, mas há muitas outras coisas que precisam ser estabelecidas de antemão. Será que a aprendizagem informal é mais adequada a algumas crianças do que a outras? Será que a aprendizagem acontece espontaneamente ou será que os pais têm constantemente de tirar partido de todas as situações e transformá-las em fontes de aprendizagem?

Será que na verdade há ainda mais “ensino” directo do que na escola, só que transmitido de uma maneira muito súbtil? Até que ponto é que a aprendizagem auto-direccionada desempenha o seu papel, especialmente quando as crianças crescem e se tornam mais independentes? Em relação às crianças que frequentam a escola, até que ponto a aprendizagem informal fora da escola, em casa e na comunidade em geral, contribui para o sucesso escolar? E a um nível mais profundo, como é que os “bocados” de aprendizagem informal aparentemente não-relacionados entre si acabam por se transformar numa educação que é, na pior das hipóteses, tão boa como a que se adquire na escola?

Muito poucos educadores profissionais e, muito poucas pessoas em geral, esperariam que muita aprendizagem fosse acumulada a partir das experiências quotidianas que a vida tem para oferecer. Não há dúvida, porém, que as crianças em idade escolar que aprendem informalmente conseguem adquirir os conhecimentos e as competências académicas que, de outra forma, teriam de aprender na escola com muito esforço, pelo menos até os primeiros anos do ensino secundário. Eis o que nos disse uma mãe:

A escolarização não é um processo natural. Com um esforço enorme, muitos custos e por vezes muito sofrimento, tentam forçar o que aconteceria naturalmente (p. 128).


Thomas, A. (2002) 'Informal learning, home education and homeschooling', the encyclopaedia of informal education.

Dr. Alan Thomas ensina no Institute of Education, University of London. Também ensinou na Northern Territory University em Darwin, na Australia. Agora é Fellow da British Psychological Society.

Publicado com permissão do autor. © Alan Thomas 2002

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