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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Aprendizagem informal

Este post é a continuação daqui.

O estudo da aprendizagem informal é geralmente limitado aos adultos e jovens que acabaram recentemente a escola. O principal foco de interesse tem-se centrado na aprendizagem informal como meio de criar atitudes positivas em relação à educação, especialmente em pessoas que foram excluídas do sistema de ensino ou que tiveram más experiências na escola (Smith, 1999).

De uma maneira paralela e não muito diferente, o interesse pela aprendizagem informal na infância, geralmente sob a égide de parentalidade, tem sido tradicionalmente focalizado na forma em que os pais socializam os bebés a adoptar comportamentos culturalmente aprovados e ter atitudes positivas em relação à escola e à comunidade em geral quando um pouco mais crescidos (Collins, Harris & Susman, 1995).

Recentemente tem havido uma mudança em direcção a uma ênfase maior nos aspectos cognitivos da aprendizagem informal tanto de adultos como crianças pré-escolares. No que diz respeito aos adultos, algumas das ideias subjacentes a esta mudança de ênfase estão incluídas em reviews da aprendizagem informal (Smith, 1999; Sommerlad, 1999). De especial interesse é o conceito de "aprendizagem situada" (Lave, 1993). A ideia é que o aluno acumula conhecimentos gradualmente através de uma espécie de aprendizagem informal ao estar com pessoas especializadas ou que simplesmente têm mais conhecimentos.

Por exemplo, Lave & Wenger (1991) descrevem a forma como principiantes adquirem gradualmente competências e conhecimentos especializados, estudando em pormenor o processo dos homens do talho, parteiras, alfaiates e quartermasters. Carraher & Schliemann (2000) descrevem como carpinteiros experientes no Brasil, com pouca escolaridade, adquirem informalmente uma melhor compreensão dos conceitos matemáticos relevantes ao seu trabalho do que os aprendizes de carpinteiro matriculados em classes planeadas e concebidas especificamente para ensinar esses conceitos.

Gear, McIntosh & Squires (1994) mostram como a aprendizagem informal desempenha um papel significativo na aquisição de conhecimentos profissionais avançados em direito, engenharia, medicina e trabalho social. Cullen et al (1999) nota como a aprendizagem informal pode ser um efeito secundário de outra actividade, por exemplo, as pessoas envolvidas em acções comunitárias desenvolvem habilidades na escrita e adquirem competências de advocacia e tecnologias de informação.

Os bebés começam a aprender informalmente desde que nascem (ou até antes), principalmente através da interacção com a mãe e outras pessoas que deles cuidam. Conforme mencionado acima, parte disto é aprender comportamentos culturalmente corretos, por exemplo, a lidar com as emoções, interagir com os outros na família e na comunidade e adquirir valores e atitudes culturais. Só isto requer uma enorme quantidade de conhecimentos e know-how" (Cole, 1992; Super & Harkness, 1997).

Ainda mais impressionante são os entendimentos e as habilidades cognitivas aprendidas informalmente, incluindo a linguagem, literacia e numeracia básicas, o despertar da compreensão c ientífica, osentido de humor, regras de jogos e o começo da compreensão da moral. Como é que tudo isto é aprendido? Com excepção à linguagem, tem havido pouco interesse nos processos através dos quais esta aprendizagem realmente ocorre. A pouca pesquisa que existe tende a comparar diferentes estilos de parentalidade a fim de descobrir quais são os mais eficazes (por exemplo, Wood, 1986).

Como Trevarthen (1995) salienta, este tipo de pesquisa é baseado no "clássico pressuposto de que as crianças aprendem porque são ensinadas" (p. 97). Contudo, é cada vez mais aceite que a maior parte da aprendizagem cognitiva na primeira infância resulta da interacção muito mais informal entre os pais (ou outros adultos) e o infante, (interacção esta) na maior parte indiferenciada do sócio - cultural, ocorrendo através de conversas e actividades no dia a dia (Gauvain, 1995, 2000, Thomas, 1994).

Um exemplo simples seria aprender o significado de "metade" através de encontros fugazes com o conceito, partilhando uma barra de chocolate e comendo metade, ouvindo "estamos quase a meio do caminho", cortando um pedaço de papel ao meio, e assim por diante. Gradualmente o significado completo do conceito torna-se enraizado na psique da criança, sem qualquer consciência da ocorrência da aprendizagem.

Primeira parte aqui.

Continua...

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