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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Educar para a sustentabilidade

Educar para a simplicidade e para a quietude.

Nossas vidas precisam ser guiadas por novos valores: simplicidade, austeridade, quietude, paz, saber escutar, saber viver juntos, compartir, descobrir e fazer juntos. Precisamos escolher entre um mundo mais responsável frente à cultura dominante que é uma cultura de guerra, do ruído, de competitividade sem solidariedade, e passar de uma responsabilidade diluída a uma ação concreta, praticando a sustentabilidade na vida diária, na família, no trabalho, na escola, na rua.

A simplicidade não se confunde com a simploriedade e a quietude não se confunde com a cultura do silêncio. A simplicidade tem que ser voluntária como a mudança de nossos hábitos de consumo, reduzindo nossas demandas. A quietude é uma virtude, conquistada com a paz interior e não pelo silêncio imposto.

É claro, tudo isso supõe justiça e justiça supõe que todas e todos tenham acesso à qualidade de vida. Seria cínico falar de redução de demandas de consumo, atacar o consumismo, falar de consumismo aos que ainda não tiveram acesso ao consumo básico. Não existe paz sem justiça.

Diante do possível extermínio do planeta, surgem alternativas numa cultura da paz e uma cultura da sustentabilidade. Sustentabilidade não tem a ver apenas com a biologia, a economia e a ecologia. Sustentabilidade tem a ver com a relação que mantemos conosco mesmos, com os outros e com a natureza.

A pedagogia deveria começar por ensinar sobretudo a ler o mundo, como nos diz Paulo Freire, o mundo que é o próprio universo, por que é ele nosso primeiro educador. Essa primeira educação é uma educação emocional que nos coloca diante do mistério do universo, na intimidade com ele, produzindo a emoção de nos sentirmos parte desse sagrado ser vivo e em evolução permanente.

Trecho do livro Boniteza de um sonho, ensinar e aprender com sentido, de Moacir Gadotti

4 comentários:

RUTE disse...

Que texto magnifico Paula. Adorei as tuas palavras.

Beijinho muito grande!

Paula disse...

O texto é magnífico mas as palavras não são minhas, são de Moacir Gadotti.

Mudando de assunto, já ouviste falar dos freeganos? São completamente radicais quanto ao não desperdício da comida! Hei-de postar sobre eles no Viver sem Dinheiro...

Isabel de Matos disse...

Olá às duas! Por acaso a primeira vez que ouvi falar nos freeganos foi agora há pouco ao ler o livro que a Rute me emprestou, "Como Comemos" de Peter Singer e Jim Mason. Andam por aqui umas sincronicidades... ;)

Beijinhos
Isabel

Paula disse...

Náo podemos ignorar estas sincronicidades! Se quiserem já podem ler um post sobre o freeganismo aqui.