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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Famílias vêm à defesa do ensino doméstico

Os residentes de Brighton foram surpreendidos ao ver um grupo de crianças enchendo as ruas de bolhinhas de sabão.

Rapazes e raparigas de todas as idades, muitos vestindo t-shirts dizendo "O mundo é a minha sala de aulas e a vida é o meu currículo", participaram nesta campanha contra propostas do governo que podem vir a mudar a forma como aprendem.

Ali Moir, 44, ajudou a organizar o evento e disse:

Nós escolhemos bolhinhas de sabão porque parte do pretexto usado pelo Governo é que nós somos invisíveis, que vivemos escondidos da sociedade, por isso queriamos algo muito visual para mostrar que estamos aqui, bem à vista de todos, e que somos parte integral da comunidade. Além disso, as bolhinhas de sabão representam a infância e a liberdade. E é essa liberdade que os pais que educam em casa irão fazer o que podem para proteger.
As propostas do Governo poderiam dar às autarquias locais o poder de decidir a que pais dar autorização para educar os próprios filhos, de manter uma base de dados das famílias que optam pelo ensino doméstico e de entrar na casa das famílias e entrevistar as crianças à parte, sem a presença da mãe, do pai ou de um adulto de confiança.

Outra questão que preocupa muitos pais é que teriam de criar antecipadamente um plano anual para a educação dos filhos. Isso, dizem estas famílias, vai contra a maneira em que as crianças aprendem.

A Sra Moir, uma tradutora freelance que educa a filha Freya, 8, desde que ela nasceu, afirmou:

O que Freya aprende vem de dentro dela. Eu diria que 90% do que fazemos é seguir os interesses dela e apenas 10% vem de mim, dizendo "agora vamos experimentar isto". Sou orientada pelos interesses dela e o meu papel é o de organisar actividades que vão ao encontro desses interesses e fazer sugestões. Actualmente, por exemplo, Freya está lendo uma enciclopédia e gosta de estudar o atlas dela.

Estas propostas vão apenas fazer com que as pessoas pensem que o ensino doméstico é mais difícil do que é e seria uma pena se alguns miúdos continuassem a frequentar a escola ou começassem a lá ir quando seriam muito mais felizes se aprendessem em casa.
A Sra Moir acredita que é Freya que deve moldar o seu próprio futuro. E disse:
Se no futuro ela quiser fazer exames ou ir para a escola nós daremos-lhe todo o nosso apoio.

Nic Goodard, 45, bibliotecária assistente, também começou e educar os filhos - Davies, 8, e Scarlett, 6 -, depois de se aperceber que o primeiro não estava pronto para o infantário. Ela disse:
Quando começámos, pensámos, vamos ver o que acontece até à idade escolar, mas quando chegou a altura em que ele fez os 5 anos já não tinhamos dúvidas em relação à educação domiciliar. O nosso método de aprendizagem é completamente natural, não seguimos nenhum currículo nem qualquer estrutura. As crianças, se lhes deixarmos, nunca deixam de perguntar "porquê?", eu adoro isso.

Não posso ensinar-lhes tudo o que eles querem e sou muito honesta acerca disso, mas posso ajudá-los a aprender. As melhores pessoas para ensinar são as que sabem tudo sobre a matéria e são apaixonadas por ela. O Davies, por exemplo, está interessado em arqueologia, então ele juntou-se a um clube de arqueologia.
A Sra Goodard, que vive em Sompting, perto de Lancing, também está preocupada com a sugestão de planos de aprendizagem feitos um ano em adiantado. Eis que nos disse:
Estou absolutamente confiante de que posso convencer qualquer pessoa de que no ano passado proporcionei uma educação fantástica aos meus filhos e eles são prova viva disso. Mas eu não posso dizer o que eles vão estar aprendendo daqui a 9 meses ou um ano.

Lucy Milner-Gulland, 40, que também educou os filhos Ione, 13, Cory, 9 e Kit, 5, em casa desde sempre, disse:
Tomei conhecimento da possibilidade do ensino doméstico quando Ione tinha 2 anos e pareceu-me algo de muito valor. Naquela altura, a ideia dela continuar a viver e aprender como tinha feito até então pareceu-me a coisa mais natural do mundo.

Aos 4 anos de idade as crianças já estão aprendendo com os pais e com as coisas do dia a dia. Elas estão aprendendo o tempo todo e faz sentido continuarem aprendendo da mesma maneira depois dos 5 anos de idade. Nós descobrimos uma maneira óptima de aprender e gozar a vida. Penso que o ensino doméstico não é para todos, mas para funciona para nós e não é uma escolha difícil porque as crianças estão felizes.

Os pais usam vários métodos para ensinar os seus filhos e, em Brighton and Hove, existem vários grupos a que se podem juntar. Nós seguimos a abordagem da aprendizagem autónoma, ou unschooling, por isso toda a aprendizagem é centrada nas crianças e direccionada por elas.
A minha filha participa em todos os grupos. Todos os dias ela participa em várias actividades de grupo. Além de se estar preparando para fazer o exame do 11º ano em Inglês, tem aulas de Francês e toca numa banda. Ela gosta de aprender fora de casa, com outros jovens. Mas o meu filho detesta aprender em grupos e adora fazer tudo sozinho. Farta-se de ler livros, fala muito conosco e faz muitas perguntas. A coisa agradável sobre os miúdos educados em casa é que eles têm a oportunidade de conhecer pessoas de todas as idades, dão-se muito bem com adultos e vêem-nos como mentores e amigos.
Somos totalmente orientados pelos nossos filhos. Uma das propostas sugere a necessidade de um plano sobre o que vamos aprender no ano. Mas a aprendizagem autónoma não funciona assim, não segue de um currículo nem calendários e horários.
Continua aqui. Para a reportagem da BBC, cliquem aqui. Original aqui.

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