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domingo, 30 de agosto de 2009

Michael Leunig fala sobre o ensino doméstico

Michael Leunig é um filósofo, poeta e artista australiano que educa os filhos em casa. Nos primeiros 3 minutos deste vídeo ele fala sobre as vantagens da educação domiciliar.



R: Os teus filhos, que penso que têm 7 e 11 anos... mencionaste que os estás educando em casa. O que é que lhes ensinas?

ML: Bem, eles aprendem, entendes? Todos os miúdos querem aprender e estou convencido que é impossível fazer com que crianças saudáveis parem de aprender. Assim, temos de proporcionar... é uma questão de proporcionarmos e criarmos um ambiente em que elas estão interessadas, entusiasmadas e cheias de curiosidade.

Por exemplo, a minha filha Mina adora cavalos. Ela tem dois cavalos e (quando ela está com) os cavalos, naquele momento os cavalos são os professores; quando estão passeando no cercado, o cercado é o professor, a cobra que atravessa em frente deles é o professor, quando me ajuda a reparar a cerca ou a arranjar a bomba, esses são os professores.

Os olhos das crianças vão até às coisas e brilham quando vêem algo; então dizemos, tudo bem, vamos ver, e seguimos isso, seguimos os seus interesses.

R: Preocupas-te que talvez não lhes consigas dar uma educação abragente, que vá mais além das tuas visões sobre o mundo?

ML: Não podemos controlar as situações a esse nível. O mundo vem até nós, ele nos rodeia, entra por baixo da porta, cai do céu, nos permeia... Se amamos os nossos filhos não queremos vê-los se tornando ignorantes, obtusos, de vistas estreitas... e se quiserem ir para a escola, tudo bem, se chegar a altura em que queiram ir, então podem ir.

R: A outra coisa sobre a escola é que ela proporciona uma comunidade, esse senso de aprender a trabalhar com os colegas, construir amizades, todas essas coisas...

ML: E agredirem-se uns aos outros até mais não, e serem arrastados pelo chão...

R: Todas essas coisas também.

ML: Submeterem-se, serem controlados, ficarem incrivelmente confusos sobre todas essas coisas que lhes ensinam...

R: Estas coisas que, quando os teus filhos forem à sua vida, quando forem mais crescidos, vão ter que descobrir uma maneira de lidar com elas, porque não os podemos enclausurar de tudo isso.

ML: Não, estamos a abri-los...

R: Não podemos fugir a essas coisas.

ML: Absolutamente, e é por isso que os educamos em casa, de modo a que se tornem fortes no seu interior, porque lá fora o mundo é grande e selvagem. Não tenho nenhuma teoria sublime sobre isso; mas nós agimos de acordo com a nossa intuição e os interesses dos nossos filhos, (pensando no que é melhor para a) sua saúde, imaginação, mente e espírito...

E temos a coragem de fazê-lo, temos a coragem de ir contra todo esse conformismo, obediência, submissão, pressão de grupo, de os transformar em forragem para a economia, para entrarem numa economia - e não numa comunidade -, de os tornar uma unidade económica, das 9 às 5, nos autocarros. Isso não me agrada...

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