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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Verão faz mal ao cérebro dos miúdos?

A semana passada, um jornal perguntava se o Verão fazia mal ao cérebro dos miúdos. Ontem, um membro fundador do grupo online da educação domiciliar Acção para o Ensino Doméstico explicou, aqui, que para ele o problema não era o Verão....

"Não era o Verão que nos preocupava. Era o resto do ano. Foi o Verão entre a pré-primária e o início do ensino primário que nos levou para o ensino doméstico. Foi ver o meu filho durante essas férias devorando tudo que lhe despertava a curiosidade que cimentou a nossa decisão.

O meu filho lutava contra a escola. Dizia que gostava do professor e dos colegas, mas não conseguia expressar porque resistia à escola. A sua “resistência” consistia em argumentos diários na altura de se aprontar para ir para a a escola, que podiam levar a uma crise de gritos, ataques de asma e vómitos. Depois de um ano todos nós detestávamos as manhãs.

No entanto, os professores diziam que ele era esperto, embora não fosse de uma inteligência de espantar: quieto durante as aulas, suficientemente alegre mas facilmente distraído.

Só que em casa ele era voraz e aproveitava todas as oportunidades para aprender algo novo. Sim, é verdade que nós fazíamos questão de arranjar tempo para engajarmos em "oportunidades de aprendizagem", como ir a passeios, ler livros em voz alta para eles ou ver programas de televisão educativos e conversar sobre eles. Isso são coisas que os professores não podem fazer, é certo. Nós geralmente pensamos: mas eles são especialistas com formação e possuem técnicas que compensam a falta disso, não é?

No final da pré-primária deram-nos uma lista de palavras para as crianças aprenderem. Não achei bem darem trabalhos de casa a miúdos de 5 anos para fazerem durante as férias.... mas lá fomos de férias e com um pouco de atenção que ele aprendeu as palavras a tempo, antes da escola recomeçar.

Com orgulho, dissemos ao novo professor que ele tinha aprendido as palavras... Ah! Mas não, nós tinhamos entendido mal. Essas eram as palavras que ele iria aprender durante este período. No final das próximas 10 semanas pelo menos metade dos alunos deveriam ter aprendido mais de metade das palavras. Oh, então podemos ver a lista seguinte? Não, só no final do período.

Começámos a ficar confusos com os relatórios de leitura. À noite, em casa, o nosso filho lia o livro indicado pela escola de uma ponta à outra. Mas vinham relatórios da escola dizendo "a leitura está indo bem, já lemos quase metade do livro". Quando lhe perguntámos por que é na escola ele só lia metade do livro que já tinha acabado de ler em casa, ele disse: "Se eu ler o livro todo depois tenho que ficar sentar sozinho à espera que os outros acabem e eu não quero ficar sentado sozinho."

Como previsto nos livros de John Holt (autor do famoso livro How Children Fail, que propõe que na escola as crianças não são incentivadas a aprender mas a se conformarem), ele tinha-se tornado perito em manipular os professores para sua vantagem. Como não gostava de matemática, aprendeu a fingir que estava tentando resolver problemas, quando na verdade nem sequer estava olhando para eles, porque as crianças que parecem estar trabalhando obtêm ajuda enquanto que as que ficam a olhar para os problemas com ar de quem não os compreende são ignoradas. Decidimos então retirá-lo da escola, pensando que podíamos sempre matriculá-lo outra vez. Afinal, não tínhamos nada a perder. Mas a verdade é que nunca olhámos para trás.

O meu filho tem agora 10 anos e continua a surpreender-me regularmente com o que ele aprende sem eu reparar. Tem uma auto-confiança enorme e é bem educado quando fala com pessoas de todas as idades. Quando for grande quer ser director de cinema. Quando eu tinha 10 anos eu nem sequer sabia que isso existia.

Se conseguires criar, para os teus filhos, um Verão feliz, educativo, cheio de actividades, podes dar contigo pensando: regressar à escola? para quê?"

4 comentários:

RUTE disse...

Que engraçada esta estória. Adorei (como sempre).

E dou comigo a pensar assim. Este Verão da minha filha foi fantástico. Mas não posso dizer que o mérito é meu.

O ATL de Verão fez um trabalho espantoso. Aprender a brincar é o mote. Com actividades ludicas a Carolina interiorizou imensos conceitos. Sei que vão ficar espantados com ela quando iniciar o ano léctivo.

Mas, conforme eu e tu Paula, já tinhamos falado cá em Portugal, a Carolina até está bem na escola e sente-se feliz.

Beijinhos.

Paula disse...

Olá Rute!

Que bom que as férias de Verão da Carolina foram fantásticas e que ela continua feliz na escola.

Sim, é verdade, todas as crianças são diferentes e muitas delas gostam da escola. Há famílias aqui na Inglaterra que decidem educar um filho em casa e outro na escola precisamente por essa razão: enquanto que para um o ensino doméstico é a melhor opção, para o outro a escola pode ser melhor.

Acho que o principal mesmo é as pessoas estarem conscientes das várias opções disponiveis e depois terem a liberdade de escolher o tipo de educação que melhor se adequa a cada um dos filhos.

Beijinhos!

Isabel de Matos disse...

Olá!!!

Também achei engraçada esta história, pois ainda esta semana pensei nisto: nós no Verão e nas férias acabamos por fazer muitas coisas divertidas, muitos mais passeios, muitas mais oportunidades de aprender com o mundo à nossa volta, também porque, como eu e o pai trabalhamos, nas férias temos mais tempo e disponibilidade para nos deslocarmos um pouco mais longe e proporcionar mais momentos destes (para além de que o tempo no Verão é mais convidativo a passeios...).

Ainda esta semana, passámo-la na zona de Alcobaça e só em 6 dias, para além da praia e de momentos também em casa (no campo) à volta de várias tarefas, ainda fomos visitar uma fábrica de vidro e saber algumas coisas de como é feito o vidro, vendo fazer (visitámos também o Museu do Vidro), na Marinha Grande, fomos às grutas de Mira d'Aire (e no final o Alexandre interessou-se sobre vários tipos de pedras que estavam em exposição e lemos-lhe o que dizia lá sobre a sua formação (formação das rochas), fizémos um piquenique com amigos (mais duas famílias com crianças de várias idades (ao todo eram 5 crianças, a contar com o Alexandre, divertiram-se muito), perto de um moinho que andaram lá por dentro a "explorar" e sei lá que mais! Depois ponho posts no Pés Na Relva e n'A Escola É Bela...

Sinto sempre ser mais fácil partir do que se vê para depois aprofundarmos mais cada assunto em livros, na internet, etc., do que quando de repente vem uma pergunta e nós respondemos ou vamos ver em livros ou na internet e temos que deixar para depois ir ver algo sobre isso "lá fora", porque na altura não dá para nos deslocarmos a um sítio onde se possa ver como essas coisas acontecem (ir perto de um vulcão, por exemplo). Mais tarde, já a pergunta "actual" é outra e não essa!...

Beijinhos!
Obrigada Paula pelo post e às duas (Paula e Rute) pelos comentários...

Isabel

summerland disse...

Olá
Gostei mt do assunto e deste blog, gostava de ter o seu email PAula, pois tenho um Portal de puericultura...o meu é info@dobebe.com
Boa semana
Sara