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sábado, 26 de setembro de 2009

Como ajudar os alunos com fobia escolar?

Informem os pais sobre a educação domiciliar!

"Sabias que te podemos obrigar a ir à escola?" Foi isso o que as autoridades educacionais me perguntaram, depois de todos os outros métodos terem falhado. Perguntei-lhes como. "Mandamos alguém vir-te buscar e levar-te à escola, ficar à tua espera fora da sala de aulas para se assegurar que ficas ali o dia inteiro e acompanhar-te no regresso a casa."

Na altura tinha 11 anos e depois de pensar um pouco sobre isso perguntei-lhes se tinham alguém disposto a lutar fisicamente comigo dia inteiro, dia após dia, durante cada passo a caminho da escola. Disse-lhes também que enquanto eu tinha a liberdade de fazer o que queria, o infeliz cujo trabalho seria arrastar-me para a escola não tinha permissão de me magoar. Eu era apenas uma criança, mas as autoridades perceberam que eu estava falando a sério. Olharam uns para os outros, pensaram sobre isso, e sugeriram que a minha mãe entrasse em contacto com a Associação Nacional do Ensino Doméstico, Education Otherwise.

A maior parte dos pais e professores supõe que a escola é obrigatória e que a única forma viável de educar as crianças e jovens é através do sistema de ensino formal. Porém, existem casos em que é óbvio que a frequência escolar não é do melhor interesse da criança. Os meus problemas na escola começaram quando a minha professora teve um grave acidente de carro. Apesar de estar tomando medicamentos e fazendo tratamentos de diálise todas as semanas, ela recomeçou a dar aulas e resolveu fazer de mim o "aluno problema". A minha primeira experiência de bullying - assédio moral - veio desta professora, que fez de mim bode expiatório. A minha mãe foi à escola protestar e o pessoal que lá trabalhava admitiu que a professora estava demonstrando uma mudança de carácter e fazendo julgamentos de valor estranhos, mas disseram que em tempos difíceis tinham de apoiar a equipe.

A única opção era mudar de escola; mas como eu era o "garoto novo", os outros miúdos depressa fizeram de mim o alvo. Como o meu avô era treinador de boxe e tinha me inscrito em aulas de artes marciais, quando os outros miúdos me agrediam fisicamente e eu tentava defender-me o resultado era eu ser rotulado de "aluno-problema" uma vez mais. Quando fui para a escola secundária, continuei sendo vítima de violência escolar. A escola nada fez excepto dizer-me que o facto de eu gostar de ler tornava-me diferente dos outros miúdos e por isso faziam de mim o alvo. Eu, naturalmente, desenvolvi uma fobia e comeceia recusar a ir à escola, preferindo estudar história, inglês, geografia, ciência e filosofia em casa.

Só quando me juntei à Associação Nacional do Ensino Doméstico, Education Otherwise, e começei a conviver com outros jovens que se recusavam a ir à escola e eram educados em casa, é que a minha experiência de educação melhorou. Candidatei-me aos exames do 11º e 12º ano, tive boas notas em inglês, direito e sociologia, e aos 17 anos tornei-me o técnico jurídico mais novo do Reino Unido.

Também obtive a faixa preta no karaté e começei a dar aulas, coisa que fiz até que o meu interesse pela escrita se transformou numa ocupação profissional por conta própria. Outras pessoas que conheci através da educação alternativa tornaram-se músicos e cineastas de sucesso; um dos miúdos que conheci tornou-se professor de línguas antigas. No entanto, a única pessoa que conheço que obteve sucesso através da educação convencional frequentou uma escola privada em Wilmslow.

A educação domiciliar não é para todos; as famílias em que ambos os pais trabalham podem não ter o tempo disponível nem os recursos necessários, e algumas crianças que têm necessidades especiais - embora não todas - podem precisar de apoio especializado que os pais, sozinhos, podem não ter a capacidade de dar. No entanto, para muitas crianças, o ensino doméstico proporciona o ambiente ideal para desenvolver os seus interesses criativos. As crianças sobredotadas, em particular, são mal servidas pela educação sistematizada que só pode acomodar os alunos medianos.

É obvio que a suposição de que a fobia escolar só pode ser tratada na escola é falaciosa; a aprendizagem e a socialização são primeiramente o domínio da família, e é no contexto familiar que as crianças aprendem as competências necessárias para prosperar na vida adulta.

Podem ler o original, por Samuel Jones, aqui.

Link: Primary school teacher who bullied pupils suspended

3 comentários:

*Lisa_B* disse...

Querida Paula,
descobres "tesouros" de informação para os que nem sonham com o que se passa no mundo e na educação.
Quem não trava estas lutas nem lhe dará valor.Infelizmente eu sei o que tudo isto é por o sentir na pele a cada dia.
Levei o teu artigo e video do Scott James para o meu blog com a tua informação. Espero que não te importes mas achei tão fundamental que as pessoas ,o maior numero delas possam ler o que acontece nas escolas para que mudem algo.
Tenho alguns contactos com politicos (amigos) que passam no blog e pretendo chamar a atenção de que o meu filho não é nem foi caso único a sofrer o bullyng sendo autista AF.
Obrigada Paula por estares sempre atenta a tudo e pela partilha.

Paula disse...

Querida Lisa_B,

Está sempre à vontade, o que me motiva é consciencializar as pessoas para estes problemas, por isso fico sempre agradecida pela tua ajuda nesse sentido.

Anamalia BIANCO FUZINATO disse...

Meu filho de 12 anos tem fobia escolar, e ja perdeu um ano por conta disso . Ano passado consegui matricula lo numa escola pública e com uma tutora ele estudou em casa , mas este ano ele esta no sexto ano e não consegue mais ir á escola. Como posso fazer para que ele não perca mais um ano ?