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domingo, 13 de setembro de 2009

Como as escolas destroem a criatividade

Era uma vez um menino pequenino e uma escola muito grande. Quando o menino descobriu que podia entrar para a sala de aulas directo da rua, ficou feliz. A escola deixou de parecer tão grande.

Uma manhã, quando o menino já andava na escola há uns tempos, a professora disse:

"Hoje vamos fazer um desenho".

"Que bom!", pensou o menino.

Ele gostava de desenhar. Sabia fazer leões e tigres, galinhas e vacas, comboios e barcos - mas a professora disse:

"Esperem! Ainda não está na hora de começar!"

O menino esperou até que todos estivessem prontos.

"Agora", disse a professora, "agora já podem fazer flores".

"Que bom!", pensou o menino, que gostava de fazer flores. Ele tirou os lápis de cera do seu estojo. Escolheu o cor de rosa, cor de laranja e o azul. E começou a desenhar.

Mas a professora disse: "Esperem! Vou mostrar-vos como".

E ela desenhou uma flor no quadro. Era vermelha, com um caule verde.

"Façam assim", disse a professora. "Agora podem começar".

O garotinho olhou para a flor da professora. Depois olhou para a flor que tinha feito. Gostava mais da sua flor do que da flor da professora, mas não disse nada. Em silêncio, virou a folha de papel e fez uma flor como a da professora, vermelha, com um caule verde.

Noutro dia, a professora disse:

"Hoje vamos trabalhar com argila".

"Que bom!", pensou o menino. Ele gostava de argila e sabia fazer muitas coisas com argila: cobras e bonecos de neve, elefantes e ratos, carros e caminhões - contente, começou a trabalhar a bola de argila.

Mas a professora disse:

"Esperem! Não está na hora de começar!"

E o menino esperou até que todos estivessem prontos.

"Agora", disse a professora, "Vamos fazer um prato".

"Que bom!", pensou o menino, que gostava de fazer pratos, e começou a fazer pratos de todas as formas e tamanhos.

Mas a professora disse:

"Esperem! Vou mostrar-vos como".

A professora mostrou como fazer um prato fundo.

"Façam assim", disse a professora, "Agora podem começar".

O menino olhou para o prato da professora. Depois olhou para os seus. Gostava mais dos seus pratos do que do prato da professora, mas não disse nada. Em silêncio, enrolou a argila numa grande bola e fez um prato como o da professora, um prato fundo.

O menino aprendeu a esperar, a prestar atenção e a fazer as coisas como a professora dizia. Depressa deixou de fazer as coisas à sua maneira.

O tempo foi passando e um dia o menino e a sua família mudaram de casa e foram viver para outra cidade. O menino teve que ir para outra escola.

Esta escola era ainda maior do que a outra, e não podia entrar da rua directamente para a sala de aulas. Tinha que subir uns degraus enormes e descer um grande corredor para chegar à sala.

No primeiro dia de aulas, a professora disse:

"Hoje vamos fazer um desenho".

"Que bom!", pensou o garotinho, e ficou à espera que a professora lhe dissesse o que fazer. Mas a professora não disse nada. Apenas caminhava à volta da sala.

Quando passou pelo menino, ela perguntou: "Não gostas de desenhar?"

"Sim", respondeu o menino. "Mas o que devo desenhar?"

"Não sei, tu é que tens que decidir que desenho queres fazer", disse a professora.

"Como devo fazê-lo?", perguntou o menino.

"Ora, como preferires', disse a professora.

"E de qualquer cor?", perguntou o menino.

"De qualquer cor", disse a professora, "Se todos fizessem o mesmo desenho e usassem as mesmas cores, como é que eu saberia quem fez o quê?"

"Eu não sei", disse o menino.

Enquanto os outros desenhavam flores cor-de-rosa, cor de laranja e azuis, o menino, em silêncio, desenhou uma flor vermelha, com um caule verde.

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