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sábado, 12 de setembro de 2009

Entrevista sobre o ensino doméstico

Introdução: Agora que estamos na altura do regresso às aulas, o que é que se passa com os miúdos que não aprendem na escola? A nossa repórter entrevista duas famílias que optaram pelo ensino doméstico.

Mãe1: O meu filho Martin, por ser diferente - ele tem a síndrome de Asperger -, foi vítima de um bullying muito severo. Nós estávamos desesperados. Não sabíamos que a educação domiciliar existia, não fazíamos ideia que a lei permitia a escola em casa, pensávamos que as únicas pessoas que tinham aulas em casa eram os que tinham sido excluidos da escola. Mas 20 minutos depois de termos descoberto que o ensino doméstico é admitido na lei já tinhamos escrito a carta para cancelar a matrícula. A escola não estava aberta por isso tivemos de esperar 2 dias para entregar a carta. Educamos em casa desde então.

Repórter: E dá resultado?

Mãe1: Ah, sim, os resultados são óptimos! Nós somos uma das poucas pessoas que pode provar que o ensino doméstico resulta porque devido aos problemas do meu filho ele tem sido acompanhado e avaliado com regularidade ao longo dos anos e deu um pulo enorme nestes 18 meses em que aprende em casa.

Repórter: Vocês também optaram por educar as vossas 2 filhas.

Mãe2: Para nós, foi pensar em todas as oportunidades que seriam perdidas a não ser que as educássemos fora do sistema. Fazíamos vida de cidade e mudámos para o campo para praticar agricultura; pensar nelas saindo de casa às 7 hrs da manhã e regressando às 7hrs da noite, sem verem os animais a nascer... não, nós queríamos que elas tivessem a oportunidade de aprender na natureza.

Repórter: Vamos ver o que elas pensam. Andávas na escola e agora aprendes em casa. O que preferes?

Filha1: Prefiro o ensino doméstico porque na escola somos obrigados a fazer coisas em que não estamos interessados e quando aprendemos em casa podemos escolher aquilo que aprendemos e é muito mais flexível.

Repórter: E não tens que usar um uniforme. Acho que disso eu iria gostar.

Filha1: Pois é, posso vestir o que quiser, mas acho que a minha mãe não me deixaria andar de pijamas o dia inteiro...

Repórter: E não tens saudades de fofocar com as amigas?

Filha2: Na escola não me incluiam nos grupinhos porque eu sou do tipo que prefere estar sozinha, por isso prefiro o ensino doméstico muito mais. Agora o uniforme é o nosso sorriso constante.

Repórter: Lembro-me que nós falávamos mal dos professores. Em casa como é? Se os pais são os vossos professores vocês têm discussões?

Mãe2: Não. Há ocasiões em que lhes digo: "OK, meninas, vamos ler ou estudar matemática", e elas respondem "Oh mãe, mas eu quero fazer isto." Mas é só por 1 ou 2 horas. Se calculares o tempo que as crianças passam na escola sentadas numa secretária aprendendo a sério, são 2 ou 3 hrs por dia. E desse tempo, quanto é passado um-a-um? Dez minutos por dia? Se calhar nem tanto! O ensino doméstico dá-lhes tempo para aprenderem sobre a vida, a vida real, para falarem com pessoas de verdade, em vez de estarem fechadas com 30 e tal crianças da mesma idade fazendo exactamente as mesmas coisas.

Podem ouvir esta entrevista, em inglês, no programa de Nathan Turbey (BBC Hereford & Worcester) aqui - têm que andar para a frente, a entrevista está nos últimos 6 minutos do programa.

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