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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Educação domiciliar monoparental - é possível?

Quando o casamento se desfez e ela ficou sozinha com o filho, Mary Jo Tate, que praticava o ensino doméstico em Tupelo, Mississipi, enfrentou um dilema fora do comum. Deveria continuar a educar os 4 filhos em casa? A maioria respondia que não, mas esta mãe, que faz consultoria editorial e literária, resolveu imediatamente que sim.

"Nunca me passou pela cabeça desistir", diz Tate. "Confiei em Deus e continuei educando os meus filhos em casa."

Parece impossível? Embora as palavras monoparental e educação domiciliar parecem incompatíveis, um pequeno mas crescente segmento da população de pais-educadores americanos encontra-se precisamente nesta situação. Brian D. Ray, presidente do Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Ensino Domiciliar, estima que existem actualmente na América cerca de 185.000 famílias monoparentais educando em casa.

É factível?

As famílias monoparentais educam os filhos em casa pelos mesmos motivos que as outras, diz Ray.

"Educando em casa, os pais podem oferecer melhores opções acadêmicas, relações pais-filhos mais fortes e planos educativos individualizados. Estas vantagens aplicam-se também a famílias monoparentais."

Manter os filhos em casa depois de um divórcio ou da morte de um dos pais tem outras vantagens, Ray acrescenta. O ensino doméstico proporciona a continuidade que outras opções educativas muitas vezes não dão. Andrea La-Rosa, web-developer em Miami e criadora de Single Parent Homeschool, concorda que a necessidade de continuidade após grandes mudanças é uma das razões mais importantes para a educação domiciliar monoparental.

"Uma mãe-sozinha que educa em casa pode estar presente para os filhos de uma maneira que a maioria das outras mães não podem", diz ela. "É uma maneira de manter a família intacta, minimizar os danos de um lar desfeito e recuperar a posição de guarda principal dos filhos - coisas que muitos pais-sozinhos geralmente consideram como perdas."

Mas, e as famílias monoparentais que trabalham?

Algumas, como Tate e La-Rosa, trabalham a partir de casa. Outras recebem apoios financeiros suficientes mas a maior parte das mães e pais sozinhos têm empregos fora de casa e trabalham a tempo integral para fazer face às despesas. Uma mãe-sozinha que trabalha das 9 às 5 pode ensinar os filhos em casa?

Não desistam da ideia, diz La-Rosa. Muitos pais-sozinhos que optam pelo ensino doméstico têm amigos e/ou família dispostos a ajudar a cuidar dos filhos e a dar-lhes apoio acadêmico. Outros organizam "trocas de aulas" com outras famílias na sua "comunidade do ensino doméstico" ou deixam “trabalhos de casa” para serem feitos durante o dia de trabalho e dão as aulas à noite.

"É importante lembrar que o modo como vocês organizam a vossa educação domiciliar não tem que ser igual à de mais ninguém. Às vezes temos ideias fixas sobre o que funciona. Mas essas ideias muitas vezes não passam disso... de ideias... O que importa é o que, na prática, traz bons resultados."

É ideal para você?

A maioria das famílias monoparentais acarreta dúvidas sobre as suas capacidades parentais. Educar em casa não vai ser mais uma preocupação? Brian D. Ray oferece garantias aos que duvidam da validade desta via educativa.

"Quando as crianças são educadas em casa, vivam elas com um ou com os dois pais, elas têm os mesmos resultados acadêmicos, sociais, emocionais e psicológicos que os outros estudantes", diz Ray. "Estudo após estudo demonstra que os alunos em regime de ensino doméstico superam os da escola pública e têm resultados iguais ou melhores que os que frequentam escolas particulares. Este facto permanece o mesmo, sejam de famílias mono ou duo parentais".

No entanto, se uma mãe-sozinha achar a educação em casa demasiado exigente, pode sempre experimentar certas opções antes de desistir da ideia. La Rosa aconselha o seguinte:

"Para o sucesso da educação domiciliar monoparental é crucial saber quando e como pedir a ajuda necessária", diz ela. "Se já não queres educar os teus filhos em casa, podes sempre matriculá-los na escola. Mas se queres continuar mas pensas que talvez seja demasiado para ti, pede ajuda aos teus familiares, vizinhos, a outras famílias que praticam o ensino doméstico e que conheces da igreja."

Tate e La-Rosa estão convencidas que a aceitação da educação domiciliar monoparental irá crescer com o passar do tempo. Porém, o que as motiva não é a aprovação cultural mas saberem que as suas escolhas têm um impacto eterno nos filhos - e que o ensino domiciliar é uma das melhores opções possiveis.

Embora muitos tenham tido grande sucesso como educadores-monoparentais, a decisão de ensinar os filhos em casa continua difícil. O ensino doméstico monoparental não é para todos, mas as mães e pais sozinhos não devem excluir a educação em casa simplesmente por causa do seu estado civil.

Copyright © 2008 Crystal Kupper. Crystal foi educada em casa.
Tradução livre e parcial. Original aqui.

3 comentários:

Paula disse...

Visualizar também: Home Educating as a Single Parent 
por Christine Waterman aqui (4 páginas, em inglês).

Isabel de Matos disse...

Bem! O meu post de ontem n'A Escola É Bela também é sobre este assunto... é que várias mães que têm falado comigo e estão a maior parte do dia sozinhas com os flhos têm sentido algumas dificuldades... ainda bem que falaste também sobre isto, mais achegas e informação e testemunhos de pessoas, é bom...
Beijinhos
Isabel

Paula disse...

É uma situação cada vez mais comum. Aqui no Reino Unido 24% de todos os miúdos crescem em famílias monoparentais e vários são educados em casa.

Segundo as estatísticas 56.3% dessas mães trabalham. Muitas conseguem conciliar o trabalho com o ensino doméstico - trabalhando part-time ou a partir de casa.

É claro, aqui o movimento é muito maior que em Portugal e há mais apoio a todos os níveis...

Beijinhos