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domingo, 4 de outubro de 2009

Ensino doméstico na India II

Encontrei o link para o artigo de hoje no site de Shikshantar. Um dos aspectos do seu trabalho é a aprendizagem em família (fotos retiradas dessa página).

A escola em casa

Annapurni é uma menina de 3 anos cheia de vida e energia. Fala à vontade em 4 línguas e adora recitar a sua estória preferida sobre o fazendeiro que derrama manteiga na relva.

Os pais, Ganesh Subramanium e Sarita Pungaliya, são completamente dedicados ao meio ambiente e não a mandaram para a escola. Fazem parte de um movimento cada vez maior de pais que decidiram dizer não à educação formal, à paranóia do processo de admissões em escolas e faculdades e à corrida de ratos no laboratório educacional.

Sampat e Vidya Shetty, pais de Sanskriti, uma menina muito viva de 4 anos, também acreditam firmemente na “escola em casa”. De acordo com Sampat:

"O actual sistema de educação tem mais a ver com o estresse, pressão e aprendizagem mecânica do que com a aquisição de conhecimento. Hoje em dia a educação não passa de um mecanismo de produção de clones em massa. Submetidas à pressão da competição, as crianças perdem completamente a sua originalidade."

Os Shettys são dois jornalistas que ao longo das suas carreiras descobriram o nível de corrupção nas instituições do ensino superior.

Yashodhara Kundaji e Kanwarjit Nagi leram bastante sobre os vários sistemas educacionais antes de decidirem não colocar Anant, o filho de 6 anos, num uniforme.

"Ainda hoje me lembro dos meus primeiros anos na escola. Foram anos muito traumatizantes, custava-me muito estar separada dos meus pais", diz Yashodhara. "Não quero colocar Anant nessa situação."

Fora da estrutura limitante da sala de aula estas famílias têm muito mais liberdade para investigar e praticar outros métodos educacionais, tais como visitas de estudo, excursões, passeios e viagens.

A mãe de Sanskriti leva-a onde quer que ela vá. Ganesh e Sarita já levaram a filha a Chhattisgarh, Rajasthan, Kerala, Chennai, Pune e a uma fazenda em Kutch. Não é de surpreender que as duas meninas já tenham visto mais do mundo do que a maioria das outras crianças da sua idade. Annapurni aprendeu o alfabeto inglês através de jogos e estórias, e também já aprendeu o alfabeto marata.

"Sempre que nos faz uma pergunta nós aproveitamos para investigar a questão a fundo", diz Sarita.

Recentemente, a filha perguntou o que era um globo. Ganesh explicou e agora Annapurni já sabe o nome dos planetas. Os pais de Sanskriti deixam que ela decida por si própria quando quer dormir e se deve ou não comer fast food; assim, ela tem a oportunidade de aprender a pensar por si própria e a tomar responsibilidade pelas suas acções.

Alguns pais chegam ao ponto de elaborar um sistema alternativo para os filhos. Sejal e Anil Shah, que têm 3 filhos, juntaram-se a um grupo de casais que partilham a mesma perspectiva e formaram Gurukulam, um centro de aprendizagem onde as crianças desenvolvem várias competências, desde a música, dança e arte à matemática, sânscrito e guzerate. O que começou como um grupo de 4 famílias depressa se transformou num verdadeiro movimento: agora Gurukulam já assiste 80 crianças.

Mas o que é que acontece quando estas crianças crescem e querem ser engenheiros, médicos ou advogados?

Ganesh tem planos de equipar a filha com todas as competências necessárias para uma carreira:

"Se um dia Annapurni quiser ir para medicina, nós temos bastante amigos que dão formação em medicina alternativa. Não precisamos mandá-la para uma universidade tradicional dirigida por uma cambada de aldrabões".

Shetty diz que acredita mais no valor da experiência de trabalho do que em cursos acadêmicos:

"Actualmente, o mercado de trabalho está atolhado e o que há por aí a mais são pessoas com cursos superiores que não conseguem arranjar emprego. Naturalmente, os pais que optam pela educação domiciliar enfrentam uma pressão enorme dos familiares e amigos, que querem que se eles conformem ao sistema. Mas quando se apercebem que não nos vão mudar de ideias desistem".

Ganesh e Sarita continuam a ser criticados e até já foram acusados de estar cometendo um crime contra a filha por não enviá-la para a escola. Yashodhara e Kanwarjit também enfrentam criticismos.

"As pessoas perguntam-me se o meu filho tem algo de errado"
, diz Yashodhara.

Seguir o caminho menos percorrido não é fácil.

"Educar os filhos em casa é um trabalho fisicamente exigente. É muito mais fácil mandá-los para a escola e no final obter um autômato feito numa fábrica de produção em massa. No entanto, ideologicamente, somos absolutamente contra a educação formal. O sistema de ensino encoraja o consumismo e a sociedade consumista resulta na destruição do meio ambiente. As pessoas das tribos e das vilas, que têm muito menos educação, preocupam-se muito mais com a conservação ambiental"
, acrescenta Sarita.

Ganesh abandonou o emprego e a posição de director do Greenpeace na Índia a fim de se tornar pai-educador a tempo inteiro. O fluxo de dinheiro, porém, é muitas vezes irregular. No entanto, a sua experiência de activismo ambiental ensinou-lhe que a firmeza das suas convicções os sustentará.

Tradução livre; original aqui.

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