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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ensino doméstico na Irlanda

Maior qualidade de vida apesar de menos dinheiro é o título de um artigo publicado hoje num jornal irlandês. Aqui fica a tradução.


"Ideologicamente fomos sempre a favor da educação domiciliar, desde os tempos em que ainda não tinhamos filhos mas, obviamente, não sabíamos se iríamos avante com isso", diz Léan.

Actualmente, a carreira de Léan está em pausa, enquanto ela educa os 2 filhos, Oisin e Fiachra, de 5 e quase 2 anos, em casa.

"A abordagem do ensino doméstico que nos seguimos é o unschooling'", diz ela. "É muito centrada na criança. Trata-se de facilitar a aprendizagem em vez de ensinar um currículo - como Oisin está fascinado com a matemática, nós agora fazemos muita matemática. Mas imagino que daqui a 2 meses há-de ser algo diferente. Conversamos muito, respondemos às suas perguntas e damos-lhe os livros, jogos e DVDs que lhe possam interessar. Essencialmente, ele está explorando o mundo e nós estamos facilitando a aprendizagem".

O ensino doméstico não foi a principal razão que levou Lean a afastar-se do seu trabalho como revisora de textos. Uns meses depois de Oisin ter nascido ela recomeçou a trabalhar mas chegou à conclusão que se estava a dirpersar demasiado. Depois de um ano resolveu fazer uma pausa.

"Na minha vida só havia tempo para o trabalho e a parentalidade", diz ela. "Eu precisava encontrar uma maneira de equilibrar as várias facetas da minha vida de uma forma que combina comigo. Na verdade, ter filhos foi o que finalmente me forçou a ver quais eram eram as minhas prioridades. Antes disso, tudo era feito nos pedacinhos de tempo que restavam depois de ter feito tudo que tinha de fazer. As coisas que eu adorava fazer tinham de ser feitas no pouquíssimo tempo que me sobrava.

Depois desse ano, que foi difícil, percebi que não tinha tempo para nada e senti a necessidade de organisar a minha vida de uma forma que me permitiria fazer as coisas que me fazem feliz. E se eu fizer uma lista das coisas que são importantes para mim, trabalhar num escritório em troca de dinheiro não está nem perto no topo da lista".

Quando Fiachra nasceu, decidiu fazer uma pausa ainda maior na carreira e agora está feliz com a situação.

"Irrita-me que o meu estatuto seja frequentemente posto em causa" diz ela. "Mas quero lá saber que alguém pense menos de mim por agora não ganhar dinheiro. Acho que a contribuição das mães que ficam em casa a educar os filhos é enorme mas muitíssimo desvalorizada. Irrita-me que oficialmente a nossa contribuição para a sociedade só seja válida quando contribuimos em termos fiscais e pagamos a alguém para cuidar dos nossos filhos."

Embora a família agora dependa do salário do marido, Léan descobriu que o tempo livre que agora tem permite-lhe fazer um orçamento e fazer compras de uma maneira mais sensata.

"E por isso não sentimos que temos menos dinheiro. O que mais me impressionou foi como a qualidade da minha vida aumentou apesar do nosso rendimento ter diminuido imenso".

Ser mãe forçou Léan a confrontar seus próprios preconceitos.

"Descobri que fazia uma série de suposições completamente erradas sobre as mulheres que ficam em casa", diz ela. "Tinha assimilado a ideia de que é uma opção fácil, que não é trabalho a sério. Apercebi-me que quando vemos mães com os filhos no café, elas não estão de folga. Antes de ter tido filhos, ir ao café ou ir almoçar fora era tempo de lazer. Mas quando estamos fora de casa com as crianças nós somos responsáveis pelo seu comportamento, alimentação e limpeza. Há uma quantidade enorme de trabalho invisível que está ocorrendo. Essa foi uma grande realização. "

O direito à educação domiciliar está consagrado na Constituição, mas as famílias que desejam praticar o ensino doméstico devem inscrever os filhos no National Education Welfare Board (NEWB) aos 6 anos. Oisin tem 5 e teria começado a escola este ano se os pais tivessem optado pela via tradicional.

Por agora, Léan e a família estão levando a educação domiciliar de ano a ano, observando o que funciona para os filhos.

"A maioria das famílias que faz o ensino doméstico teve os filhos na escola em várias fases", diz ela. "Nós ainda estamos levando isto de ano a ano, pelo menos por enquanto".

E embora faça planos de regressar ao mundo do trabalho, sente-se feliz com as coisas tal como são.

"A pesquisa mostra que o desenvolvimento das crianças é muito melhor quando os pais estão felizes com suas escolhas. Não se trata de optar por trabalhar ou não, trata-se de estarmos felizes com a nossa situação."

Para mais informações, visitem o site Home Education Network.

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