Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A obsessão com a socialização

No livro Educação, Cidadania e Ministério Público, Eduardo Martines Júnior, Doutorado em Direito, menciona o ensino domiciliar apenas de passagem (na página 123) deixando no entanto bem clara a sua posição, que parece semelhante à posição oficial do governo brasileiro: o "problema" do ensino doméstico não é tanto a educação em si, no sentido de transmissão de conhecimentos, mas assegurar a devida socialização dos futuros cidadãos.

Enfim, aqui fica, como curiosidade, o tal parágrafo:

Embora se reconheça que o ordenamento jurídico de alguns países permite a educação exclusivamente no lar [158], ressaltamos que a freqüência da criança e do adolescente à escola não significa apenas acesso à educação e ao ensino. Na realidade, sobretudo a criança, mas também o adolescente, precisam estar em contato com outros de sua idade, pois a convivência estimula o conhecimento e aperfeiçoamento da vida em sociedade, capacidade de liderar, de atuar em grupo e de respeitar os direitos de outrem, fazendo respeitar os seus. Portanto, a freqüência à escola não se limita a permitir o conhecimento dos saberes, mas também visa a completa socialização.

158 Conforme admite implicitamente António Pedro Barbas Homem: “Quanto à educação obrigatória, de acordo com o estabelecido no art. 2º, os Estados podem impor a escolaridade obrigatória, pública ou privada, e a verificação do cumprimento dessa exigência é uma parte desse dever. Conseqüentemente, mesmo nas situações em que é admitido o ensino doméstico, o Estado deve ser o responsável por verificar a qualidade da educação e instrução ministrada em casa (Family H. v. Reino Unido).” (Direito da educação na União Européia. Revista CEJ, Brasília, Conselho da Justiça Federal, Centro de Estudos Judiciários, v. 1, n. 31, p. 10, 1997).

2 comentários:

Paula disse...

Eis a opinião de Olavo de Carvalho sobre esta ideia de que a escola não visa só à educação, mas à socialização:

"Não sabe ele que tipo de socialização nossas crianças encontram nas escolas públicas? Não sabe que estas são fábricas de desajustados, de delinqüentes, de criminosos? Não sabe que, em nome da socialização, as condutas piores e mais violentas são ali incentivadas pelo próprio governo que ele representa? Não sabe que agredir professores, destruir o patrimônio das escolas, consumir drogas, entregar-se a obscenidades em público, são atos considerados normais e até desejáveis nessas instituições do inferno? Não sabe ele que há um crescimento proporcional direto da criminalidade infanto-juvenil à medida que se amplia a escolarização?

Por que se faz de inocente, defendendo a escola em abstrato, como um arquétipo platônico, fingindo ignorar a realidade miserável que as escolas públicas brasileiras impõem a seus alunos, ou melhor, às suas vítimas? Por que finge ignorar que, além da deformidade moral e social que ali aprendem, tudo o que os nossos estudantes adquirem nessas instituições é a formação necessária para tirar, sempre e sistematicamente, as piores notas do mundo nas avaliações internacionais?

Com que direito o fornecedor de lixo, de veneno, de dejetos, há de punir quem se recuse a ingeri-los, ou a dá-los a seus filhos?"

Fonte

Anónimo disse...

Não esperava encontrar um artigo/texto do Prof. Barbas Homem sobre essa matéria. Ele é professor catredático no âmbito das ciências histórico-jurícas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, salvo engano especificamente de história das relações internacionais. Embora seja um professor e pesquisador impecável, creio que tenha não tenha levado em consideração que a "socialização" não acontece exclusivamente, ou somente necessáriamente, dentro da escola. Pelo que não concordo parcialmente com sua argumentação, uma vez que também considero a socialização importante. Porém, desconheço em qual contexto foi criado tal texto, pelo que pode ter optado proprositalmente por uma opção conservadora sobre a matéria.