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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

RTP notícias menciona o ensino doméstico

muito de passagem, num pequeno artigo sobre a Casa do Futuro em Évora, um projecto que proporciona aos mais pequenos uma série de actividades, desde filosofia e meditação a ateliers de matemática, passando pela culinária e pelos jogos cooperativos.

O ensino doméstico é mencionado porque Sandra Gonçalves, uma das fundadoras, fez esta escolha para a filha. Visualizar aqui.


UPDATE

O Jornal de Notícias publicou, sobre esta mesma estória, o seguinte artigo, intitulado Casal educa filha em casa por opção.

A "ditadura" dos horários escolares já regressou à rotina de quase todas as famílias com filhos, mas não entra na de Vítor e Sandra, um casal de Évora que optou por educar Ísis em casa. A escolha é pouco vulgar em Portugal.

Apesar de pouco vulgar, esta opção é legal desde que cumpridos requisitos prévios, como a adoptada para Ísis, de oito anos, pelos seus pais, o psicoterapeuta Vítor Rodrigues e a psicóloga Sandra Gonçalves, depois de "muita ponderação".

A morarem numa quinta na periferia de Évora, habitada também por um cão e dois gatos, os pais procuraram um ensino adequado "à inteligência, necessidades e assuntos que realmente motivam" a filha, aluna do terceiro ano do primeiro ciclo do ensino básico.

O casal, empenhado em acompanhar de perto o percurso de Ísis e apologista de uma educação personalizada e multifacetada, com horários flexíveis e interacção com o "mundo natural", admite ser privilegiado: "Nem todos os pais têm a nossa disponibilidade e preparação."

"Queremos aproveitar a hipótese que temos e a investigação mostra que, quando a educação doméstica é bem gerida, não há problemas de socialização", diz o pai, apoiado pela mulher: "Não queremos fechar a filha sobre nós, mas não abdicamos de participar e prepará-la para estar aberta ao mundo."

Porém, os pais reconhecem também que os seus percursos escolares, com alguma desadaptação, influenciaram a opção pelo regime de ensino doméstico.

Sentada, com a mãe, num tapete colorido no chão da biblioteca familiar que é o palco das aulas, Ísis monta figuras geométricas de papel, embalada pelo som de fundo de Vivaldi, compositor que acompanha os trabalhos de matemática.

Os pais solicitaram o ensino doméstico à Direcção Regional de Educação do Alentejo, que o aprovou, atestando as suas competências pedagógicas. Ísis foi inscrita na turma de uma das escolas da cidade, mas foi Sandra que assumiu o papel de professora.

Ísis "tem consciência" de que o seu processo educativo é "diferente", mas visita várias vezes a escola, para interagir com os "colegas" e até para que "ela própria valide as suas competências e o que aprende".

"Não são dois mundos à parte", frisa Sandra, afirmando que, em casa, há momentos para tudo.

Esta aposta parental recusa que Ísis fique "hipnotizada por cada vírgula do livro de texto" ou "mais interessada em mostrar que sabe do que verdadeiramente saber", e não a torna, no essencial, diferente das outras crianças.

RITA RANHOLA

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