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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Asperger, Autismo, Bullying e Ensino Doméstico

Estava hoje navegando na internet quando dei com o artigo Asperger e bullying: associação perigosa, em que Adriana Campos fala sobre as dificuldades que as crianças com a síndrome de Asperger enfrentam na escola. Apesar de terem capacidades cognitivas médias ou acima da média, elas são frequentemente vítimas de bullying e violência escolar e acabam por fazer o possivel por passarem despercebidas numa tentativa desesperada de sobreviverem nesse ambiente tão hostil.

Muitas vezes o pessoal da escola nem se apercebe do que se está a passar. Pior ainda é quando fingem não saber - ou colaboram na agressão - e dizem aos pais que os meninos vão muito bem. Mas, digam lá o que disserem os "profissionais" e supostos especialistas, os pais não são parvos. Vêem e sentem o sofrimento dos filhos e por causa disso retiram-lhes das escolas e decidem educá-los em casa. Afinal, se continuassem a mandá-los para um sítio onde são vítimas de maus tratos e violência, seriam, em última instância, responsáveis pelas resultantes crises de pânico, ocorrências de estresse pós-traumático ou tentativas de suicídio.

No entanto, estas famílias, que ao ver os filhos em risco na escola optam pelo ensino doméstico, em vez de receberem o devido apoio, são muitas vezes perseguidas. Ou, na melhor das hipóteses, criticadas...

Ainda há 2 dias foi publicado mais um testemunho de uma mãe que sentiu necessidade de responder ao seguinte comentário:

Eu não acredito que a educação domiciliar seja a melhor opção para as crianças autistas, já que necessitam para o seu desenvolvimento da interação com outras crianças.
O argumento é sempre o mesmo. Faz-me lembrar aquela frase: Onde todos pensam do mesmo jeito, ninguém pensa muito.
Mas esse é outro assunto. Vamos lá à resposta de Lisa Jo Rudy:

"Nós, que educamos os nossos filhos em casa, tenham eles autismo ou não, estamos acostumados a ouvir os outros opinar que o ensino doméstico leva ao isolamento e, por conseguinte, só os vai prejudicar. Mas nós sabemos que o ambiente típico da escola isola as crianças muito mais do que o ambiente da educação domiciliar.

É claro que, na escola, os jovens com autismo podem estar fisicamente próximos de vários colegas. Mas tirando esta proximidade física, é raro existirem formas de interação genuina. É certo, o meu filho "falava" com outras crianças - quando o faziam dizer qualquer coisa. E os outros miudos respondiam - quando os faziam responder. Essas interações artificiais e encenadas eram, em sua essência, vazias de significado para ambos os participantes. Sempre que podia, porém, ele desligava-se do caos e do barulho abandonando-se ao seu próprio mundo. Mesmo com uma turma pequena e com uma assistente pessoal, a experiência escolar causava-lhe tanta ansiedade que ele, naturalmente, tentava proteger-se evitando desafios e confrontações, e sendo tão invisivel quanto possivel.

Para ele, essa estratégia dava resultado: ninguém esperava que ele interagisse, aprendesse, falasse por iniciativa própria, assumisse novas tarefas ou excedesse as expectativas. Os professores diziam que as coisas estavam a correr muito bem. Traduzido, isso significava que as coisas andavam calmas e que ele não andava a arranjar problemas.

Agora que é educado em casa, Tom é desafiado a exceder suas próprias expectativas quase todos os dias - e excede-as. Além disso, ele agora interage com uma enorme variedade de pessoas em vários tipos de ambientes, fazendo conexões reais na comunidade. Ele não está sozinho nem isolado do mundo em que vive.

Por exemplo:

Num centro educacional para crianças e jovens educados em casa, ele tem aulas com umas quantas crianças mais ou menos do mesmo grupo etário. A maior parte do trabalho é prático e segue os seus verdadeiros interesses. Ele fala, brinca e até apresenta trabalhos aos colegas e à pessoa encarregada de dar as aulas: uma ex-professora que se converteu à educação domiciliar.

Tem aulas de clarinete, ensaia e toca numa banda de jazz. Faz parte de uma equipe de boliche e estão ganhando o campeonato.

Todas as semanas ele tem aulas de ginástica. Corre, salta e brinca com os outros miudos que também seguem o regime de ensino doméstico. E tem aulas de matemática com um especialista em discalculia que, para além de todas as expectativas, fez com que o Tom conseguisse compreender a teoria dos números.

Está em contacto com a natureza, vai à biblioteca, vai às compras, cozinha, constrói e vai a excursões e visitas de estudo. Ele lê, escreve, estuda espanhol e está a aprender a datilografar, a pesquisar na internet, a tomar apontamentos e a fazer experiências científicas.

É possível que talvez, no passado, o ensino domiciliar significasse "ficar todos os dias sozinho em casa." Hoje, não. Para nós, e para muitas famílias com filhos autistas, é de longe a forma mais eficaz de proporcionar aos nossos filhos a educação que merecem!"

Tradução livre. Original aqui.

3 comentários:

*Lisa_B* disse...

Paula,
estou completamente de acordo com o que essa mãe sente e diz...
Sabes o que continuo a passar por causa da escola e já começo a sentir que se tornou pessoal o meu caso.
Sim ...sou perseguida e não me chamem esquizo porque isto de normal não tem nada mesmo.
Faço a mesma pergunta milhares de vezes e não encontro uma resposta que me satisfaça ou "os"(aos ditos protectores de menores e afins) ilibe...devia ter deixado que o meu filho se suicidasse para provar que o sistema escola não funciona para todos?
Eu protegi, salvaguardei como mãe atenta que sou e pagam-me com tribunais e gastos com advogados? E o meu filho que foi victima na escola de violencia escolar agora é victima de violencia psicologica da tentativa de me desautorizarem como mãe ? É preciso mudar algo e não estou a ver rumo para tal embora ainda não tenha conseguido interpretar todo o programa XVIII do governo.
Falam em ...educação à distancia e sua reforma...já tiveste oportunidade de o consultar?
Beijinhos nossos

Paula disse...

Não, não estou a par do programa XVIII do governo...

Mas ao ler o teu comentário lembrei-me do artigo de Olavo de Carvalho, que não tem papas na língua. Ele também é incapaz de compreender essa situação e interroga-se:

Com que direito o fornecedor de lixo, de veneno, de dejetos, há de punir quem se recuse a ingeri-los, ou a dá-los a seus filhos?

A pergunta vem na sequência do seguinte:

"Mais desprezível ainda [é a opinião de que] a escola não visa só à educação, mas à socialização.

Não sabem que tipo de socialização nossas crianças encontram nas escolas públicas? Não sabem que estas são fábricas de desajustados, de delinqüentes, de criminosos? Não sabem que, em nome da socialização, as condutas piores e mais violentas são ali incentivadas...?

Não sabem que agredir professores, destruir o patrimônio das escolas, consumir drogas, entregar-se a obscenidades em público, são atos considerados normais e até desejáveis nessas instituições do inferno?

Por que se fazem de inocentes, defendendo a escola em abstrato, como um arquétipo platônico, fingindo ignorar a realidade miserável que as escolas públicas impõem a seus alunos, ou melhor, às suas vítimas?

Com que direito o fornecedor de lixo, de veneno, de dejetos, há de punir quem se recuse a ingeri-los, ou a dá-los a seus filhos?

O que se deve questionar não é o direito dos pais educarem seus filhos em casa: é o direito de politiqueiros e manipuladores ideológicos interferirem na educação das crianças."

eliane disse...

Eu tenho um filho com Síndrome de asperger e ele está em educação domiciliar a 4 anos, foi a melhor coisa que eu fiz.Ele só evoluiu e a cada dia está melhor.É uma pena que o Brasil não reconheça a Educação Domiciliar, apesar que no meu caso é reconhecido pois ele está com pedido médico para poder estudar em casa. Ele tem 14 anos e cursa o 9º ano do ensino fundamental.