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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Criando suas próprias oportunidades...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

Os jovens educados em casa são pró-activos na criação das suas próprias oportunidades de aprendizagem

Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Há pessoas que pensam que como não frequentamos a escola estamos perdendo oportunidades. Julgam que na escola há muitas oportunidades. Isso pode ser verdade mas nós temos outras oportunidades. Como fui educada em casa, eu tive a oportunidade de aprofundar o meu interesse em cavalos e avançar a um ritmo muito mais rápido do normal porque tinha tempo disponível para tal.

Completei o 1º estágio do BHS e agora estou a estudar o nível 3 de Parelli Natural Horsemanship. Estou especialmente interessada em cavalos com problemas comportamentais: no que é que os levou a esses comportamentos e no que se pode fazer para ajudá-los a resolver essas problemas. Estive em muitas clínicas de Natural Horsemanship, como espectadora e participante. Passei inúmeras horas trabalhando (voluntária e remuneradamente) em vários estaleiros equestres. Também tive a oportunidade de trabalhar com um instrutor de equitação, o que foi muito útil. Tive os meus próprios cavalos e ajudei a treinar os cavalos de outras pessoas. Ganhei dinheiro suficiente para comprar um pequeno ponei que eu mesma treinei e apoiei desde o princípio - ele tem agora 4 anos e está pronto para ser vendido a uma casa especial. Tenho muito orgulho do trabalho que fiz com ele. Além disso, ensinei as minhas irmãs mais novas quase tudo o que sabem sobre cavalos e equitação, o que tem sido muito gratificante.

Em alguns casos raros, os jovens educados em casa podem não ter a “oportunidade” de aprender em grupo. Mas desenvolvem outras competências, como flexibilidade e concentração - sou capaz de aprender tanto com a minha irmã de 8 anos como sentada num seminário destinado a adultos. Dito isto, porém, como tive a possibilidade de concluir os exames do 11º ano com um grupo de adolescentes educados em casa que eram mais ou menos da minha idade, eu, pessoalmente, não perdi oportunidades em relação à dinâmica de grupo. Além disso, também faço parte de um grupo de teatro onde trabalhamos com pessoas de todas as idades. Estou no mesmo grupo de teatro que a minha irmã mais nova, o que é muito divertido porque todos os meus amigos acham-na um amorzinho.

Muitas famílias que praticam o ensino doméstico reúnem-se uma ou duas vezes por semana para estudarem em conjunto, criando um ambiente de aprendizagem muito cooperativo. Há sempre pais devidamente qualificados em certas matérias que ajudam as crianças nessas áreas – um pode orientar um grupo de matemática enquanto uma das mães orienta um grupo de literatura... As crianças mais velhas podem ajudar a cuidar dos pequeninos enquanto os pais trabalham com os adolescentes, ou os adolescentes podem concentrar-se nos seus projectos enquanto os mais novinhos brincam.

No entanto, como já vos disse, a aprendizagem não ocorre apenas dentro dos limites da sala de aula - ídas semanais à piscina pública podem ser igualmente educativas. As famílias que praticam o ensino domiciliar juntam-se frequentemente e vão a muitos passeios. Actividades em que já participámos incluem: cursos de orientação, visitas a museus, edifícios históricos e jardins zoológicos, actividades artísticas e artesanais, centros de aprendizagem prática, dias desportivos, viagens a grandes cidades, concertos, teatro, cinema e dias na praia. As excursões são uma das características da educação em casa; andamos sempre em viagens de um tipo ou de outro. Como estruturalmente os grupos são normalmente mais pequenos e mais informais do que na escola, estes passeios podem ser mais personalizados.

Eu tive muita sorte em ter tido a oportunidade de seguir os meus interesses sob a tutela de pessoas que são altamente qualificadas e adoram o que fazem. Os meus pais esforçaram-se por ajudar-me a ter acesso aos peritos dessas áreas.

Malchus, 19 anos, vive agora na Alemanha
A educação em casa deu-me a oportunidade de abordar matérias de forma intensa e durante o tempo necessário. Foi-me possível abordar estas disciplinas sozinho com acesso a assistência quando precisava.

Através das minhas inúmeras viagens entrei em contacto uma variedade enorme de pessoas e fui exposto a diversas culturas e estilos de vida. Aprendi várias línguas naturalmente, sem necessidade de aulas ou professores. Já terminei a minha licenciatura e agora estou a preparar-me para trabalhar por conta própria. Sou muito feliz.

Continua aqui.

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