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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Necessidades Educativas Especiais

Por todo o Reino Unido há vários exemplos de escolas com instalações excelentes para crianças com necessidades educativas especiais. No entanto, muitas destas crianças, que entram para a escola na pré-primária cheias de esperança quanto ao futuro, vêem as suas expectativas arrasadas porque as escolas que frequentam não têm a capacidade de lidar com os seus problemas específicos, sejam eles a dislexia, dispraxia, a síndrome de Asperger, TDAH ou deficiências físicas.

Badman reconhece isto e, embora não dê referências, menciona pesquisas que apontam para a grande quantidade de pais que, muitas vezes num desespero, retiram os filhos da escola quando se apercebem que esta não tem a capacidade de ir ao encontro das necessidades dos filhos.

Ben Grey, especialista em protecção de menores, é um destes pais. Ben tem dois filhos: um de 11 anos com autismo de alto funcionamento, que está actualmente a ser educado em casa, e um de 8 anos que vai para a escola.

Testemunho de Ben Grey

Eu, pessoalmente, como pai de uma criança com necessidades especiais, gostaria de chamar a atenção para a quantidade de pessoas educando os filhos em casa devido à falta de adequada provisão para as necessidades especiais, especialmente em relação ao autismo (onde o desenvolvimento das crianças não "encaixa" na provisão do ensino regular nem na do ensino especial). Embora muitos pais optem pelo ensino domiciliar por princípio, a situação que estou descrevendo não é a da educação em casa por escolha.

Informalmente, a nossa Direcção Regional de Educação diz-nos que na nossa área não existe provisão adequada para o nosso filho. As nossas opções são, portanto, colocá-lo numa escola inadequada, onde ele não irá alcançar o seu potencial, colocá-lo num internato especializado (e caro) ou irmos viver para outra área. Muitos pais educam os seus filhos especiais em casa (poupando ao Estado esse enorme custo) porque querem proteger os filhos da violência escolar e de outros desafios que estes enfrentam em escolas inadequadas. Se o governo estivesse realmente preocupado sobre a vulnerabilidade das crianças educadas em casa, então porque não corrige as deficiências do sistema de ensino que às vezes deixa os pais com tão pouca escolha?

As preocupações dos pais em relação ao bem-estar e segurança dos filhos na escola são frequentemente justificadas pois são eles que têm de cuidar deles quando ficam gravemente deprimidos ou ansiosos devido às suas experiências do sistema de ensino.


Dr John Ballam é o director do curso de Escrita Criativa da Universidade de Oxford e um autor com vários livros publicados. Tem três filhos: o mais velho está numa escola para superdotados e os outros dois são educados em casa.

Testemunho de Dr. John Ballam, Oxfordshire

Nós educámos os nossos 3 filhos em casa durante a primária. A nossa experiência é que o ensino domiciliar é positivo e benéfico. Os nossos filhos têm "excepcionalidade dupla", ou seja, são muito inteligentes mas necessitam de educação especial para compensar dificuldades de aprendizagem muito específicas. Além disso, musicalmente, são muito talentosos. O ensino público recusou-se, pura e simplesmente, a reconhecer as suas necessidades e quando finalmente aceitou que tinham necessidades muito específicas não tinha condições para satisfazê-las.

O ensino doméstico permitiu-nos dar aos nossos filhos o ambiente e os recursos que eles precisavam para florescer. Inicialmente, começou com um período de recuperação e reconstrução da sua auto-estima e auto-confiança. Quando vai ao encontro do ritmo das crianças, a aprendizagem fornece as oportunidades necessárias para a superação das dificuldades sem a humilhação de serem separadas do resto do grupo como "falhanços". Além disso, a informação pode ser transmitida em formatos que vão ao encontro do estilo de aprendizagem de cada criança, de modo que o seu empenhamento e entusiasmo pela aprendizagem é estimulado. Finalmente, a educação em casa dá às crianças o tempo que precisam para desenvolver os seus talentos específicos. O ensino domiciliar é uma forma positiva de apoiar os nossos filhos e suas necessidades pessoais específicas.

Dr Ballam escreve sob o nome de J. D. Ballam. Ele é mais conhecido pela sua autobiografia The Road to Harmony.

2 comentários:

Lara Gisela disse...

Olá Paula!!!
Tenho andado muito afastada aqui dos blogues. Nem escrevo no meu, nem tenho visitado os da minha preferência. São fases da vida... Mas agora está a apetecer-me voltar e claro que te vim visitar. Só te digo que o teu blogue está cada vez melhor e tem tanta coisa interessante que tenho de tirar um dia só para colocar a leitura dele em dia!
Beijinhos
Lara

Paula disse...

Olá Lara!

Que bom ver-te de novo na blogosfera! Obrigada pela visita e pelo comentário. Eu também gosto de visitar o teu blogue, ver as tuas fotos, ler os teus posts, etc, embora muitas vezes não deixe comentários...

Beijinhos