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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Os argumentos a favor do ensino domiciliar IV

Os argumentos dos acadêmicos

Dra Paula Rothermel contribuiu este capítulo. Ela é psicóloga educacional na Universidade de Durham e tem escrito, publicado e falado muito sobre o tema da educação em casa. Ela, sozinha e juntamente com outros, tem escrito relatórios e avaliações para tribunais relativamente a casos envolvendo crianças educadas em casa e suas famílias, assim como para famílias e autoridades locais. A bibliografia estará disponível após o seu retorno da Suíça. Ela não esteve envolvida na produção do resto deste documento e as opiniões aqui expressas não são necessariamente as suas.

A importância do envolvimento dos pais na aprendizagem dos filhos

Investigação centrada na aprendizagem das crianças fora da escola mostra que o valor do envolvimento dos pais não deve ser subestimado (Rothermel, 2002). O que realmente motiva as crianças é o amor, que pode ser interpretado em termos do envolvimento dos pais (Rothermel 2008). Investigação científica tem demonstrado que o desenvolvimento do cérebro está inseparavelmente ligado ao amor (Gerhardht 1994). Em termos da promoção da aprendizagem, o envolvimento dos pais pode consistir na sua presença na vida vida dos filhos, respondendo ou ajudando a responder as perguntas à medida que estas vão surgindo e facultando recursos e actividades (Thomas 1999, Rothermel 2002, Thomas e Pattison 2008).

Tizard e Hughes (1984), no seu estudo sobre diálogos nas salas de aulas, constataram que os pais tinham a vantagem de compreender o contexto da vida dos filhos de uma maneira que os professores nunca seriam capazes, e concluiram que está realmente na altura de mudar a ênfase: em vez do que os pais podem aprender com os profissionais, a ênfase deveria ser colocada no que os profissionais poderiam aprender se observassem pais e filhos aprendendo em casa (p 267). As conclusões de Tizard e Hughes apoiam a ideia de que o envolvimento dos pais não é apenas uma útil ferramenta de apoio mas sim uma poderosa fonte do potencial de aprendizagem das crianças.

Em um estudo posterior, Tizard, Blatchford, Burke, Farquhar e Plewis (1988) concluiram que os professores respondem melhor às crianças cuja companhia mais gostam, e muitos pais sabem como é importante para os filhos terem um professor de quem realmente gostam. Em termos do que os pais, professores e educadores podem oferecer, é evidente que quem tem mais investimento no desenvolvimento dos filhos são os pais. Em geral, os pais respondem bem aos filhos e estes provavelmente retribuem essa delicadeza. Outra pesquisa (Georgiou 1999) descreveu este fenómeno como um ciclo de atribuição positiva.

Embora uma das críticas recentemente formuladas contra os resultados favoráveis da educação domiciliar argumente que as crianças educadas em casa superam as da escola porque os pais estão fortemente dedicados ao desenvolvimento dos filhos (Badman 2009), muitos pesquisadores de educação (escolar e domiciliar) argumentariam que esta é uma vantagem fundamental para todas as crianças, sejam elas educadas em casa ou na escola.

A pesquisa sobre a educação domiciliar descobriu que o envolvimento e dedicação dos pais é uma característica importante. Podemos portanto afirmar que se as crianças educadas em casa têm resultados pelo menos tão bons como as crianças educadas na escola e muitas vezes melhores do que elas (Blok 2004), então este alto nível de dedicação é um dos principais factores contribuintes.

O que talvez seja particularmente interessante sobre a pesquisa de Rothermel sobre a educação em casa no Reino Unido (2002) é que demonstrou que um bom nível sócio-econômico não significa necessariamente um elevado nível de dedicação por parte dos pais. Ou seja, os pais menos abastados, motivados pelo desejo de incentivar a aprendizagem dos filhos, tornam-se pais motivados e envolvidos, e o resultado é que os filhos beneficiam em termos do seu desenvolvimento acadêmico, social e psicológico. Ignorar os seus bons resultados dizendo que têm pais motivados e dedicados é uma crítica fora do comum.

O professor Peter Hannon (Hannon, 1994) também apoiou a ideia de que a aprendizagem em casa desempenha um papel essencial no desenvolvimento das crianças mais pequenas. Citando a sua pesquisa anterior ele descreve os aspectos da aprendizagem em casa como sendo respostas ao interesse e à necessidade, sem esforço, espontâneos e flexíveis, e contrasta-os à aprendizagem escolar, moldada por objectivos curriculares, esforçada, com horários definidos e fixos. Descreve também a importância dos relacionamentos na aprendizagem: em casa a proporção adulto-criança é alta, e os relacionamentos são próximos e contínuos. Em forte contraste, na aprendizagem escolar há uma baixa proporção de adultos em relação a crianças, as relações são distantes, descontínuas, e com muitos adultos diferentes.

Alan Thomas (1998), falando sobre o amor pela literatura que observou durante os seus estudos das crianças educadas em casa, atribuiu-o à exposição das crianças ao "diálogo" e ao modo em que os pais respondem aos filhos como individuos que são. Ele escreveu: "O melhor suporte para a proposta de que as crianças de idade escolar continuam a aprender tal como aprenderam durante a infância vem daqueles pais que quando os filhos atingem a idade escolar continuam simplesmente a fazer o que já estavam fazendo. [...] Esses pais estão simplesmente continuando a preparar os filhos para a cultura em que vivem." (pp. 67-68).

Mais recentemente, a professora de psicologia Marueen Callanan argumentou que "as conversas entre pais e filhos são muito mais que periféricas para o desenvolvimento" porque são "uma componente essencial do mecanismo da mudança no desenvolvimento" (Jipson e Callanan 2003).

A professora Annette Karmiloff-Smith descreveu o modo em que as crianças assimilam as informações do mundo externo, reorganizando-as internamente e combinando-as através do conflito e/ou acordo com conhecimentos previamente internalizados até alcançarem o domínio sobre a situação. Ela descreveu este processo como "redescrição representacional" (RR) e é este processo que se encaixa tão bem com a ideia de que os pais estão numa posição óptima para apoiar a aprendizagem personalizada dos filhos, como concluiu Rothermel (2002). Mais especificamente, esta ideia defende os benefícios que podem ser derivados da aprendizagem autónoma, como propostos por Thomas (1998). Em relação à aprendizagem informal, Rothermel (2002) e Thomas e Patterson (2008) concluem que no contexto da educação domiciliar as crianças absorvem os seus conhecimentos gradualmente, através da repetição informal, e a assimilação ocorre através da aprendizagem quotidiana, envolvendo o processo natural do diálogo e da descoberta. Outros pesquisadores também chegaram à conclusão de que este estilo de aquisição de informação é benéfico (Edmondson 2006).

Numa meta-análise de 14 estudos realizada por Desforges e Abouchaar (2003), os pesquisadores concluíram que "o envolvimento dos pais através de uma boa parentalidade em casa" tem um efeito positivo significativo no ajuste e sucesso dos filhos mesmo depois de todos os outros factores que moldam o sucesso terem sido retirados da equação"(p. 4).

O Family and Parenting Institute, financiado pelo DCSF, suporta esta conclusão, afirmando: "Agora está bem evidenciado que o ambiente de aprendizagem em casa é mais influente na determinação do resultado das crianças do que a ocupação, o nível monetário e o nível educacional dos pais" (FPI 2009).

As conclusões alcançadas pela pesquisa descrita acima servem para salientar a verdadeira importância, para as crianças, da aprendizagem informal e auto-motivada. Além disso, as famílias envolvidas na pesquisa de Rothermel (2002) descrevem a "alegria" e "divertimento" resultantes da decisão de educar em casa. O valor da felicidade tem sido abordado pelo famoso economista Professor Layard, que descobriu que a felicidade traduz-se em ganhos financeiros positivos. Assim, através da participação dos pais na aprendizagem informal dos filhos, estes ficam não só mais motivados e capazes mas também mais felizes, o que por sua vez lhes trará mais benefícios em termos de prosperidade (Layard 2003).

Continua aqui.

2 comentários:

*Lisa_B* disse...

Querida Paula,
uma vez mais com post excelente.
Totalmente de acordo para aprenderem precisam sentir afinidade, carinho, felicidade naquilo que experimentam que é o aprender.
Não sei porque alguns continuam a teimar em não absorver o que é tão claro.
O meu filho sempre me disse que eu era a sua melhor professora e que eu falava de forma audível, fácil e calma. Factores essenciais para ele não se sentir irritado com o meio e aprender mais depressa e compreender o que lhe ensinava.

Tenho novidade...o Bruno anda no futebol :-) consegui inscrevê-lo numa equipa cá da cidade e ele está a adorar aquilo. Jã tem colegas que o começam a aceitar:-)

Beijinhos

Paula disse...

Que bom ouvir as tuas boas notícias! Exercício físico faz sempre bem, e se ele está a adorar e a fazer novas amizades então ainda melhor!

Beijinhos